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Diretora de 'A Voz de Hind Rajab' discute impacto do filme: 'Não podemos viver sem prestação de contas'

Cineasta explica por que usou áudios reais da menina morta em Gaza e afirma que a nomeação da Academia é uma oportunidade vital para que o mundo ouça as vítimas

10 fev 2026 - 17h05
(atualizado às 17h11)
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A indicação do filme de Kaouther Ben Hania ao Oscar 2026 de Melhor Filme Internacional trouxe um sentimento que vai além da celebração cinematográfica. Em entrevista exclusiva ao The Hollywood Reporter, a diretora de A Voz de Hind Rajab reforçou que a presença do longa na premiação de 2026 é, acima de tudo, uma plataforma para que o mundo ouça o que tentou ignorar: o grito de socorro de uma criança de 6 anos em meio ao conflito em Gaza.

Diretora de ‘A Voz de Hind Rajab’ discute impacto do filme: 'Não podemos viver sem prestação de contas'
Diretora de ‘A Voz de Hind Rajab’ discute impacto do filme: 'Não podemos viver sem prestação de contas'
Foto: Divulgação / Rolling Stone Brasil

O ponto de partida da obra, segundo a cineasta, foi o impacto de ouvir as gravações reais das chamadas de Hind para o Crescente Vermelho. Ben Hania explicou que sentiu a necessidade urgente de criar um espaço físico onde as pessoas fossem obrigadas a sentar e escutar. "Não é algo confortável, mas precisamos. Não podemos desviar o olhar", afirmou. Para ela, a escolha de não usar dublês ou encenações para a voz de Hind foi a única forma de garantir que a obra não fosse tratada como mero entretenimento.

Questionada sobre o significado da indicação, Ben Hania foi enfática ao dizer que, para este projeto, um prêmio não é o destino final. Ela acredita que o reconhecimento da Academia transforma o filme em algo que transcende o cinema, funcionando como um lembrete vivo das crianças que ainda esperam por ajuda.

"Muitas vezes pensamos no cinema como escape, mas este filme é um lembrete de que não há escapismo. Fico feliz que os membros da Academia tenham reconhecido isso e ouvido a voz dessa garotinha", pontuou a diretora.

A entrevista também tocou na ferida da impunidade. Apesar das investigações detalhadas de veículos como o The Washington Post e o grupo Forensic Architecture, que apontaram a responsabilidade de tanques israelenses na morte de Hind e dos paramédicos que tentaram resgatá-la, ainda não houve uma investigação criminal oficial.

"Não podemos viver em um mundo sem prestação de contas", declarou Ben Hania ao ser questionada se acredita que a justiça será feita. Para a cineasta, o filme é uma ferramenta de resistência contra a ideia de que o poder bélico dita as regras do mundo.

FONTE: THE HOLLYWOOD REPORTER 

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