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Ferimentos nas mãos não devem ser banalizados; cirurgião explica riscos

Facas de cozinha, trabalhos manuais, queimaduras ou uma porta que fecha repentinamente são algumas das situações que podem desencadear acidentes graves com as mãos, muitos deles dentro de casa.

27 jan 2026 - 14h28
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Os acidentes nas mãos nunca devem ser banalizados, alerta o cirurgião plástico Patrick Knipper, que atua no Hospital Europeu Georges Pompidou, em Paris. Alguns ferimentos  exigem cirurgias complexas e podem até provocar a perda de alguns movimentos. Em casos mais graves, o membro deve ser amputado.

Ferimentos nas mãos podem resultar em cirurgias complexas e até provocar a perda de alguns movimentos.
Ferimentos nas mãos podem resultar em cirurgias complexas e até provocar a perda de alguns movimentos.
Foto: © Unsplash / RFI

Segundo ele, a maioria dos acidentes com as mãos acontecia em casa ou no local de trabalho, mas hoje há uma maior conscientização sobre os riscos profissionais.

"As máquinas agrícolas ou prensas, por exemplo, eram ferramentas usadas com pouca proteção e provocavam muitos ferimentos nas mãos", diz. "A prevenção é mais eficaz em relação à proteção das máquinas e à educação dos pacientes. Como cirurgião, constato uma diminuição desses acidentes", afirma. "Hoje, os pacientes que buscam atendimento no pronto-socorro sofrem principalmente acidentes domésticos", ressalta.

Muito cuidado

Segundo o cirurgião, de modo geral, todo ferimento nas mãos, por menor que seja, exige cuidado. "Costumamos dizer que não existe ferimento banal nas mãos. Desconfiamos muito mais da mordida de um gato, com seus pequenos dentes afiados, que pode inocular alguma bactéria profundamente, do que, por exemplo, de uma grande lesão."

Os pacientes costumam minimizar esse tipo de situação, que muitas vezes é grave. "O gato, por exemplo, com seu dentinho, vai causar um ferimento. Isso, para os cirurgiões, é uma emergência, porque pode causar graves infecções."

Outro acidente muito comum em crianças, mas que ocorre também com adultos é o dedo preso no batente da porta, que pode ser esmagado. Em alguns casos, é necessário realizar uma cirurgia reconstrutiva. A reeducação para recuperar os movimentos das mãos pode ser complexa, explica o especialista francês.

As reformas em casa, muitas vezes feitas por amadores, também são propícias a esse tipo de incidente. Luvas ou outros tipos de proteção para diminuir riscos devem ser utilizados, mas os lapsos de atenção são o maior problema e estão por trás de boa parte dos ferimentos.

Primeiros socorros

E o que se deve fazer quando o acidente acontece? Lavar com água e sabão e cobrir o ferimento com um pedaço de pano limpo é o primeiro passo para evitar uma infecção. O cirurgião francês lembra que o antisséptico deve ser usado apenas se o ferimento inflamar.

Outro problema potencialmente grave é a fleuma ou unheiro. Trata-se de uma infecção bacteriana que atinge os tendões e pode levar até à amputação parcial de um membro em casos mais graves. Ela pode ser causada por uma farpa de madeira que entrou no dedo, por exemplo, ou simplesmente por uma cutícula encravada.

"Em cerca de duas horas, a infecção atinge as mãos e o antebraço." Esta é uma das muitas situações de emergência que não devem ser menosprezadas pelos pacientes. "A mão é um prolongamento do cérebro. Uma amputação da mão ou das mãos tem consequências sociais e psicológicas", conclui o cirurgião francês.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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