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Em Cannes, diretor brasileiro exibe drama sobre mulher abandonada

18 mai 2011 - 15h20
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O diretor brasileiro Karim Aïnouz estava logo cedo, nesta terça-feira (17), na porta do endereço onde ocorre a Quinzena dos Realizadores para dar entrevistas à imprensa internacional sobre seu novo filme O Abismo Prateado. É o quarto longa-metragem deste realizador nascido no Ceará e radicado em Berlim. Para uma televisão local dizia se tratar de uma produção pequena, no sentido do desenvolvimento de uma trama intimista e elenco enxuto.

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Na maior parte do filme, apenas a protagonista Alessandra Negrini está em cena. Ela interpreta Violeta, uma dentista subitamente abandonada pelo marido. A partir daí, sem ter nenhuma explicação do fato além de uma mensagem de despedida no celular, ela vaga amargurada pelo Rio de Janeiro, entre a rua, o aeroporto e um hotel. "Quis me dar o direito de filmar algo irrelevante, uma história banal, sobre um drama que pode ocorrer a qualquer pessoa", disse o diretor em entrevista ao Terra.

A sessão, que mesclava imprensa e público em geral, estava lotada e permaneceu assim até o final. O Abismo Prateado é baseado na canção Olhos nos Olhos, de Chico Buarque. "Sempre fui muito interessado e intrigado por essa música, de uma pessoa que rompe com alguém e escreve uma carta".

Karim encontrou então a escritora Beatriz Bracher para ajudá-lo no roteiro. "Sem uma mulher por perto, eu não poderia criar essa personagem. Eu tenho uma facilidade para entender o universo feminino, mas jamais poderia saber como elas sentem dor e prazer". O filme tem poucos diálogos e é quase todo centrado no rosto da protagonista, que num dos poucos momentos de vínculo com outros personagens, encontra uma menina e seu pai por acaso na praia e conta a ele sua perda. "Mas não há surpresa nem o drama se torna mais desolador por isso. A questão é sentida pela personagem de forma mais interna e a Bia (Beatriz) tem sensibilidade para explorar isso".

Ao mesmo tempo em que se inspirava pela canção, o diretor também tinha vontade de filmar em Copacabana, no Rio, para mostrar as características e os dramas do bairro. É ali que a personagem, de classe média, acaba de comprar um apartamento com o marido e o filho adolescente. Apesar das andanças de Violeta pela cidade, a cidade não é vista no filme como cartão postal, e sim como uma metrópole conturbada e pouco afeita aos dramas individuais.

Drama

O filme é uma espécie de reverso do longa anterior de Karim, Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, dirigido em parceria com Marcelo Gomes. Nesse, o protagonista é homem e, a trabalho, roda por diferentes cidades do Nordeste enquanto procura entender uma carta da mulher, na qual terminava a relação de ambos.

Antes de Viajo..., Karim assinou talvez seu filme de maior sucesso, O Céu de Suely, centrado em uma jovem que para sobreviver numa pequena cidade oferece-se numa rifa. "Não é pensado, mas meus trabalhos têm essa variação ente o homem e a mulher, pois o que me interessa são as relações do ser humano".

Não é a primeira vez que o diretor vem a Cannes. Seu primeiro longa-metragem, Madame Satã, foi selecionado para a mostra paralela Um Certo Olhar em 2002, que faz parte do conjunto oficial do festival. No caso da Quinzena dos Realizadores, trata-se de uma seção paralela independente desde sua criação, com modelo e curadoria próprios. Não há uma tendência específica ou regras para a escolha de filmes e realizadores. Novos e veteranos diretores se misturam, a exemplo de Francis Ford Coppola há dois anos.

Novos projetos

A vinda de Karim a Croisette, o endereço onde toda a movimentação de Cannes acontece, já lhe rendeu frutos. Ele assinou aqui contrato para dirigir sua primeira produção americana, The Beauty of Sharks, sobre um gigolô que acaba por ser vítima de seu próprio golpe.

Ambientado nos anos 50, o filme se passa na Riviera Francesa, a região onde fica Cannes. Karim também prepara as filmagens de seu novo longa-metragem, Praia do Futuro, co-produção com a Alemanha, que o leva de volta a Fortaleza, sua cidade natal. A trama se desenrola a partir das experiências de um salva-vidas, cumprindo o costume de voltar a um personagem masculino.

Karim Aïnouz
Karim Aïnouz
Foto: Divulgação
Fonte: Especial para Terra
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