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Os planos da Amazon e da Apple para inteligência artificial — e as dificuldades financeiras que eles causam

Bilhões de dólares estão sendo investidos em uma nova onda de tecnologia de IA. Mas será que isso trará retorno?

31 jul 2026 - 17h12
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Mark Zuckerberg em 2025 demonstrando uma versão não lançada de seus óculos inteligentes alimentados por IA
Mark Zuckerberg em 2025 demonstrando uma versão não lançada de seus óculos inteligentes alimentados por IA
Foto: Reuters / BBC News Brasil

As maiores empresas de tecnologia do mundo — incluindo Microsoft, Meta, Google, Apple e Amazon — atualizaram Wall Street nesta semana sobre suas finanças.

Um ponto em comum surgiu: todas planejam continuar investindo quantias enormes de dinheiro em inteligência artificial (IA).

A reação dos investidores foi a de que precisam ver resultados mais tangíveis que justifiquem o investimento de US$ 1 trilhão (R$ 5,07 trilhões) — e em crescimento — em áreas como chips de computador, centros de dados e até mesmo equipes técnicas. Isso provocou uma grande volatilidade nas ações de algumas dessas empresas nos últimos dias.

Embora cada uma atue em setores diferentes, seus gastos e planos relacionados à IA revelaram que elas também têm outros pontos em comum.

1. Ferramentas de IA e chatbots ainda não geram muito lucro

O lançamento do ChatGPT pela OpenAI no final de 2022 desencadeou a atual corrida de investimentos em IA, e todas as grandes empresas de tecnologia lançaram, desde então, seus próprios chatbots de IA voltados ao consumidor. A Meta tem o Meta AI, o Google tem o Gemini, a Amazon tem o Rufus, e a Apple até relançou a Siri.

No entanto, nenhum dos chatbots ou ferramentas relacionadas gera, por si só, uma receita significativa para as empresas, apesar dos altos custos de desenvolvimento.

Em vez disso, a recente divulgação de resultados financeiros deixou claro que empresas como o Google (controlado pela Alphabet) e a Meta estão gastando muito mais com ferramentas de IA do que arrecadando com elas.

Ambas as empresas registraram alguns dos níveis mais baixos de fluxo de caixa livre de suas histórias — uma métrica que indica quanto dinheiro sobra para o negócio após o pagamento de despesas operacionais e investimentos.

O Google gastou tanto com IA que o fluxo de caixa livre da Alphabet ficou negativo, mesmo com uma receita de US$ 118 bilhões; ou seja, a empresa gastou mais do que arrecadou, algo inédito em sua trajetória como companhia de capital aberto.

O fluxo de caixa livre da Meta foi de apenas US$ 784 milhões sobre uma receita de US$ 61 bilhões, o que significa que a empresa gastou quase tanto quanto faturou durante o trimestre.

A divisão Reality Labs da Meta, responsável pelas iniciativas de IA da companhia, registrou um prejuízo de quase US$ 9 bilhões no primeiro semestre deste ano.

Líderes das empresas de tecnologia Meta, Amazon e Google divulgaram seus resultados financeiros trimestrais nos últimos dias
Líderes das empresas de tecnologia Meta, Amazon e Google divulgaram seus resultados financeiros trimestrais nos últimos dias
Foto: Reuters / BBC News Brasil

2. Wall Street quer resultados, não mais ideias

Basta observar a reação de Wall Street aos resultados trimestrais da Meta para perceber que os investidores não se contentam mais com as afirmações dos executivos de que os investimentos em IA acabarão valendo a pena em algum momento incerto no futuro.

As ações da gigante das redes sociais despencaram para o seu segundo nível mais baixo em um ano depois que o CEO Mark Zuckerberg afirmou que a Meta estava trabalhando em seu próprio agente de IA — um chatbot capaz de operar com certo grau de autonomia — e que planejava desenvolver uma operação para vender uma ferramenta de IA diretamente a outras empresas.

Nem a operação nem a ferramenta de IA existem atualmente de uma forma que possa gerar lucro para a Meta, e Zuckerberg não forneceu um cronograma para quando elas se concretizariam. Ainda assim, a Meta elevou o piso de seus gastos planejados com IA; é provável que a empresa invista mais de US$ 140 bilhões em IA somente neste ano.

Enquanto isso, as ações da Microsoft dispararam, atingindo o maior patamar em seis meses. Apesar de a empresa planejar igualar, neste ano fiscal, os US$ 190 bilhões gastos com IA nos últimos 12 meses, ela apresentou um forte crescimento de receita e uma maior adoção de sua principal ferramenta de IA.

Tracy Woo, analista da Forrester, afirmou que a Microsoft é uma empresa de tecnologia que demonstra que seus enormes investimentos em IA estão "começando a gerar retorno".

A reação do mercado em relação à Amazon foi praticamente idêntica. Apesar do fluxo de caixa negativo e dos planos de investir US$ 220 bilhões em IA este ano, o sucesso de seus outros negócios impulsionou suas ações para o preço mais alto em dois meses.

Trabalhadores do Google em Londres protestando contra uma demissão em massa
Trabalhadores do Google em Londres protestando contra uma demissão em massa
Foto: Reuters / BBC News Brasil

3. Ainda há uma enorme demanda por novas tecnologias

As ferramentas de IA talvez ainda não tenham se provado uma revolução tecnológica para o consumidor na mesma escala da internet ou até mesmo da eletricidade, como muitos executivos de tecnologia vêm prometendo há anos. No entanto, ainda existe uma enorme demanda das pessoas por novas tecnologias.

O Google informou na semana passada que 950 milhões de pessoas utilizam seu chatbot Gemini pelo menos uma vez por mês — um número três vezes maior do que o de usuários registrado há um ano.

Na quinta-feira, a Apple anunciou que as novas versões de seus principais produtos — o computador Mac, o iPhone e o iPad — estão apresentando um desempenho de vendas superior ao planejado ou esperado pela empresa.

Tanto é que a companhia alertou os investidores de que as vendas desses produtos deverão desacelerar, uma vez que a Apple não consegue obter a quantidade necessária de microchips para atender à demanda dos consumidores.

Por outro lado, a empresa prevê grande entusiasmo por parte dos usuários em relação à iminente atualização da Siri — sua assistente de voz com IA integrada aos produtos —, que passará por uma reformulação com o auxílio do chatbot Gemini, do Google.

O CEO Tim Cook afirmou que a Apple já planeja cobrar dos usuários que desejarem fazer um uso mais intensivo da nova Siri, com base no feedback obtido nos testes realizados até o momento.

"Estamos extremamente entusiasmados com a Siri com IA", disse Cook. "Acreditamos que haverá pessoas querendo usá-la — e muitas."

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