Gamers tendem a ser mais racistas e sexistas que não-gamers, diz estudo
Fusão de traços pessoais com os jogos pode ser carregada de uma série de resultados socialmente nocivos, incluindo racismo e sexismo
Um novo estudo, publicado na revista científica Frontiers Communication, sugere que uma pessoa que se identifica como um gamer é mais propensa a comportamentos extremos e preconceituosos como racismo, sexismo e defender sua comunidade a qualquer custo.
Para chegar neste resultado, cientistas conduziram a pesquisa em três estudos, permitindo que os 304 entrevistados se definissem como jogadores. Perceberam que atributos específicos de personalidade (por exemplo, apego, insegurança e solidão) podem se fundir com a cultura de jogos para ampliar ainda mais o apoio a comportamentos radicais.
Em entrevista à Vice, Rachel Kowert, responsável pelo estudo e diretora da Take This, ONG de serviços de serviços de saúde mental para a indústria de jogos, disse que “quando a identidade do jogador é muito importante para quem você é como pessoa, isso parece refletir o que chamamos de cultura tóxica do jogador, e tende a refletir mais exclusão do que inclusão — então coisas como racismo, sexismo e misoginia são comuns”.
Kowert entende que a identidade pode ser dividida em dois aspectos: o individual e o social. "A fusão de identidade é quando a identidade social e a individual se fundem e você não pode separá-las... A maneira como a fusão se desenvolve torna-as mais suscetíveis a comportamentos mais extremos", disse.
E isso, para os cientistas, significa que as comunidades de jogadores representam uma faca de dois gumes. Por um lado, podem fornecer uma sensação de conexão e propósito para indivíduos que sofrem de solidão e insegurança; por outro, podem expor os gamers a discursos de ódio e toxicidade social) que podem aumentar sua suscetibilidade à propaganda extremista.
“Na pior das hipóteses, os jogadores podem ser atraídos a adotar crenças extremistas que os levam ao caminho da radicalização”, escreveram.