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Veto à carne brasileira na UE afeta bresaola da Valtellina, na Itália

Produtores buscam plano alternativo para adquirir matéria-prima

3 nov 2026 - 14h57
(atualizado às 15h21)
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Resumo
O embargo da União Europeia à carne brasileira, em vigor desde setembro por questões sanitárias, ameaça a produção da bresaola da Valtellina na Itália. O Brasil fornece 60% da matéria-prima do tradicional embutido, cuja produção local é insuficiente devido ao foco na pecuária leiteira. Com estoques para poucos meses e alta de 15% nos custos, produtores buscam fornecedores alternativos na América Latina, já que a transição para o gado italiano levará de três a cinco anos para suprir a demanda.

Produtores e associações ligadas à bresaola da Valtellina, embutido típico da província lombarda de Sondrio, no norte da Itália, buscam soluções para lidar com a suspensão das importações de carne do Brasil, uma das principais matérias-primas utilizadas na confecção do produto.

Bresaola da Valtellina é um produto com selo IGP
Bresaola da Valtellina é um produto com selo IGP
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

As informações são do portal Il Post, que informa que o embargo à carne brasileira pela União Europeia, em vigor desde o último 3 de setembro, tem preocupado o setor, já que um plano para ampliar o uso de carne bovina italiana no embutido poderia levar anos e, provavelmente, não seria suficiente para suprir a demanda total.

Nos últimos dias, um consórcio de proteção entre a Confederação Nacional de Produtores Diretos (Coldiretti) e a Filiera Agricola Italiana, rede de proteção, transformação e distribuição agrícola da Itália, deu aval a um acordo que visa obter 5 mil toneladas de carne por ano provenientes de 100 mil cabeças de gado italianas para a produção de bresaola. No entanto, o alcance dessa meta levará de três a cinco anos.

Em 2025, as 13 empresas que integram o consórcio produziram 11,9 mil toneladas de bresaola, com um valor de varejo de aproximadamente 502 milhões de euros.

Segundo Mario Moro, presidente do consórcio de proteção, o uso exclusivo de carne italiana é uma perspectiva viável apenas "a médio ou longo prazo".

"Na Itália, a pecuária se desenvolveu principalmente em torno da produção de leite, e não da disponibilidade de gado de corte", explicou Moro.

Dessa forma, o consórcio analisa a possibilidade de aumentar a importação de carne de outros países latino-americanos.

De acordo com Moro, a atual matéria-prima estocada à produção de bresaola deve durar ainda mais alguns meses.

Por outro lado, o mercado já registrou um aumento de 15% na carne destinada à fabricação do produto.

A bresaola é um embutido feito a partir da carne bovina salgada, temperada e maturada.

Já a bresaola da Valtellina possui a certificação Indicação Geográfica Protegida (IGP), o que significa que sua produção deva ocorrer obrigatoriamente na província de Sondrio, mas sua matéria-prima pode originária de qualquer lugar.

Segundo dados fornecidos pelo consórcio de proteção, mais de 80% da carne utilizada na produção da bresaola da Valtellina provém da América do Sul, sendo que 60% vem do Brasil.

O país foi barrado de exportar carne para a UE por "não cumprir os critérios sanitários " do bloco.

A proibição entrou em vigor no dia 3 de setembro e só será revogada quando Brasília garantir o alinhamento com os padrões europeus. 

Ansa - Brasil
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