Nem ouro, nem esmeraldas: a verdadeira razão pela qual quase nenhum país tem a cor roxa na bandeira tem a ver com dinheiro
Durante séculos, o pigmento era tão caro e trabalhoso de produzir que ficou restrito a reis e imperadores
Hoje, o roxo é uma cor muito comum na moda, na publicidade e no cotidiano. Apesar disso, o tom praticamente desaparece quando o assunto são bandeiras nacionais. Entre os países do mundo, apenas Dominica, Nicarágua e El Salvador entram na lista de bandeiras que possuem roxo em seus elementos oficiais — e, mesmo assim, a cor aparece de maneiras bastante discretas.
A explicação para essa raridade não está em alguma regra sobre símbolos nacionais nem em uma preferência estética. Durante séculos, produzir um pigmento roxo era uma tarefa tão difícil e cara que a cor acabou associada à riqueza e à realeza.
Roxo já foi um dos pigmentos mais caros do mundo
Muito antes de existirem corantes produzidos industrialmente, uma das formas mais famosas de obter um roxo intenso era por meio da chamada púrpura tíria, produzida na região da antiga cidade de Tiro, na Fenícia, atual Líbano.
O pigmento era extraído de moluscos marinhos do gênero Bolinus e de espécies relacionadas. O processo era extremamente trabalhoso: era necessário coletar grandes quantidades desses animais, extrair suas secreções e submetê-las a uma série de etapas até obter o pigmento utilizado para tingir tecidos.
A dificuldade de produção fez com que a púrpura se tornasse um produto de luxo e um símbolo de poder. A cor passou a representar riqueza, autoridade e status porque poucas pessoas tinham condições de utilizá-la.
A associação foi tão forte que, em diferentes períodos da Antiguidade e da Idade Média, tecidos tingidos ...
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