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Em Toulouse, festival Cinélatino homenageia o México e filmes brasileiros competem em todas as categorias

O festival de cinema Cinélatino, realizado em Toulouse, no sudoeste da França, chega à sua 38ª edição. Até o dia 28 de março, dezenas de produções latino-americanas competem no evento, que conta com uma importante representação brasileira.

23 mar 2026 - 17h24
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Daniella Franco, enviada especial da RFI a Toulouse

Cena de "Chicas Tristes", de Fernanda Tovar, um dos filmes de abertura da 38ª edição do festival Cinélatino, em Toulouse, no sudoeste da França.
Cena de "Chicas Tristes", de Fernanda Tovar, um dos filmes de abertura da 38ª edição do festival Cinélatino, em Toulouse, no sudoeste da França.
Foto: © Divulgação / RFI

Salas lotadas para assistir a "Chicas Tristes", de Fernanda Tovar, que levou um Urso de Cristal na Berlinale há poucas semanas, e "La Delgada Línea Amarilla", de Celso Garcia. Os longas abriram o festival, que neste ano homenageia o México e que traz como convidada de honra a diretora Bertha Navarro.

Neste ano, o evento ocorre em um contexto de intensificação das políticas anti-imigração dos Estados Unidos contra imigrantes latino-americanos, o que abre caminho para o diálogo sobre a questão no evento. "O festival sempre quis ser um espaço de encontro e, dentro desta ideia, temos essa iniciativa de não minimizar todos os problemas que podem atravessar a América Latina. Então somos muito abertos a debater as questões sociais, políticas e econômicas que atravessam o continente. Queremos sempre favorecer a abertura ao diálogo com os artistas e cineastas que recebemos", diz a diretora do Cinélatino, Marion Gautreau.

O Brasil conta com representantes de peso nesta edição do evento. Competem nas telonas do Cinélatino três longas-metragens brasileiros: as ficções "Ela foi ali guardar o coração na geladeira", de Cristiane Oliveira e Gustavo Galvão, e "Nosso Segredo", de Grace Passô, e o documentário "A Vida Secreta de Meus Três Homens", de Letícia Simões.

Além deles, cinco curtas concorrem nas categorias de ficção, documentários e animação. Já os documentários "Copan", de Carine Wallauer, e "Pau d'Arco", de Ana Aranha, são exibidos na mostra "Découvertes" (Descobertas). Os últimos sucessos do cinema brasileiro, "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho, e "O Último Azul", de Gabriel Mascaro, ganham projeções especiais em Toulouse.

Marion Gautreau saúda a presença do Brasil no evento e se diz satisfeita de poder acompanhar a evolução do cinema nacional. "O Brasil tem presença garantida todos os anos porque é um dos principais países de produção audiovisual na América Latina, com um grande volume de filmes e uma história no cinema muito rica", diz.

A diretora do Cinélatino lembra que na edição precedente do festival, uma retrospectiva do cineasta cearense Karim Ainouz foi realizada, que contou com sua presença. Ela lembra também que por meio da plataforma "Cinema em Construção", que o festival oferece, cineastas e temáticas relativas ao Brasil são selecionadas todos os anos. "Cinélatino é, de certa forma, uma terra de acolhimento e uma porta de entrada ao cinema brasileiro e latino-americano, em geral", resume.

A política francesa também marca o Cinélatino

Evento conhecido por difusão de obras politizadas, o festival em si é marcado neste ano pela política francesa. O início desta 38ª edição coincidiu com o fim de semana das eleições municipais francesas, o que impediu que seu tradicional evento de abertura fosse realizado na prefeitura de Toulouse.

Os cortes orçamentários impostos pelo governo ao setor cultural também tiveram repercussão no festival, conta Marion Gautreau. "Há dois anos a austeridade orçamentária imposta pelo governo se repercute nas organizações locais que nos apoiam e nos nossos auxílios financeiros", afirma.

Segundo a diretora do evento, os cortes deixam a organização do Cinélatino em uma situação frágil. "As vezes temos tomar decisões que lamentamos. Neste ano, por exemplo, tivemos que diminuir nossa programação em trinta filmes, o que representa um quarto da nossa programação", observa.

Ainda assim, Marion Gautreau destaca a programação rica e variada do Cinélatino, com sessões diferentes para toda a gama de público. "O principal é manter o festival e as pessoas que trabalham nele. Estamos fazendo tudo o que podemos", ressalta.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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