Script = https://s1.trrsf.com/update-1781903735/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Nova Zelândia: Copa do Mundo de Cinema

No cinema, a Nova Zelândia é conhecida sobretudo por suas paisagens naturais exuberantes presentes em filmes famosos, a exemplo da trilogia O Senhor dos Anéis e da franquia As Crônicas de Nárnia

6 jul 2026 - 09h01
Compartilhar
Exibir comentários

Por Tem Que Ver*

Foto: Porto Alegre 24 horas

Com o aumento de 32 para 48 seleções na Copa do Mundo, a FIFA concedeu à Confederação de Futebol da Oceania (OFC) uma vaga direta para o torneio. Com isso, a Nova Zelândia, que disputou apenas a sua terceira Copa na história, deve tornar-se um país com presença recorrente, já que as demais nações do continente são muito menos desenvolvidas em termos futebolísticos.

Estreante em 1982, na Itália, e com uma participação honrosa na África do Sul, em 2010, quando foi eliminada invicta - três empates - ainda na fase de grupos, a Nova Zelândia conquistou um ponto na Copa disputada na América do Norte. Coube ao inglês Darren Bazeley comandar os All Whites durante o ciclo preparatório para 2026, e fazer com que conquistassem a vaga após vencer cinco vezes nas Eliminatórias da Oceania, em partidas fáceis contra Taiti, Vanuatu, Samoa, Fiji e Nova Caledônia.

No cinema, a Nova Zelândia é conhecida sobretudo por suas paisagens naturais exuberantes presentes em filmes famosos, a exemplo da trilogia O Senhor dos Anéis e da franquia As Crônicas de Nárnia. Mas o cinema propriamente neozelandês possui uma longa história, mesmo estando o país situado tão longe de onde tudo começou, a Europa. A primeira exibição de um filme ocorreu em 1896, e a primeira produção local foi um curta documental lançado em 1900, The Departure of the Second Contingent for the Boer War, dirigido por Alfred Henry Whitehouse. Por sua vez, um longa-metragem neozelandês, Hinemoa, viria a público apenas em 1914.

Apesar de sempre existir e resistir, somente nos anos 1970 o cinema da Nova Zelândia começaria a desabrochar e atrair um público significativo. Coincidentemente, nessa época, mais precisamente em 1978, houve a criação da Comissão de Cinema da Nova Zelândia, órgão estatal responsável por incentivar e apoiar a produção, promoção, distribuição e exibição de obras cinematográficas. A maioria dos filmes neozelandeses é produzida por cineastas independentes, geralmente com baixo orçamento e financiamento público.

Embora pudéssemos trazer para a Copa do Mundo de Cinema filmes de cineastas consagrados nascidos na Nova Zelândia, tais como Peter Jackson e Jane Campion, o TemQueVer e o Cine Mulholland resolveram escolher um longa-metragem já considerado um cult, mas ainda pouco conhecido para além da bolha cinéfila. O Que Fazemos nas Sombras, codireção de Taika Waititi e Jemaine Clement, é um terrir (uma mistura de terror com comédia) de roteiro brilhante. O longa transplanta para a capital neozelandesa, Wellington, o contexto do terror gótico europeu - o mito do vampiro -, transformando figuras imortais em cidadãos comuns que precisam lidar com as trivialidades da vida cotidiana e a mediocridade urbana contemporânea.

O Que Fazemos nas Sombras utiliza o formato de mockumentary (falso documentário) não apenas como muleta cômica, mas como uma ferramenta estética de desmistificação. Ao colocar a câmera instável, os depoimentos diretos e os zooms de desconforto a serviço de criaturas seculares, o longa esvazia o formato clássico do terror ao focar no atrito da convivência entre suas personagens. Por exemplo, a discussão sobre quem vai lavar a louça acumulada há cinco séculos humaniza o monstro e ironiza a própria condição humana. O filme não apenas colocou o nome de Taika Wiatiti em evidência no cenário cinematográfico global, mas provou que o cinema independente da Nova Zelândia possuía uma assinatura tonal exportável e altamente rentável, sem precisar abrir mão de suas idiossincrasias.

*Texto originalmente publicado no portal Tem Que Ver Cinema

Porto Alegre 24 horas
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra