Script = https://s1.trrsf.com/update-1768488324/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Cine Marrocos retrata ocupação em cinema histórico de SP

Documentário vencedor do É Tudo Verdade 2019 estreia nesta quinta (3) nos cinemas

3 jun 2021 - 12h04
Compartilhar
Exibir comentários

Quem passa pela frente do antigo Cine Marrocos, um prédio abandonado no centro de São Paulo, não imagina que astros do cinema hollywoodiano e europeu já passaram por ali. Foi em 1954, quando o local sediou o primeiro festival internacional de cinema do Brasil, exibindo clássicos como “O Crepúsculo dos Deuses”, de Billy Wilder, “A Grande Ilusão”, de Jean Renoir, e “Noites de Circo”, de Ingmar Bergman.

Em 2021, completam-se 70 anos desde a criação do espaço, inaugurado em janeiro de 1951. Desativado desde 1994 e desapropriado em 2010 pela Prefeitura, o prédio foi ocupado pelo Movimento dos Sem Teto do Sacomã (MSTS) em 2013, e passou a abrigar brasileiros sem-teto, imigrantes latino-americanos e refugiados africanos. Foi uma visita nesta ocupação em 2015 que fez o jornalista Ricardo Calil ter a ideia para filmar "Cine Marrocos", longa que estreia nos cinemas nesta quinta (3).

Ricardo Calil
Ricardo Calil
Foto: Divulgação/Muiraquitã Filmes

"Fiquei muito fascinado com a ideia de um cinema que virou lar para as pessoas, porque pra mim ele sempre foi um lar simbólico. E a ocupação era uma coisa muito potente, os moradores eram figuras muito fortes e interessantes", lembra Calil.

Na ocasião, o local estava ocupado por 2 mil sem-teto de 17 países, dormindo em quartos provisórios e em constante ameaça de despejo pela prefeitura. Unindo passado e presente, realidade e ficção, o cineasta e sua equipe decidiram reabrir o teatro para exibir, novamente, os filmes do festival de 54. Somado a isso, propuseram uma oficina de teatro para os moradores do antigo cinema. No final do processo, eles reencenaram cenas icônicas dos filmes que assistiram e reinventaram papéis famosos de estrelas do cinema como Gina Lollobrigida, Vittorio de Sica, Gloria Swanson e Harriett Anderson.

Ao intercalar os jogos cênicos dos moradores com as cenas originais e explorar a história de vida desses personagens, o documentário traz uma discussão importante sobre acesso à moradia, pobreza, desigualdade, imigração e até mesmo saúde mental. Neste grupo extremamente diverso, encontramos desde um jornalista perseguido em seu país natal até um iluminador de teatro que perdeu tudo após a depressão.

"Criamos ali uma espécie de intervalo de fantasia, de ficção, no meio daquela realidade muito dura. Acho que o filme discute um pouco essa ideia: o quanto que a gente pode transcender da realidade, e o quanto que ela nos soterra como um avalanche", explica o diretor.

Cine Marrocos, no centro de São Paulo, estava desativado há mais de 20 anos
Cine Marrocos, no centro de São Paulo, estava desativado há mais de 20 anos
Foto: Divulgação/Muiraquitã Filmes

Outra discussão interessante levantada pelo longa é a deterioração dos equipamentos culturais da cidade e o fechamento dos cinemas de rua. Para Calil, a desvalorização da cultura e os ataques do atual governo contribuem para criar uma situação preocupante. 

"Acho que estamos em um momento ruim do país e da cultura brasileira, porque temos uma série de pessoas no poder que não entendem a importância da cultura e a enxergam como inimiga. Então, somamos uma tragédia mundial, que é a pandemia, a uma tragédia política e social brasileira, além de uma questão estrutural histórica, que é o abandono e a decadência do cinema de rua, trocado pelos cinemas de shopping", opina Calil.

O Terra conversou com o diretor Ricardo Calil sobre os bastidores do filme, os desafios encontrados ao longo do processo e a situação atual do cinema no Brasil. Confira no vídeo a entrevista completa:

Cine Marrocos retrata ocupação em cinema histórico de SP:
Fonte: Redação Terra
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade