Exclusivo: Veja entrevista com Angelina Jolie sobre 'Salt'
No dia em que Angelina Jolie, 35 anos, conversou com a reportagem do Terra por conta do lançamento internacional de seu novo filme, Salt, que chega nesta sexta-feira aos cinemas brasileiros, a prestigiada revista Vanity Fair havia chegado às bancas dos EUA com a senhora Brad Pitt na capa e uma informação chocante: a mãe de Maddox, Zahara, Shiloh, Pax, Knox e Vivienne, estaria pronta para se aposentar. Filmes, não mais. "Não é bem assim", foi se explicando, com um sorriso meio-aberto, os olhos imensos, a estrela do filme de ação originalmente pensado como veículo para Tom Cruise. "Um dia, de fato, eu vou parar de fazer filmes. Mas o que quis dizer é que vou diminuir o ritmo. Tenho uma família grande para cuidar, né?", argumenta, com razão.
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Na casa dos Pitt-Jolie a combinação é que, quando um trabalha, o outro fica à disposição da gurizada. Foi assim quando ela filmou Salt na porção setentrional do estado de Nova York. Ou quando se mudou para Veneza para seu outro projeto do ano, o longa O Turista, com Johnny Depp, que chega às telas brasileiras em 2011. Na divulgação de Salt no litoral caribenho do México, enquanto la Jolie passava o dia matando a curiosidade dos repórteres, seus filhos mais velhos aproveitavam a piscina e os gêmeos Knox e Vivienne permaneciam aos cuidados do pai Brad em Los Angeles.
"Os meninos estão na piscina agora. Eles viram o trailer de Salt que passava no saguão do hotel o tempo todo. Veja bem, eles nunca haviam visto um trailer antes! Shiloh me viu loira no vídeo e quer que eu corte o cabelo de novo. Maddox ficou chateado, achou que alguém estava querendo machucar sua mãe. Expliquei a ele que não, que estava tudo bem, mas acho que eles estão bem confusos com tudo isso, para ser honesta. Até me ver loira é estranho para eles. Mas assim como foi em Lara Croft eu digo a eles: o que vocês precisam saber é que, no meio de tanta ação, a mamãe está sempre bem no final", diz.
Em sua nova super-produção, Angelina é Evelyn Salt, uma agente da C.I.A. que pode, ou não, ser uma espiã russa infiltrada no serviço secreto norte-americano. O filme tem um quê de Bourne, inclusive no final em aberto, que convida o espectador a aguardar cenas do próximo capítulo. E Angelina destrói carros, pilota motos, pula de helicópteros e luta com muitos homens. Para se ter uma ideia, o filme abre com a intrépida atriz sendo brutalmente torturada em uma prisão na Coreia do Norte. A exposição da imagem da atriz é enorme, com um quê de fetichização da estrela de Hollywood, humilhada e cheia de roxos e marcas de abusos físicos.
"Sou fascinada por adrenalina. Adoro pular de um lugar para o outro, e deveria ser mais medrosa em geral, tenho as marcas no corpo pra provar o quão tola fui algumas vezes. Agora, medo, mas medo mesmo, só tenho de alguma coisa acontecer com as pessoas que eu amo. O mais difícil no filme foi a cena em que estou do lado de fora do apartamento, zanzando pelas paredes do prédio. Mas o dublê fez primeiro, viu que era possível, ele passou pelo perigo maior. Trabalho com ele há anos. Se ele me diz: pode se jogar do prédio e cair lá embaixo que nada vai acontecer, eu pulo", diz.
Para encarnar Salt, que também conta com o ótimo Liev Schrieber - o marido de Naomi Watts ¿ na pele de um outro agente da C.I.A., Angelina conversou com várias funcionárias da inteligência norte-americana. "E elas eram as pessoas mais doces do mundo, delicadas, várias mães de família. Mas na hora do vamos ver, são as mulheres mais duronas que vi na vida. E existem mulheres vestindo uniformes nas forças armadas de quase todos os países do planeta. Não há qualquer dúvida para mim das habilidades das mulheres nesta área, mas a verdade é que não tivemos filmes explorando de fato este aspecto, por isso quis viver Salt", conta.
A idéia de se transformar em um Jason Bourne de saias começou quando uma das principais executivas da Sony, Amy Pascal, pensando em polpudas bilheterias, perguntou a Jolie se ela gostaria de viver uma típica Bond girl nas telas. "Não. Eu queria era ser o James Bond", disse a atriz, sem falsa modéstia. Pois quando Tom Cruise deixou Salt para trás, alarmado com a semelhança do filme com seu Missão Impossível, o herói virou heroína e Angelina aceitou imediatamente o desafio, interessada em provar que o gênero não pode ser primazia dos galãs (como conta, com exclusividade, nesta entrevista em vídeo para o Terra).
E a vinda a Cancún também foi reservada para conversas sobre futuros projetos. O próximo deverá ser a aguardada versão cinematográfica do livro Cleópatra: A Life, da jornalista Stacy Schiff. Já há rumores, não confirmados, de que os produtores tentam convencer Brad Pitt a viver Marco Antônio, em um tributo ao mais famoso casal romano-egípico da história de Hollywood: Elizabeth Taylor e Richard Burton, os protagonistas de Cleópatra em 1963.
"Não temos nada contra atuar juntos novamente, mas não temos nada planejado ainda. Quando li o roteiro de Salt tinha acabado de ter meus gêmeos, Vivi e Knox, e estava na cama, de camisola, me sentindo bem mulherzinha, e disse para ele, 'hum, acho que encontrei algo interessante, físico, que vai me deixar tinindo novamente'. Não trabalhava há um ano e acho que ele estava pronto para me deixar animada, com qualquer grande projeto que eu aparecesse. Nós nos conhecemos, afinal, em um filme de ação, Sr. e Sra. Smith, há seis anos. Ele sabe que eu adoro a adrenalina e nós nos divertimos muito durante as filmagens. Ah, ele me ajudou nas cenas da motocicleta, treinamos juntos!", conta, com um sorriso escancarado, antes de desaparecer pelos salões do hotel.