Último refúgio de Pasolini é alvo de briga na Justiça
Abaixo-assinado mobilizou opinião a favor do atual proprietário da Torre de Chia
A Torre de Chia, último refúgio do cineasta Pier Paolo Pasolini no Lazio, é alvo de disputa jurídica entre o ator Gabrielle Gallinari e a Universidade Agrária de Chia, que reivindica a posse pública do local. Após investir quase 1,9 milhão de euros na compra e restauro do patrimônio cultural, Gallinari recorreu contra uma ordem de despejo imediato. O caso gerou um abaixo-assinado com 30 mil assinaturas, e o Tribunal Administrativo Regional deve decidir se o imóvel é público ou privado.
Quase 30 mil pessoas na Itália assinaram um abaixo-assinado que pede às autoridades que aguardem a decisão judicial definitiva sobre a Torre de Chia, no Lazio, último refúgio do cineasta, escritor e poeta Pier Paolo Pasolini, morto há 51 anos.
O imóvel é alvo de uma batalha entre o ator Gabrielle Gallinari, atual proprietário da torre e da residência anexa, e a Universidade Agrária de Chia, associação que administra terras de domínio público.
O abaixo-assinado apela à Justiça para que Gallinari não seja despejado da torre, após ter vencido o prazo de 30 dias para que ele desocupasse o complexo, que deveria passar para as mãos da universidade.
Mas o ator, que adquiriu a torre e a casa anexa de Graziella Chiarcossi, prima e herdeira de Pasolini, em 2020, não pretende abrir mão da propriedade, tendo entrado com um recurso no Tribunal Administrativo Regional (TAR), que está em análise.
A previsão é que a sentença do TAR seja publicada entre os dias 5 e 6 de novembro. O tribunal deve decidir se a torre de Pasolini e seu terreno integram um patrimônio público ou fazem parte de propriedade privada.
"Amanhã [4 de novembro], o TAR irá avaliar se concede uma suspensão liminar da ordem emitida pela Região do Lazio em 7 de setembro, que me deu um prazo de 30 dias para desocupar minha residência principal ? um imóvel que adquiri legalmente, restaurei e abri ao público", frisou Gallinari nesta terça-feira (3).
"Essa exigência é feita sem aguardar uma decisão judicial definitiva e sem qualquer compensação; pelo contrário, estou sendo, inclusive, penalizado por 'ocupação não autorizada'", acrescentou o ator.
Em entrevista ao Fanpage publicada nas últimas semanas, Gallinari revelou ter pagado 775 mil euros (R$ 4,7 milhões) pelo imóvel, além de ter investido cerca de 1,1 milhão de euros (R$ 6,7 milhões) em reforma e restauração.
Segundo ele, a obra no imóvel foi realizada sob a supervisão da superintendência local.
A Torre de Chia, construída no século 13 e tombada como patrimônio cultural italiano, foi reaberta a visitantes por meio de um acordo com o município de Soriano nel Cimino e, ao longo dos anos, abrigou eventos, atividades educativas, leituras e diversas iniciativas culturais.
Para Gallinari, a batalha que trava transcende seus interesses pessoais: "Diz respeito à proteção dos direitos de propriedade e ao direito a um julgamento justo ? ambos garantidos pela Constituição italiana ?, bem como à salvaguarda da legítima expectativa de um cidadão de confiar nas instituições públicas".
Nascido na província de Bolonha em 1922, Pasolini é tido como um dos maiores intelectuais da Itália no pós-Segunda Guerra. Na noite entre 1º e 2 de novembro de 1975, em uma praia em Ostia, ele foi assassinado, crime que ainda hoje não foi completamente esclarecido.
No entanto, na segunda-feira (2), o Ministério Público de Roma abriu um novo inquérito sobre o homicídio do artista. De acordo com o autor da ação, o advogado Stefano Maccioni, há evidências de que Giuseppe "Pino" Pelosi, o único condenado pela morte de Pasolini na época do crime, "não agiu sozinho".
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