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Conheça a 'Piccola Itália' da Zona Norte de São Paulo

Espaço da Zini Alimentos tem restaurante, sorveteria e empório

22 jul 2020 13h56
| atualizado às 14h32
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São Paulo é reconhecida como a mais italiana das cidades fora da Itália e abriga uma gastronomia que deixaria orgulhosos aqueles que cruzaram o Atlântico nos séculos 19 e 20 para buscar uma vida melhor no Brasil.

Ambiente do espaço Piazza Zini, situado no bairro do Limão, em São Paulo
Ambiente do espaço Piazza Zini, situado no bairro do Limão, em São Paulo
Foto: Divulgação / Ansa - Brasil

No entanto, mesmo em uma metrópole com uma presença italiana tão marcante, é possível ainda descobrir lugares fora das rotas mais turísticas e que simbolizam como poucos essa ligação que une os dois países há mais de 100 anos.

O bairro do Limão, na zona norte de São Paulo, abriga entre seus galpões industriais um espaço tipicamente italiano e que reúne restaurante, sorveteria, empório, horta orgânica, exposição de veículos italianos e até um pequeno museu gastronômico, todos ligados à fábrica da Zini Alimentos.

De origem milanesa, a empresa está no Brasil desde 1992 e produz massas frescas (como nhoques e lasanhas), polentas, farinhas para empanar, fibras de trigo e molhos, sempre usando tecnologia italiana.

Seus produtos são voltados especialmente para o setor de food service (restaurantes, bares, lanchonetes e cozinhas de grande escala), mas a indústria mantém um espaço chamado "Piccola Italia" para estreitar o contato com o público final e mostrar na prática como seus produtos podem ser aplicados.

"Nós queremos fazer produtos de origem antiga, mas interpretados de forma moderna, com uma tecnologia muito desenvolvida e que os torne interessantes dentro do critério alimentício de hoje", explica o fundador e proprietário da Zini Alimentos no Brasil, Enrico Vezzani.

Milão-São Paulo

A família Zini, sobrenome da mãe de Vezzani, é natural de Parma, meca da gastronomia na Itália, e se mudou para Milão em 1956. Com a necessidade de sobreviver nas dificuldades do pós-guerra, a matriarca começou a produzir cappelletti caseiros para restaurantes, lanchonetes, padarias e outros negócios.

Em meio ao sucesso da empreitada, o pai de Vezzani, que era mecânico, começou a criar equipamentos para automatizar a produção, que continuou crescendo. Hoje a Zini é uma das maiores fábricas de massa congelada da Itália e exporta mais de 80% de sua produção, mas a chegada ao Brasil se deu pelo braço do grupo dedicado a equipamentos e tecnologias para a transformação de matérias-primas, a Vomm.

"Éramos dois irmãos, e meu pai, que era um cara inteligente, deu um conselho: para não brigar, cada um vai para um lugar diferente", diz Vezzani, que veio ao "melhor país do mundo", segundo suas próprias palavras, enquanto seu irmão cuida das indústrias na Itália.

A Zini Alimentos surgiria apenas em 1992, usando tecnologia italiana, mas adaptada à realidade brasileira. Enquanto a indústria na Itália se especializou em congelados, a opção da filial brasileira foi por uma fábrica voltada a itens conserváveis em temperatura ambiente.

"A linha de distribuição de produtos congelados é muito onerosa, complicada", explica Vezzani. A principal linha é a Zini Flours, que inclui o carro-chefe da companhia: a farinha de rosca Fioccopan, que reduz a absorção de óleo em empanados em até 80%, com ganhos em saúde, economia e facilidade de uso.

Piazza Zini

A Zini mantinha uma sala de testes para experimentar seus produtos diretamente com o público final, mas as pessoas que participavam das provas frequentemente queriam voltar para comer mais.

"Aí começamos a abrir um pequeno canto da empresa para fazer um pequeno restaurante para esse tipo de pessoa. Isso começou mais ou menos sete ou oito anos atrás, mas aí demos conta de que poderia vir a ser um negócio. Os clientes que entravam eram uma espécie de avaliador pagante, que é o melhor avaliador, porque ele é mais crítico. É uma excelente forma de verificar se a ideia é válida", explica Vezzani.

Hoje o Empório e Restaurante Piazza Zini, com decoração que exala italianidade, é uma atividade com vida própria e apresenta, na prática, as possibilidades de aplicação dos produtos da casa, como os empanados com a farinha de rosca Fioccopan, pizzas com a farinha de trigo instantânea integral Frollazin ou almôndegas feitas com uma mistura de carne e a fibra de trigo Fibrazin, que as deixa mais saudáveis.

No mesmo espaço, a Zini conta com um empório no qual vende uma variedades de produtos diretamente ao público final; uma espécie de museu sobre a história da alimentação italiana, incluindo máquinas antigas para produzir macarrão; e uma área com exposição de Vespas restauradas, uma réplica do Alfa Romeo 166 do corpo policial dos Carabineiros e itens militares, como uma farda usada pelo próprio Vezzani em seu serviço nas Forças Armadas da Itália.

O último artigo da coleção é o recém-chegado cavalo mecânico Alfa Romeo/FNM D9500, de 1955, primeira remessa de caminhões da fábrica Alfa Romeo (Arese) para o Brasil, exemplar único com carroceria em alumínio rebitado, totalmente restaurado e em condições de uso.

"Tudo que está aqui dentro é coisa italiana antiga recolhida em São Paulo ou trazida quando vou para a Itália. Vou naquelas feiras antigas, recolho um monte de objetos e decoro todo o ambiente como se fosse um canto da Itália", diz Vezzani.

Essa "Piccola Italia" em plena Zona Norte de SP pode ser visitada gratuitamente. "Se a pessoa, como em todo museu na Itália, quer comer alguma coisa, come, mas se não quiser gastar nada, tudo bem também", ressalta o fundador da Zini Alimentos no Brasil.

Ansa - Brasil   
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