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Telescópio James Webb identifica casulos que envolvem buracos negros em formação

Estudo publicado na Nature descreve que os 'pontos vermelhos' do universo primitivo são buracos negros jovens envoltos por densas nuvens de gás

16 jan 2026 - 13h11
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Análises de dados do Telescópio Espacial James Webb trouxeram novas evidências sobre a origem dos chamados "pontos vermelhos" observados no universo primitivo. Segundo estudo publicado na revista Nature na última quarta-feira, 14, esses sinais correspondem a buracos negros supermassivos em formação, envolvidos por densas nuvens de gás, estruturas que os cientistas passaram a chamar de "casulos".

A pesquisa foi conduzida por equipes da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, e da Universidade de Manchester, no Reino Unido. O trabalho revisa interpretações anteriores sobre esses objetos, que desde 2022 dividiam a comunidade científica.

Segundo os pesquisadores, a descoberta indica que o James Webb está captando buracos negros ainda em fase de crescimento acelerado. "Podemos estar observando o principal período de crescimento dos buracos negros supermassivos, quando ainda estão cercados por uma concha quase esférica de gás denso", afirmam.

Os cientistas analisaram doze objetos localizados entre 3,4 e 6,7 bilhões de anos-luz de distância e descobriram que suas linhas luminosas são alargadas pela dispersão de elétrons, um efeito que indica a presença de gás extremamente denso. "Os dados exigem densidades muito altas e tamanhos de apenas alguns dias-luz, que, quando combinados à alta luminosidade, só podem ser explicados pela acreção de buracos negros supermassivos", afirma o artigo.

Esses buracos negros teriam massas de 100 mil a 10 milhões de vezes a do Sol, cerca de cem vezes menores do que se imaginava. "São os buracos negros de menor massa conhecidos em alto redshift e sugerem uma população jovem de buracos negros supermassivos", escreveram os autores.

O estudo mostra que esses objetos estão cercados por "um denso casulo de gás ionizado" que bloqueia emissões de raios X e rádio, explicando por que eram difíceis de detectar. Essa camada também reprocessa a radiação emitida pelos buracos negros, a transformando em luz visível e infravermelha.

A equipe ainda recalculou as massas desses corpos após remover o efeito de dispersão de elétrons, tornando-as compatíveis com o padrão observado em buracos negros e galáxias mais recentes.

Estadão
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