Emilio Dantas revela receio ao interpretar feminicida: 'Não queria a responsabilidade'
Em conversa com a imprensa, ator falou sobre seu papel em 'Ângela Diniz: Assassinada e Condenada'
O ator Emilio Dantas revelou ter sentido receio ao interpretar o feminicida Doca Street na série sobre Ângela Diniz, destacando seu alívio pela escolha do diretor de não recriar literalmente a cena do crime por questões éticas e narrativas.
O ator Emilio Dantas, de 42 anos, revelou nesta terça-feira, 11, um receio que teve ao interpretar Doca Street, um feminicida, na série Ângela Diniz: Assassinada e Condenada, que estreia na quinta, 13, na HBO.
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Segundo o ator, um dos momentos mais emblemáticos da produção é o assassinato de Ângela Diniz (1944-1976), uma socialite considerada disruptiva para os anos 1970 e que, por muitos, foi classificada como “livre e louca”. Baseada em uma história real, a trama retrata o crime que chocou o país — Ângela foi morta a tiros por seu então companheiro, Doca Street (interpretado por Dantas).
Emilio contou que ficou aliviado pela decisão do diretor Andrucha Waddington em não exibir a cena literal do assassinato, pois temia ter que assumir a real intenção do feminicida durante a cena.
“Fiquei feliz que ele resolveu fazer de um jeito diferente, senão eu teria que assumir alguma intenção [do autor do crime], e eu não queria de jeito nenhum assumir a responsabilidade de entregar o que o Doca estaria sentindo no momento desse tiro”, disse o ator durante encontro com jornalistas realizado nesta terça-feira, 11, no Hotel Pullman Ibirapuera, na zona sul de São Paulo.
“Até porque acho que isso atrapalharia todo o nosso exercício de julgamento do personagem. É um dimensionamento muito grande a se pensar”, completou Dantas.
O diretor Andrucha Waddington explicou que a decisão de não mostrar o assassinato de forma literal foi uma escolha ética e narrativa, já que a única testemunha do crime foi o próprio Doca Street — portanto, nenhuma encenação poderia representar fielmente o que ocorreu.
“Vocês [Marjorie e Emilio] mostraram o que ia acontecer na cena anterior. E, ao mesmo tempo, a violência é descrita no julgamento. Não, literalmente. Ela é detalhada com crueldade — com as fotos, enfim, com tudo”, afirmou o diretor.
A série
Baseada em uma história real, Ângela Diniz: Assassinada e Condenada tem como principal fonte de pesquisa o podcast Praia dos Ossos, produzido pela Rádio Novelo. No projeto, jornalistas revisitam a trajetória da socialite, mostram como ela foi “condenada” por ser livre e narram como sua morte — mesmo sem ligação direta com o ativismo — contribuiu para avanços nas leis de proteção às mulheres no Brasil.
Para dar vida à história, a série conta com um elenco de peso: Marjorie Estiano (Ângela Diniz), Emilio Dantas (Doca Street) e Joaquim Lopes (Ibrahim Sued, outro affair de Ângela), além de: Renata Gaspar, Tóia Ferraz, Joaquim Lopes, Emílio de Mello, Pedro Nercessian, Stepan Nercessian, Daniela Galli, Priscila Sztejnman, Tatsu Carvalho, entre outros nomes de destaque do audiovisual brasileiro.
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