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Internet

Novos sites e leitores renovam a crítica de cinema

20 jun 2009 - 15h01
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Eles sofreram cortes de salários, demissões e a tendência de Hollywood a desconsiderá-los sempre que um dos filmes que resenham de maneira negativa se prova um sucesso de bilheteria.

» Site de resenhas gera protestos nos Estados Unidos

Mas os críticos de cinema dos Estados Unidos, uma turma ranzinza, não admitem derrota. Na verdade, a profissão vem mostrando sinais de vida nova recentemente - ainda que não da espécie que seja considerada como inteiramente confortável pelos estudiosos mais dedicados do cinema.

Há algumas semanas, entrou em operação o site Moviereviewintelligence.com, cuja missão é monitorar, avaliar e difundir o trabalho de 65 críticos de cinema, de veículos de mídia impressa e eletrônica.

Criado por David Gross, antigo executivo de marketing do estúdio 20th Century Fox, o site noticioso oferece gráficos e tabelas que acompanham o que as resenhas têm de melhor e pior.

Os números avaliam questões detalhadas como o prazo médio entre a estréia do filme e a publicação de uma crítica (1,4 horas, no caso de Land of the Lost) e a produtividade de críticos individuais (Leah Rozen, da revista People, costuma escrever em média 2,6 críticas por semana, com extensão média de 119 palavras).

O Movie Review Intelligence vem se unir ao Rotten Tomatoes e ao Metacritic.com, uma dupla de sites que há anos compilam e avaliam as resenhas de filmes - e que vêm também ampliando suas atividades recentemente.

O Rotten Tomatoes, que recebe cerca de quatro milhões de visitantes ao mês, de acordo com as análises de audiência da web da comScore, agora usa o Twitter para atrair interesse pela flutuação nas classificações que os filmes recebem em seu Tomatometer, um sistema de avaliação que se baseia em contribuições de centenas de críticos de mídia tradicional e online. "É como um placar esportivo", disse Shannon Ludovissy, o diretor geral do site, em entrevista por telefone na semana passada. "As pessoas querem saber qual é o placar do Tomatometer".

O pessoal de marketing da Disney validou o impacto dessas classificações de resenhas, este mês, ao incluir a avaliação "98% fresco", do Rotten Tomatoes, na publicidade de Up, seu mais recente longa de animação. (Uma avaliação com aprovação superior a 60% significa que o produto é "fresco"; abaixo disso, o filme recebe o rótulo "podre".)

O Metacritic, um site criado oito anos atrás que compila resenhas de filmes, música, videogames e programas de TV, recebe dois milhões de visitantes ao mês e vem batendo recordes de frequência nos últimos dias.

"Muita gente nos tem na lista de favoritos", diz Marc Doyle, co-fundador do Metacritic, sobre os usuários do site. "Não é tráfego que chegue por meio de serviços de busca".

Já nos jornais estabelecidos e nos semanários alternativos, a história parece ser a oposta. Críticos de cinema foram demitidos ou transferidos a outras funções, e isso provocou manifestações de preocupação quanto ao futuro da crítica de cinema como profissão.

A Moviecitynews.com até iniciou uma vigília sobre "os últimos 126 críticos de cinema dos Estados Unidos", eliminando da lista os nomes dos demitidos.

Na mais recente atualização, 121 deles ainda estavam na ativa, entre os quais Kenneth Turan, do Los Angeles Times; Todd McCarthy, da Variety; e Joe Morgenstern, do Wall Street Journal.

No entanto, de acordo com pesquisa conduzida pela Movie Review Intelligence para a MarketCast, uma empresa de Los Angeles, as resenhas de filmes ainda importam para os espectadores. Cerca de 71,5 milhões de pessoas leem as críticas, nem que parcialmente, e 48% das pessoas que assistem a mais de 12 filmes por ano costumam ler diversas críticas por mês.

As vantagens dos sites que compilam críticas são aparentes para os críticos, que decerto preferem ter suas avaliações incluídas em um placar agregado a acompanhar uma vigília à espera de seus obituários profissionais.

"Esses sites têm um propósito claro e valioso", afirmou Owen Gleiberman, crítico de cinema da Entertainment Weekly, em troca de e-mails na semana passada.Ele e outros críticos reconhecem que esse tipo de site atrai novos leitores, mais jovens, ao seu trabalho.

Mas os críticos de cinema continuam a ser um grupo em geral cauteloso.

A. O. Scott, que co-dirige a seção de críticas de cinema do New York Times, diz que muitos desses leitores são, eles mesmos, críticos não profissionais, que inundam o universo digital com suas considerações sobre filmes e sobre os críticos que os avaliam.

"O paradoxo, assim, é que a web revigorou a crítica como atividade mas a desvalorizou como profissão", disse Scott.

Gleiberman vai ainda além.

A web, ele diz, está mudando a crítica ao pressionar os resenhistas a aderir ao consenso que se forma sobre certos trabalhos, por força de críticas, bilheterias e comentários na internet, como provam os recentes exemplos de Up e Star Trek.

"Conheço muitos críticos que acreditam que é preciso servir o coletivo, apoiar determinado filme porque eles parecerão esquisitos se não o fizerem", afirma.

"Os fãs de um trabalho podem ser impiedosos", ele acrescentou, "especialmente se a crítica de alguém é a única que divergiu, e com isso impediu que o filme que eles amam tivesse uma avaliação de frescor 100%".

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times
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