Eletrônico, Bollywood e mais: foliões vão além do samba no carnaval de rua de São Paulo
A ideia de um carnaval indiano pode soar peculiar, mas não é tão distante assim e faz sucesso desde 2016 nas ruas paulistanas
Quando se pensa em um bloco de carnaval, além do calor e brilho, é quase impossível não pensar no axé, em uma marchinha ou num samba. Mas a cidade de São Paulo, com os seus mais de 12 milhões de habitantes, tem espaço para mais, e, por isso mesmo, um carnaval para todos os gostos.
O bloco Unidos do BPM ostenta o título de primeiro a abrir alas para a música eletrônica na folia paulistana. A ideia surgiu em 2016, quando o administrador de empresas Bruno Mattos percebeu que esse estilo de música ainda não tinha o seu espaço na festa.
"Foi o match perfeito. Quando lançamos o bloco, lá em 2016, percebemos que de fato o carnaval de São Paulo estava carente de um bloco que fugia das tradições do carnaval, como samba e axé", afirma, em entrevista ao Terra.
A ideia foi um sucesso instantâneo, e logo no primeiro ano reuniu cerca de 20 mil pessoas. A expectativa para o carnaval de 2023 é arrastar 30 mil foliões pelo Centro. Um desses foliões é a analista de qualidade Julia Salazar Matos, que pretende ir pela primeira vez.
"Me identifico e curto muito música eletrônica e toda a cena de São Paulo. Acredito que o carnaval é um momento de curtir e ocupar a cidade com aquilo que mais gostamos e o Unidos do BPM foi o pioneiro a oferecer essa mistura entre carnaval e eletrônica", opina.
A analista também espera que o desfile deste ano mate sua saudade do carnaval, depois do hiato de dois anos provocado pela pandemia. Muita gente vai para rua com essa intenção, e não só para o eletrônico.
Música indiana vale também?
No carnaval de rua paulistano o Bloco Sinfônico mistura música erudita com ritmos do carnaval. Já o Beatloko é o primeiro dedicado ao rap. Há ainda o Bloco 77, de música punk, e até o Bloco Bollywood, idealizado pela comunidade indiana no Brasil, encabeçado por Shobhan Saxena e Florencia Costa.
"O bloco surgiu em 2016, com a intenção de trazer mais para perto do Brasil a cultura indiana, que tem tão pouco intercâmbio cultural aqui", conta a produtora audiovisual Juily Manghirmalani, uma das organizadoras do bloco.
A ideia de um carnaval indiano pode soar peculiar, mas não é tão distante assim. Segundo explica a produtora, na Índia já existe essa cultura de pessoas irem pra rua dançar e tocar instrumentos. Inclusive, o dhol é uma percussão muito parecida com os tambores brasileiros.
Na setlist do bloco há uma mistura de ritmos populares com músicas de Bollywood, nome dado à indústria cinematográfica indiana, que tem trilhas cativantes e dançantes.
"O bloco chama a atenção por ser tão diferente da cultura brasileira. As pessoas chegam no bloco querendo conhecer, se vestir e brincar com elementos da cultura indiana. É uma experiência muito única", conta Juily.
O bloco recebe foliões de diferentes idades, como a stage manager Luisa Cassab. Ela frequenta o Bollywood desde o primeiro ano, por ser um espaço legal para ir com crianças e devido à multiplicidade cultural do bloco.
"Eu me divirto muito! Ele tem um clima de carnaval, mas tem uma peculiaridade por ter esse jeito único. Acaba atraindo gente de todas as idades por causa desse chamariz. É uma festa muito democrática, onde todo mundo se mistura", explica. "Tem muitas famílias indianas, e isso acaba validando a proposta do bloco, já que pessoas dessa cultura estão juntas na brincadeira".
A organização do Bollywood costuma promover workshops abertos de dança indiana para que todos possam acompanhar a música. E, mesmo que você não saiba as danças típicas, pode aprender durante o desfile, já que as professoras também sobem no trio. A proposta é fazer todo mundo se divertir.
"Eu não sou uma pessoa que assiste a filmes de Bollywood, nem escuto as músicas no meu dia a dia, mas eu recomendo 100%. Todo mundo é bem vindo, o que importa é ser feliz e dançar junto", ressalta Luísa.
"A gente quer trazer uma experiência única para um carnaval tão maravilhoso quanto o de São Paulo", acrescenta Juily.
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