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'Drácula - O Musical' equilibra romance, horror e boas canções em adaptação ágil

Com direção de Glaucia da Fonseca, produção independente aposta em uma Mina mais ativa, trilha sonora marcante e na presença hipnotizante de Nando Pradho

8 jul 2026 - 10h58
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Adaptar Drácula, de Bram Stoker, nunca é uma missão fácil. Afinal, o romance publicado em 1897 já inspirou dezenas de filmes, séries, peças e musicais, tornando seu enredo amplamente conhecido pelo público. Ainda assim, Drácula - O Musical encontra espaço para apresentar uma leitura própria da obra, equilibrando romance, horror e música em uma montagem ágil que entende exatamente quais elementos merecem ganhar destaque.

'Drácula – O Musical' equilibra romance, horror e boas canções em adaptação ágil
'Drácula – O Musical' equilibra romance, horror e boas canções em adaptação ágil
Foto: Gabriel Avillah / Rolling Stone Brasil

Com texto e versões de Ella Dalcin e direção de Glaucia da Fonseca, o espetáculo não tenta reproduzir fielmente cada acontecimento do livro. Em pouco mais de uma hora de duração, a adaptação condensa os principais eventos da trama para privilegiar o ritmo e a emoção, fazendo escolhas que tornam a narrativa mais dinâmica sem perder sua essência.

A história acompanha Jonathan Harker (Rodrigo Garcia), jovem advogado inglês que viaja à Transilvânia para negociar com o misterioso Conde Drácula (Nando Pradho). Enquanto ele se torna prisioneiro do vampiro, sua noiva Mina (Camila Vergasta) passa a ser atormentada por sonhos e por uma estranha ligação com uma força ancestral que logo atravessa fronteiras e chega a Londres. É nesse cenário que romance, desejo, medo e sacrifício se entrelaçam.

Quem conduz o público por essa tragédia gótica é Renfield, interpretado por Pedro Navarro. Sua versão do personagem vai além do alívio cômico ou da mera excentricidade presente em outras adaptações. Perturbado, imprevisível e constantemente dividido entre a devoção e a insanidade, ele funciona como narrador da história, estabelecendo desde o início o clima sombrio que acompanha toda a montagem.

Entre as mudanças mais interessantes da adaptação está a construção de Mina. Em vez de assumir um papel passivo, esperando que outros decidam seu destino, ela participa ativamente da narrativa, toma decisões e enfrenta seus próprios conflitos. A personagem ganha mais autonomia sem perder a delicadeza que sempre fez parte de sua essência, tornando-se uma protagonista muito mais interessante e alinhada com o público contemporâneo.

No centro de tudo está, naturalmente, o Conde Drácula. Nando Pradho compreende que o personagem não sobrevive apenas pelo terror, mas também pelo magnetismo. Sua primeira entrada em cena resume isso perfeitamente: em meio à escuridão, surge de forma inesperada, arrancando surpresa da plateia antes mesmo de pronunciar qualquer palavra. É um momento simples, mas extremamente eficaz, que demonstra como o teatro consegue criar impacto apenas com presença, luz e silêncio.

Ao seu redor, Rodrigo Garcia entrega um Jonathan Harker convincente em sua transformação do homem racional para alguém consumido pelo horror, enquanto Diego Luri compõe um Van Helsing seguro e determinado na missão de enfrentar o sobrenatural.

Outro mérito da montagem está em sua produção. Mesmo sendo um espetáculo independente, Drácula - O Musical faz excelente uso de seus recursos. O cenário é versátil, a iluminação cria atmosferas que transitam entre o romance e o terror com naturalidade, e a direção evita excessos, confiando na força dos atores e da ambientação para construir o suspense. Mas é a música que faz o espetáculo encontrar sua verdadeira identidade.

As composições de Di Angelo Mathias, Leopardo e Paula Souza Lima, sob direção musical do próprio Di Angelo Mathias, são muito mais do que intervalos entre cenas: elas impulsionam a narrativa e ampliam a carga emocional dos personagens. Algumas canções permanecem na memória mesmo após o fim da apresentação, e o espetáculo encontra seu auge quando Drácula, Jonathan e Mina dividem o palco pela primeira vez em um número musical que combina tensão, paixão e conflito.

A adaptação, naturalmente, faz concessões. Em função do tempo reduzido, alguns acontecimentos passam rapidamente e certos personagens recebem menos desenvolvimento do que no romance original. Quem nunca leu ou viu quaisquer das adaptações de Drácula talvez sinta falta de algumas explicações ou conexões mais detalhadas. Ainda assim, a montagem parece consciente dessa escolha e nunca perde seu principal objetivo: entregar uma experiência envolvente.

No fim, Drácula - O Musical encontra seu mérito em transformar uma história conhecida em um espetáculo vibrante, sustentado por boas interpretações, uma protagonista renovada e uma trilha sonora que permanece ecoando depois que as cortinas se fecham.

Espetáculo ainda terá apresentações

A produção da Segundo Ato Entretenimento, responsável por Os Sons de Notre Dame, ainda contará com duas apresentações no Teatro das Artes, em São Paulo, nos dias 14 e 28 de julho. Os ingressos estão disponíveis para compra pela Eventim.

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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