NYT: Manter viajantes em casa pode ser rentável para hotéis
"Se não é possível vencê-los, junte-se a eles", talvez essa seja a máxima para explicar por que agências de viagem estão entrando no mercado de teleconferências e reuniões virtuais e ajudando clientes a evitar voos para outras partes do mundo.
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Duas das maiores redes de hotéis do mundo, Starwood Hotels and Resorts e Marriott International, estão equipando algumas de suas salas de reunião com instalações de telepresença, um sistema de ponta que é um avanço em relação à tecnologia típica de videoconferência. Seu objetivo é alugar as salas para clientes que já estão adotando as alternativas virtuais à viagem, mas que não possuem instalações de telepresença em todos os lugares que gostariam.
"Grandes companhias multinacionais têm essa tecnologia em suas sedes corporativas", disse David Townshend, vice-presidente sênior de vendas da rede Marriott. "Mas ela é cara, por isso eles recorreram à Marriott e outros prestadores de serviço para realmente estender sua presença em outras regiões."
A tecnologia de telepresença já existe há vários anos, mas analistas dizem que o modelo de negócio para salas públicas, que podem ser alugadas por cerca de US$ 500 por hora, está convergindo com orçamentos de viagem apertados e criando um estímulo maior para as companhias experimentarem a telepresença. A tecnologia em si também melhorou, eliminando os atrasos que podem tornar a experiência típica de videoconferência constrangedora.
As instalações de telepresença têm a intenção de fazer os participantes se sentirem como se estivessem se encontrando ao vivo: quando você entra na sala, existe meia mesa de conferência voltada para telas de alta definição com imagens de tamanho real das pessoas sentadas em salas similares em outra parte do mundo.
Para aprimorar a sensação de estar na mesma sala, a outra parte da mesa aparece na tela, os olhos dos participantes ficam no mesmo nível e as paredes são pintadas da mesma cor.
"Com a telepresença, você realmente sente que pode olhar as pessoas nos olhos e ter uma verdadeira percepção de como elas são", disse Richard Redelfs, sócio geral da Foundation Capital, uma firma de capital de risco de Menlo Park, Califórnia, que aluga as instalações da vizinha Cisco Systems para se encontrar virtualmente com empreendedores da Índia.
"Sou alguém que gosta de pessoas e essa é a natureza dos negócios de risco, por isso estava um pouco cético a respeito da experiência¿, Redelfs disse. "Mas é incrível. Não há atraso no sistema - quando você diz algo, consegue uma resposta imediata. Psicologicamente, você realmente começa a se comportar como se estivesse em pessoa."
Embora a companhia não use a telepresença com frequência suficiente para comprar sua própria instalação, que pode custar US$ 200 mil, além de cobranças por serviços de rede e suporte, alugar uma mostrou ser uma maneira eficiente e econômica para todos os nove sócios avaliarem as startups distantes antes de decidir fazer um investimento. (Alguns sócios ainda viajam para reuniões em pessoa antes de assinarem o cheque.)
Esse é exatamente o tipo de negócio que Starwood e Marriott estão tentando atrair, além da receita vinda de consumidores que viajam para centros metropolitanos e usam as instalações de telepresença em entrevistas de recrutamento, depoimentos jurídicos e outras reuniões pequenas.
"Existe uma oportunidade de não apenas receber uma reunião, mas também hospedar pessoas que viajam para esses centros", disse Mary Casey, vice-presidente da Starwood, que planeja ter pelo menos duas instalações de telepresença abertas até o final do ano, com mais previstas para 2010.
Os pontos de telepresença em desenvolvimento da Starwood incluem hotéis em Nova York, Sidney, Toronto, Los Angeles e Chicago, enquanto a Marriott planeja abrir sua primeira instalação de telepresença no New York Marriott East Side em dezembro e posteriormente em hotéis de São Francisco e Bethesda, Maryland.
Ambas as redes hoteleiras estão trabalhado com a Cisco, líder na tecnologia de telepresença, com cerca de 3,1 mil instalações montadas para consumidores de todo o mundo.
Existem também outros fornecedores, entre eles Polycom, Teliris, Hewlett-Packard e Tandberg (que a Cisco pretende adquirir). E um dos desafios tem sido o de interligar a tecnologia desses vários sistemas e fazer os provedores de rede interagirem entre si. A Cisco, por exemplo, trabalha com a Tata Communications nas salas da Starwood e do hotel Taj Boston e com a AT&T nos hotéis Marriott. "Precisamos possibilitar que todas essas várias redes se interliguem", disse Scott Morrison, vice-presidente da companhia de pesquisa tecnológica Gartner Inc. "Isso vai ajudar a aumentar a demanda por essas salas."
Os fornecedores da telepresença também estão tentando expandir o número de instalações introduzindo mais salas para serem alugadas pelo público.
"O valor aumenta toda vez que alguém se conecta", disse David Hsieh, vice-presidente de marketing da Cisco, que espera ter 50 novas instalações públicas até o começo do ano que vem.
Na verdade, algumas companhias que possuem a tecnologia estão incorporando a telepresença em seus sistemas de reservas de viagem, Morrison disse, para que os funcionários a considerem em vez de fazer uma viagem.
Aproveitando essa tendência, agências de viagem como American Express e Carlson Wagonlit Travel planejam assessorar clientes na decisão sobre o uso de uma instalação de telepresença e também na reserva de salas. A estratégia tem a intenção de expandir, não enfraquecer, seu negócio central de reserva de viagens.
"A viagem tem a intenção de conectar as pessoas umas às outras e tradicionalmente isso significa colocá-las em aviões, trens e automóveis, mas a recessão mudou esse ambiente consideravelmente", disse Alicia Tillman, vice-presidente da American Express.
"Oferecer a telepresença como uma opção diferente para conectar as pessoas é um método que esperamos plenamente que nossos clientes corporativos adotem e abracem."
Tradução: Amy Traduções