Temos urânio de sobra no planeta; o problema é que transformá-lo em combustível nuclear pode levar décadas
O mais recente "Livro Vermelho" da NEA e da AIEA aponta que existem recursos suficientes para suprir a demanda nuclear até 2050 e além, mas também indica que faltam minas para extrair o urânio necessário
Impulsionada pelo avanço da inteligência artificial, veículos elétricos e expansão industrial, a demanda global por eletricidade fez a energia nuclear voltar ao centro das atenções. Embora a Terra possua reservas abundantes de urânio para suprir o consumo futuro, relatórios da NEA e da AIEA alertam para um grande desafio: a capacidade limitada de extração e a demora de décadas para processar e transformar esse mineral em combustível nuclear utilizável.
O aumento da demanda global por eletricidade está trazendo a energia nuclear de volta ao centro da agenda mundial. No entanto, um relatório elaborado pela Agência de Energia Nuclear da OCDE (NEA) e pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aponta uma contradição curiosa: aparentemente, há urânio suficiente no mundo, mas não temos meios suficientes para extraí-lo.
Por que o interesse pela energia nuclear está crescendo novamente?
Prevê-se um aumento na demanda global por eletricidade nos próximos anos. Para este ano, a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) projetou um crescimento de 3,6%; em 2027, a taxa subirá para 3,8%, atingindo 30.700 TWh.
Fatores como a necessidade de refrigeração durante ondas de calor, a ascensão dos veículos elétricos, o desenvolvimento de tecnologias como centros de dados para IA, as tensões geopolíticas e suas consequências, e o crescimento da indústria global (com a China igualando a União Europeia em consumo de eletricidade) são algumas das razões para este momento de destaque da energia nuclear — ao qual até mesmo a Europa se rendeu, pelo menos parcialmente.
A boa notícia: há recursos de sobra
Diante desse aumento significativo no consumo global de eletricidade, o relatório Uranium 2026: Resources, Production and Demand — elaborado em conjunto pela Agência de Energia Nuclear da OCDE (NEA) e pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) — indica que o planeta possui urânio suficiente para suprir até mesmo as ...
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