Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Depois de ano excepcional, Brasil fica de fora da competição oficial pela Palma de Ouro em Cannes

A seleção oficial do Festival de Cannes 2026 foi anunciada nesta quinta-feira (8) pelos organizadores do evento francês. A expectativa era grande para o cinema brasileiro, que vive uma excelente fase, mas nenhum filme nacional está entre os 21 selecionados para a competição pela Palma de Ouro. Destaque para a volta do espanhol Pedro Almodóvar e do iraniano Asghar Farhadi ao maior festival de cinema do mundo.

9 abr 2026 - 09h14
Compartilhar

Por Adriana Brandão, da RFI em Paris

O diretor-geral do Festival de Cannes, Thierry Frémaux (à esquerda), e a presidente do festival, Iris Knobloch, participam de uma coletiva de imprensa para anunciar a seleção oficial da 79ª edição do Festival de Cannes, no cinema Pathé Palace, em Paris, em 9 de abril de 2026.
O diretor-geral do Festival de Cannes, Thierry Frémaux (à esquerda), e a presidente do festival, Iris Knobloch, participam de uma coletiva de imprensa para anunciar a seleção oficial da 79ª edição do Festival de Cannes, no cinema Pathé Palace, em Paris, em 9 de abril de 2026.
Foto: AFP - JULIEN DE ROSA / RFI

O anúncio da seleção oficial do 79º Festival de Cannes foi feito pela presidente do evento, a alemã Iris Knobloch, e pelo diretor-geral Thierry Frémaux. Como manda a tradição, os filmes selecionados foram anunciados em uma sala de cinema de Paris, para ressaltar a importância da experiência cinematográfica para o setor.

Iris Knobloch fez uma fala bastante política. Ela lembrou que o Festival de Cannes foi criado em 1939, em um momento de incertezas, como o atual, e ressaltou a importância do cinema. Segundo ela, o valor de Cannes está em apresentar a diversidade de criações e culturas, defendendo a liberdade de expressão. Knobloch também lamentou a baixa representatividade de mulheres na seleção. Este ano, apenas cerca de 25 por cento dos filmes selecionados são dirigidos por mulheres.

A seleção foi uma decepção para o Brasil. Depois de um ano excepcional, com "O Agente Secreto", de Kléber Mendonça Filho, conquistando dois prêmios em Cannes em 2025, nenhum longa-metragem brasileiro integra a lista anunciada pelo diretor-geral Thierry Frémaux.

Ele informou que, neste ano, o festival recebeu 2.541 filmes, mil a mais do que há dez anos, provenientes de 141 países. Apenas cerca de 60 produções foram selecionadas para as diferentes seções. Na competição oficial, 21 longas disputam a Palma de Ouro. Entre eles estão obras de diretores consagrados, como o espanhol Pedro Almodóvar, o iraniano Asghar Farhadi, o japonês Hirokazu Kore-eda e o romeno Cristian Mungiu.

A lista inclui vários diretores selecionados pela primeira vez, destacou Frémaux. A escolha é uma resposta às críticas recorrentes de que o festival seleciona sempre os mesmos cineastas para a competição oficial.

Depois da França, a Espanha é o país mais representado. Além de Almodóvar, Rodrigo Sorogoyen e a dupla formada por Javier Calvo e Javier Ambrossi, conhecida como "os Javis", estão na competição. A lista traz um único diretor americano, Ira Sachs, mas nenhum filme produzido por um grande estúdio de Hollywood.

Seleção ainda não está completa

Nenhum filme brasileiro foi anunciado nesta quinta-feira, mas ainda há esperança. Thierry Frémaux afirmou que apenas 95 por cento da seleção foi revelada até agora. Outros longas serão incluídos na programação na semana que vem.

Além disso, as seleções das mostras paralelas Quinzena dos Realizadores e Semana da Crítica, que tradicionalmente acolhem cineastas brasileiros, ainda não foram anunciadas.

De qualquer maneira, o Brasil marca presença, como há 19 anos, no Mercado do Filme do Festival de Cannes, que no ano passado homenageou o país.

Destaques da programação

Antes do anúncio da seleção oficial, os organizadores já haviam revelado algumas atrações desta 79ª edição. Duas Palmas de Ouro honorárias serão entregues. O diretor neozelandês Peter Jackson, de O Senhor dos Anéis e King Kong, entre outros filmes, será homenageado na noite de abertura do evento, em 12 de maio. Já a atriz, cantora e diretora americana Barbra Streisand, considerada um ícone incontornável da cultura pop do século XX, receberá a Palma de Ouro de Honra na cerimônia de encerramento, em 23 de maio.

Outro astro de Hollywood que promete movimentar o Festival de Cannes este ano é John Travolta. O inesquecível Vince Vega de Pulp Fiction retorna à Croisette para apresentar o primeiro filme que assina como diretor. Voo Noturno para Los Angeles, com o título original Propeller One-Way Night Coach, será exibido na Seleção Cannes Première. Para sua estreia atrás das câmeras, Travolta adapta o livro que publicou em 1997, inspirado em sua paixão pela aviação desde muito jovem.

O filme de abertura, exibido fora da competição, é a comédia romântica burlesca A Vênus Elétrica, do francês Pierre Salvadori, com Pio Marmaï e Anaïs Demoustier.

Apresentadora negra

Pela primeira vez na história do Festival de Cannes, as cerimônias de abertura e encerramento serão apresentadas por uma atriz negra, Eye Haïdara. A escolha é significativa. Eye Haïdara é uma atriz engajada e coautora do livro Noire n'est pas mon métier, lançado no Brasil como Ser negra não é minha profissão, que denuncia as discriminações sofridas por atrizes negras e mestiças na França. Em 2023, ela também fez um discurso sobre a paridade na indústria cinematográfica, prestando homenagem às diretoras frequentemente esquecidas.

O sul-coreano Park Chan-wook será o presidente do júri. O premiado cineasta, conhecido por filmes como Old Boy, Decision to Leave e The Handmaiden, sucede Juliette Binoche no cargo. Esta será a primeira vez que o Festival de Cannes terá um presidente de júri sul-coreano.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra