Convite de Sanremo a jornalista negra e árabe gera críticas
Maior competição musical da Itália acontece em fevereiro
A simples possibilidade de uma jornalista árabe e negra apresentar uma das noites do Festival de Sanremo, principal competição musical da Itália, virou motivo de polêmica no país, que já passou 2019 às voltas com casos de racismo no futebol.
O concurso acontece de 4 a 8 de fevereiro de 2020, na cidade de Sanremo. Segundo o site Dagospia, o diretor artístico do festival, Amadeus, se encontrou com Rula Jebreal, jornalista e escritora palestina naturalizada italiana, para convidá-la para apresentar uma das noites do evento.
Jebreal, 46 anos, teria se mostrado inclinada a aceitar a oferta, que gerou críticas nas redes sociais. "Parece que Rula Jebreal pode ser encarregada em Sanremo de nos explicar o quanto damos nojo. Se depois alguém reclamar nas redes sociais, se seguirão as acusações de racismo, sexismo e machismo. Até em 2020 já nos encheram o saco", escreveu no Twitter o jornalista e ex-deputado de direita Daniele Capezzone.
Já o professor Marco Gervasoni afirmou que o público deve esperar um festival "pró-clandestinos, pró-Islã, pró-LGBT e pró-barriga de aluguel". Perfis de extrema direita também difundiram uma hashtag pedindo um boicote ao Festival de Sanremo.
Jebreal nasceu em Haifa, Israel, filha de um imã de origem nigeriana, e se formou em fisioterapia na Universidade de Bolonha, com a ajuda de uma bolsa de estudos do governo italiano. Apesar da graduação na área da saúde, ela construiu carreira de jornalista e escritora no país europeu.