Histórico ossuário de Nápoles reabrirá as portas em 18 de abril
Cemitério de Fontanelle abriga crânios de vítimas de epidemias e erupções
Ossos, crânios e segredos enterrados: após anos fechado ao público devido a problemas estruturais, o Cemitério de Fontanelle, em Nápoles, reabrirá suas portas em 18 de abril, devolvendo à cidade e aos turistas um lugar suspenso entre o mistério, a reverência e a memória.
"Foi um trabalho complexo, mas queríamos pôr fim ao ciclo constante de aberturas e fechamentos intermitentes. Agora estamos reabrindo-o definitivamente", disse o prefeito napolitano, Gaetano Manfredi.
A reforma do cemitério de 3 mil metros quadrados, situado em uma caverna de tufo vulcânico, é fruto de uma parceria público-privada que investiu mais de 800 mil euros (R$ 4,8 milhões) no projeto, sendo 640 mil por parte da Cooperativa La Paranza e outros 200 mil por parte da Prefeitura.
A reabertura também representa um sinal de redenção social para todo o bairro Sanità, cujos moradores protestaram contra o fechamento do cemitério, em abril de 2010. O local chegou a reabrir temporariamente, mas fechou definitivamente as portas em 2019.
"Há muita expectativa em torno desta reabertura", explicou o padre Giuseppe Rinaldi, capelão do cemitério. "Muitos moradores esperam que o bairro seja revitalizado com a presença de turistas", salientou.
Testemunho da tradição napolitana de "oração pelas almas do purgatório", o Fontanelle não é apenas um local de ossos e crânios meticulosamente organizados, mas uma imagem indelével da relação da cidade com o reino dos mortos.
Estima-se que mais de 40 mil restos mortais jazem no cemitério, vítimas não só da peste de 1656 e da epidemia de cólera de 1836, mas também da fome, de levantes populares, de terremotos e de erupções do Vesúvio.
A disposição ordenada e precisa dos ossos e crânios deve-se a dom Gaetano Barbati, que, juntamente com as mulheres da comunidade local, se encarregou de organizar o ossuário em 1872.
A partir de 18 de abril, o Fontanelle voltará a ser um ponto turístico, mas mantendo a sua função de local de culto, tradições e crenças, como a das "almas Pezzentelle", que consistia na adoção e cuidado de "capuzzelle" (crânios), em troca de proteção, com a esperança de que o falecido intercedesse pelo fiel no além.
Essa devoção aos crânios chegou a causar incômodo na Igreja Católica, que, no fim da década de 1960, ordenou o fechamento do cemitério por acreditar que a tradição havia se transformado em fetichismo. .