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Ciência

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Por que colisão de foguete errante da SpaceX com a Lua oferece 'oportunidade única' aos cientistas

A colisão do foguete da SpaceX com a Lua foi um acidente, mas também um presente único para os cientistas, que poderão obter informações importantes para futuras missões espaciais.

5 ago 2026 - 10h32
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A última vez em que se teve notícias da colisão acidental de uma parte de foguete com a Lua ocorreu em 2022
A última vez em que se teve notícias da colisão acidental de uma parte de foguete com a Lua ocorreu em 2022
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Um foguete errante da SpaceX teria colidido com a Lua, formando uma cratera perto de um famoso ponto de referência da superfície lunar e oferecendo aos cientistas uma oportunidade única de pesquisa que poderá ajudar em missões futuras.

O estágio superior vazio de um foguete Falcon 9 teria atingido a Lua perto da cratera Einstein, a uma velocidade de cerca de 8.700 km/h, nesta quarta-feira (05/08).

Astrônomos amadores teriam dificuldade de captar o brilho curto e dramático do evento, mesmo com telescópios de última geração. Mas os observatórios maiores no continente americano estão analisando as informações.

Precisaremos de dias ou até semanas para conhecer o quadro completo do que aconteceu e saber o que poderemos aprender com o episódio. Mas, para os geólogos planetários, esta colisão acidental é uma dádiva científica.

O foguete que atingiu a Lua era um Falcon 9, similar a este que transportou astronautas para a Estação Espacial Internacional, em fevereiro deste ano
O foguete que atingiu a Lua era um Falcon 9, similar a este que transportou astronautas para a Estação Espacial Internacional, em fevereiro deste ano
Foto: Reuters / BBC News Brasil

O foguete Falcon 9, da SpaceX, é um modelo reutilizável que foi enviado para o espaço em diversas missões. Seu projeto permite que parte do foguete retorne à Terra, mas outras seções são espalhadas pelo espaço.

O foguete foi lançado na Flórida, nos Estados Unidos, em janeiro do ano passado, levando dois módulos lunares. Sua missão de disparar o estágio superior com força suficiente para enviar os módulos para fora da órbita da Terra, em um trajeto em direção à Lua, foi cumprida.

O estágio descartado tem o tamanho aproximado de um edifício de cinco andares e pesa pelo menos quatro toneladas. Ele foi mantido à deriva em uma longa órbita em loop, que seguia em direção à Lua e voltava.

Nos 18 meses seguintes, a suave atração gravitacional da Terra, da Lua e do Sol, em conjunto com a luz solar, deu um fraco impulso ao estágio.

Os astrônomos que rastreavam aquela parte do foguete conseguiram calcular que essas pequenas forças o colocaram em curso em direção à Lua, ganhando velocidade a cada dia.

O impacto teria ocorrido perto das 2h35 (hora de Brasília) desta quarta-feira (05/08), em plena luz do dia em muitas partes do mundo. Mas o minúsculo clarão produzido teria sido fraco demais para ser observado, mesmo ao telescópio.

Astrônomos amadores observando no escuro também teriam tido poucas possibilidades reais de observar o clarão, que teria durado uma fração de segundo. Mas eles podem ter observado uma nuvem de poeira se espalhando por até 100 km de distância, por vários minutos.

As próprias espaçonaves existentes em órbita da Lua não estavam no ponto certo da órbita, no momento certo, para observar o impacto ao vivo.

A nave sul-coreana Danuri era a mais propícia. Ela passou perto do local pouco antes da colisão. Sua equipe declarou à imprensa da Coreia do Sul que eventuais filmagens só seriam publicadas depois que os pesquisadores terminassem sua análise.

Nos próximos dias, a nave Lunar Reconnaissance, da Nasa, estará em posição adequada para fotografar o local, permitindo a comparação das imagens antes e depois da colisão.

A cratera Einstein tem mais de 180 km de largura, o tamanho suficiente para conter uma cratera menor no seu interior
A cratera Einstein tem mais de 180 km de largura, o tamanho suficiente para conter uma cratera menor no seu interior
Foto: NASA / BBC News Brasil

As primeiras imagens e sua análise científica provavelmente virão dos poderosos telescópios instalados no continente americano, onde o céu ainda estava escuro. Mesmo dali, não será fácil identificar a detecção de um objeto de 14 metros atingindo a superfície lunar a 385 mil quilômetros de distância.

O processamento das imagens para limpar o quadro pode levar horas, dias ou até semanas, à medida que os cientistas verificam e processam os dados.

Como os pesquisadores já conhecem o tamanho exato, a velocidade e o ponto de impacto do foguete, esta colisão deixa de ser um acidente aleatório para se tornar um experimento raro e controlado.

A colisão é a realização de um sonho para os cientistas planetários. Ela permite que eles testem seus modelos para determinar como os impactos criam crateras, lançam fragmentos pela superfície e enviam tremores pelo interior da Lua.

A importância prática deste estudo é real.

Sabendo o quanto de rocha e poeira é lançado por um impacto, os engenheiros poderão projetar módulos lunares mais seguros e futuras bases lunares. Eles poderão determinar até que distância os fragmentos voadores podem se deslocar e qual poderá ser o nível de tremores no terreno próximo.

Cientistas afirmam que fragmentos lançados ao espaço vêm se acumulando há décadas em torno da Terra
Cientistas afirmam que fragmentos lançados ao espaço vêm se acumulando há décadas em torno da Terra
Foto: Mark Garlick/Science Photo Library via Getty Images / BBC News Brasil

O material lançado de baixo da superfície oferece novas indicações sobre a geologia lunar. Elas se unem aos conhecimentos já detidos pelos cientistas sobre a formação do sistema Terra-Lua, ocorrida há cerca de 4,5 bilhões de anos.

Esta não é a primeira vez em que um objeto feito pelo homem atinge a Lua. Desde 1959, dezenas de espaçonaves se chocaram com o nosso satélite natural, alguns por acidente e outros deliberadamente, para estudos científicos.

A primeira delas foi a sonda soviética Luna 2. Ela foi seguida ao longo das décadas pelas sondas Ranger, da Nasa, nos anos 1960, por diversos estágios de foguetes do programa Apollo (1961-1972) e, mais recentemente, pela missão LCROSS (2009), lançada deliberadamente em busca de água congelada.

O último impacto acidental confirmado ocorreu em 2022. Acredita-se que tenha sido causado pelo propulsor remanescente de uma missão lunar chinesa lançada em 2014.

É um lembrete de que este tipo de lixo espacial vem se acumulando silenciosamente sobre as nossas cabeças há bem mais de meio século.

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