Por que o filósofo Sêneca estava completamente errado quando disse: "a raiva é a mais sombria das paixões, uma breve loucura"?
A ciência demonstrou que, em certos contextos, canalizar a raiva pode ser benéfico
Sêneca não gostava de pessoas irritadas. Quase todos nós concordamos com ele nesse ponto. O filósofo hispânico, no entanto, estava tão indignado com as pessoas raivosas (a ironia não falta) que, há cerca de vinte séculos, dedicou-lhes um tratado inteiro ("Sobre a Ira"), obra na qual reflete sobre o que é a raiva, suas causas, efeitos, natureza, se é ou não controlável e como devemos agir quando sentimos que estamos começando a hiperventilar e todo tipo de palavrão nos invade a garganta.
O problema é que Sêneca não estava totalmente certo.
"Sombria e desenfreada"
A obra de Sêneca não deixa muito espaço para interpretações. Intitulada "Sobre a Ira", ao longo de seus três volumes, o autor se dedica a nos falar sobre o que é a raiva, de onde ela vem e, sobretudo, como agir diante dela. Suas palavras se conectam com a melhor tradição estoica ao nos aconselhar a fugir da escravidão dos impulsos e a adotar uma atitude serena e reflexiva.
"Você me pediu, caro noviço, que eu lhe escrevesse sobre como controlar a raiva. E creio que, não sem razão, você teme principalmente esta paixão, que é a mais sombria e desenfreada de todas", começa Sêneca no primeiro capítulo de seu tratado, dirigido a seu irmão. "As outras, sem dúvida, têm algo de calmo e plácido, mas esta é pura agitação, obstinação no ressentimento, sede de guerra, de sangue, de torturas, explosão de fúria sobre-humana."
Uma forma de loucura?
Ao longo das páginas seguintes ele se aprofunda na explicação da insensatez da raiva. O ...
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