Ressaca cutânea: especialista alerta sobre danos do Carnaval
O combo sol, suor e glitter pode causar a "ressaca cutânea". Veja o guia da Dra. Sabrina Leite para salvar sua pele e cabelo durante a folia
Quando pensamos em "ressaca" de Carnaval, a primeira imagem que vem à mente é a dor de cabeça e o mal-estar causados pelo excesso de bebida. No entanto, existe outro tipo de esgotamento que afeta diretamente a nossa saúde e beleza: a ressaca cutânea.
Blocos de rua, exposição solar intensa, poucas horas de sono e o uso excessivo de maquiagem criam uma "tempestade perfeita" de agressões.
Segundo a dermatologista e cosmiatra Dra. Sabrina Leite, o Carnaval é a maratona definitiva para o corpo humano, e os danos vão muito além do que vemos no espelho imediatamente.
O perigo dos "danos invisíveis" do Carnaval
A maioria dos foliões se preocupa apenas com o óbvio: não pegar uma insolação grave. Porém, a Dra. Sabrina Leite, que soma mais de duas décadas de prática clínica, alerta para o que ela chama de "danos invisíveis".
O problema não é apenas o sol. É o combo de fatores agressivos que ataca a barreira de proteção natural da pele.
"O dano real muitas vezes acontece na barreira cutânea, causado pela mistura de suor, maquiagens artísticas, glitter e a falta de reposição hídrica correta", explica a médica.
Quando essa barreira é rompida, a pele perde a capacidade de reter água e fica exposta a bactérias e poluentes.
Isso explica por que tantas pessoas voltam do feriado com a pele descamando, cheia de "bolinhas" ou extremamente sensível. Para evitar que a festa deixe marcas permanentes, confira abaixo os pilares de proteção.
1. Proteção solar
Parece repetitivo, mas o protetor solar é inegociável.
No meio do bloco, com o suor escorrendo e a música alta, é fácil esquecer que a radiação UV está agindo continuamente sobre as células, causando envelhecimento precoce e manchas.
A Dra. Sabrina é categórica: "O ideal é optar por protetores com FPS 30 ou superior, de amplo espectro, que protejam contra os raios UVA e UVB".
A tática da resistência
No Carnaval, um protetor comum pode não dar conta. Devido à transpiração excessiva, a médica indica produtos resistentes à água.
Eles aderem melhor à pele e não "derretem" tão facilmente nos olhos.
Facilite a reaplicação
A regra é reaplicar a cada duas horas. Mas como fazer isso no meio da multidão?
A dica de ouro é apostar em protetores em bastão ou spray. Eles cabem na doleira, não vazam e são fáceis de passar mesmo com as mãos sujas de glitter.
2. Cabelo e couro cabeludo também sofrem
Não é só a pele do rosto que entra na ressaca. O cabelo sofre agressões físicas e químicas intensas.
Vento, sol direto na cabeça, suor acumulado e produtos de fixação para penteados formam um cenário de ressecamento extremo.
"O cabelo também sofre com sol, suor, vento e produtos usados para penteados e fantasias", destaca a especialista.
Para mitigar o dano, a recomendação é usar:
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Leave-ins ou óleos com proteção UV: Eles formam uma película protetora no fio.
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Barreira física: Bonés, chapéus ou lenços são estilosos e protegem o couro cabeludo de queimaduras (que podem virar caspa depois).
O pós-bloco capilar
Ao chegar em casa, a higiene é fundamental.
"É importante lavar bem os fios para remover resíduos de glitter, sprays e poluição, utilizando shampoos suaves e máscaras hidratantes", orienta a dermatologista.
Dormir com o cabelo sujo e cheio de laquê pode quebrar os fios e sufocar o couro cabeludo.
3. A hidratação de dentro para fora
Você sabia que a aparência da sua pele reflete diretamente o quanto de água você bebeu? O álcool é diurético, ou seja, ele força o corpo a eliminar água.
Se você bebe cerveja ou drinks o dia todo sob o sol e não repõe água pura, a ressaca cutânea será severa.
"A desidratação deixa a pele opaca, favorece irritações e pode agravar quadros como dermatites e acne", alerta a Dra. Sabrina. A estratégia é intercalar: para cada dose de álcool, beba um copo de água.
Água de coco e bebidas isotônicas também são excelentes aliados para repor os sais minerais perdidos no suor.
4. Cuidado com o glitter e a maquiagem
As maquiagens artísticas são a alma do Carnaval, mas muitas delas não são feitas para ficar 10 ou 12 horas no rosto sob calor intenso.
Produtos de baixa qualidade podem causar dermatite de contato e alergias severas.
A especialista destaca a importância de escolher produtos dermatologicamente testados. E, mais importante ainda: nunca dormir de maquiagem.
"Dormir com resíduos na pele aumenta o risco de acne, alergias e irritações", afirma a médica.
O acúmulo de produto obstrui os poros (o que causa cravos e espinhas) e impede a renovação celular noturna.
Use um demaquilante potente (como cleansing oil) para "derreter" o glitter sem precisar esfregar a pele com força.
5. Alimentação anti-inflamatória
O que você come durante os dias de folia também impacta a resistência da sua pele.
Frituras e alimentos ultraprocessados aumentam a inflamação do corpo, o que se reflete em inchaço no rosto e nas pernas.
A recomendação da Dra. Sabrina é priorizar refeições leves, ricas em frutas, legumes e verduras.
Esses alimentos fornecem os antioxidantes necessários para combater os radicais livres gerados pelo sol e pelo álcool.
Recuperação pós-folia
O Carnaval acabou? Começa a operação resgate. Após os dias de festa, a pele precisa de carinho para restaurar a barreira cutânea.
A especialista recomenda investir em hidratação intensiva tanto para a pele quanto para o cabelo. Busque cremes com ativos calmantes (como aloe vera, camomila ou pantenol) e produtos pós-sol.
"Esse cuidado ajuda a restaurar a barreira cutânea e prevenir o envelhecimento precoce causado pela exposição solar excessiva", finaliza a médica.
Seguindo esse guia simples, é possível aproveitar a festa com intensidade, garantindo que as únicas marcas que restem sejam as boas memórias, e não os danos na pele.