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Além das palestras: negros e periféricos foram à Expo Favela

Evento promovido pela Cufa e Favela Holding reuniu mais de 30 mil pessoas em São Paulo e a participação de nomes como KondZilla

21 abr 2022 05h00
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Expo Favela reuniu cerca de 11 mil pessoas por dia em São Paulo
Expo Favela reuniu cerca de 11 mil pessoas por dia em São Paulo
Foto: Mateus Fernandes/Agência Mural

Com a proposta de “conectar a favela com o asfalto” em pleno feriado de Páscoa, a Expo Favela fez com que os corredores de um dos mais importantes centros empresariais de São Paulo, o WTC (World Trade Center), na zona sul, ficassem lotados de pessoas negras, periféricas e com vontade de empreender.

É o caso dos amigos Breno dos Santos e Cauã Azevedo, ambos com 17 anos e moradores de Carapicuíba, na região oeste da Grande São Paulo.

“A gente teve um grande contraste de educação e realidade. Estar em um local desse, numa parte de São Paulo que a gente nunca foi e ter acesso a conteúdos que a gente nunca ouviu falar, está sendo muito importante”, conta Azevedo.

Breno (à esq.) e Cauã (à dir.) se sentiram representados pelas pessoas negras na Expo Favela
Breno (à esq.) e Cauã (à dir.) se sentiram representados pelas pessoas negras na Expo Favela
Foto: Cleberson Santos/Agência Mural

Os dois garotos passaram o começo da tarde do domingo (17) – o terceiro e último dia da Expo – assistindo a uma mentoria feita por profissionais da área de inovação da empresa Ambev. Entre as cerca de 20 pessoas na sala, eles se colocaram entre as que querem empreender futuramente.

“Está sendo um espaço visionário e muito inovador para nós. A troca que a gente está conseguindo ter com os mentores é bastante importante para a nossa formação nesse quesito de empreendedorismo”, diz Santos, que pretende seguir no ramo de arquitetura após o ensino médio.

O amigo, por sua vez, quer ir para o mercado de tecnologia. “Quero ter minha própria empresa de tech, quem sabe uma big tech, seja prestando um serviço, vendendo um produto ou algo mais para a comunidade, com ela fazendo parte do meu produto. Quero que as pessoas, meus clientes, sejam parte do produto também”, conta Azevedo.

“Todas as exposições, palestras e startups trazem uma grande representatividade tanto para mim quanto para ele, de ver pessoas iguaizinhas a nós em posições de poder, em cima do palco, olhando para a gente”, diz o jovem.

Segundo a organização, a Expo Favela contou com um público aproximado de 33 mil pessoas, uma média de 11 mil por dia. Além dos visitantes, cerca de 300 empreendedores periféricos de todo o Brasil estiveram presentes na feira de negócios.

Palestra com o produtor KondZilla foi uma das mais aguardadas do evento
Palestra com o produtor KondZilla foi uma das mais aguardadas do evento
Foto: Mateus Fernandes/Agência Mural

A modelo Raiana da Silva, 21, foi ao WTC somente no domingo à tarde e deu de cara com os corredores já um pouco esvaziados, com o evento se encaminhando para o fim. Mesmo assim, num passeio despretensioso, conseguiu fazer importantes contatos profissionais com expositores.

“Como sou modelo, vi algumas marcas que me interessam para trabalhar”, diz. Ela é natural de Salvador, na Bahia, e mora em São Paulo há nove meses.

“Achei muito importante essa feira, me identifiquei demais. Ouvi um pouco da palestra sobre mulheres empreendedoras, elas falando sobre representatividade, mulheres pretas, faveladas. Amei demais, me senti muito representada”, conta.

As palestras foram as grandes atrações da Expo Favela durante todo o fim de semana dos dias 15, 16 e 17 de abril. No domingo, uma das falas mais esperadas era a do empresário e produtor Konrad Dantas, o KondZilla.

Ana Caroline dos Santos, 24, veio do Rio de Janeiro exclusivamente para participar do evento e ficou mais de uma hora na fila do auditório para ver o responsável por um dos maiores canais do YouTube no mundo.

“Dei minha cara a tapa entendendo que seria uma oportunidade de networking muito forte. Vim nessa expectativa”, conta. Ana é do Complexo do Chapadão, na zona norte do Rio, e é responsável por uma ONG chamada Educar Mais, voltada para cultura, educação e tecnologia.

Responsável pela ONG Educar Mais, Ana Caroline conheceu KondZilla no último dia do evento
Responsável pela ONG Educar Mais, Ana Caroline conheceu KondZilla no último dia do evento
Foto: Arquivo pessoal

“A gente atende mais de 80 crianças e adolescentes com atividades em contraturno. Estou aqui para conhecer as pessoas, ver o que a galera está pensando da favela”, explica. “Estou aqui no meu direito de favelada para entender como funciona a dinâmica e também me conectar com pessoas, sejam elas famosas ou não”.

E pelo que a própria Ana conta, ela voltará ao Complexo do Chapadão com a sensação de missão cumprida: “Estou saindo daqui com mais que conexões, [com a oportunidade] de entender o que um investidor pensa, o que ele procura. Tem muita coisa do setor privado, da parte de negócios, que posso adaptar para o terceiro setor e ser uma ferramenta de estruturação e de impacto”.

Agência Mural
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