COLUNA | Será mesmo que todo mundo precisa virar influenciador para se destacar no mercado?
Será que a sina do mundo contemporâneo é a de que todo mundo que queira se destacar profissionalmente precise também se expor nas redes?
Por mais disruptiva que seja a internet, ela também acabou criando algumas situações que tornaram diversas pessoas dependentes de um ecossistema único. E isso, com certeza, pode ser visto como um paradoxo ao melhor estilo do escritor inglês G.K. Chesterton.
Uma das dependências mais brutais que existem no mundo atual é a de que todo profissional, independentemente da área, acaba precisando se render ao marketing digital e à criação de conteúdo para se manter ou se tornar relevante.
Talvez isso seja só mais uma das verdades mais duras que a internet revelou sobre a natureza humana e o mundo. Isto é: essa pequena-grande vitrine que temos na palma da mão neste exato momento está mostrando que existe uma única profissão no mundo: a de vendedor. Quem não sabe se vender acaba ficando para trás, mesmo que tenha um produto ou serviço superior ao do concorrente.
Porém, esse "se vender", na lógica do algoritmo e das redes sociais, é justamente a criação de conteúdo. Em outras palavras, não importa em qual área você trabalhe, acaba ficando à mercê da pressão do mercado para virar um blogueirinho ou influenciador, em alguma medida. Caso não tenha uma profissão prévia, a própria criação de conteúdo para redes sociais pode vir a se tornar uma. Tudo isso trouxe oportunidades de trabalho para novas e antigas gerações e revelou grandes talentos da comunicação e do entretenimento no mundo inteiro.
Mas a pergunta que ninguém faz é: e quanto àquelas pessoas que não têm talento ou vontade de se submeter à criação de conteúdo, mas que são excelentes profissionais em suas áreas? Será que a sina do mundo contemporâneo é a de que todo mundo que queira se destacar profissionalmente precise também se expor nas redes?
Antes, um bom médico era conhecido por seus pacientes. Um bom advogado era conhecido por seus processos. Um bom professor, por seus alunos. Só que, atualmente, um "bom profissional" precisa também ser um influencer — ou apenas isso.
Sei que é uma questão incômoda, mas ela também é honesta, pois já pensei muito sobre isso e não sei qual é a resposta. E quem sabe nem mesmo exista uma, e as coisas apenas sejam como são.
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