Nem drones, nem caças, nem soldados de elite: os EUA entraram na Venezuela disfarçando uma tática do século XIX como tecnologia
O ataque à Venezuela não representa uma inovação doutrinária, mas um retorno a uma velha forma de exercer o poder, disfarçada com tecnologia do século XXI.
Muito antes de centenas de aeronaves, mísseis, drones e forças especiais entrarem em cena, os Estados Unidos já haviam começado a fazer movimentos por toda a América Latina e Caribe. Enquanto a atenção internacional se concentrava na Venezuela, Washington rapidamente forjava uma rede de acordos militares com o Paraguai, Equador, Peru, Trinidad e Tobago e outros países da região, ampliando o acesso a aeroportos, enviando tropas "temporárias" e autorizando operações armadas sob o pretexto de uma renovada "guerra contra as drogas".
Essa tática, na verdade, teve origem no século XIX.
Uma escalada anunciada
Já havíamos relatado isso antes do final do ano passado: o momento e a magnitude desses acordos não passaram despercebidos pelos analistas, que os interpretaram como a criação deliberada de uma infraestrutura logística regional capaz de sustentar uma operação militar prolongada contra Caracas.
Por trás de uma retórica que misturava narcotráfico, segurança hemisférica e estabilidade regional, o verdadeiro objetivo parecia muito mais clássico: cercar a Venezuela, isolá-la diplomaticamente e deixar claro que o poderio militar dos EUA não só estava disposto, como também fisicamente preparado para intervir. Nesse contexto, os alertas de Caracas aos seus vizinhos e a crescente inquietação nas capitais latino-americanas refletiam um sentimento familiar: o de se tornar, mais uma vez, o "quintal" de uma potência que não...
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