Químicos desenvolvem materiais que ajudam na captura do CO2
Químicos desenvolvem materiais que ajudam na captura do CO2
Para sequestrar o dióxido de carbono, como parte de qualquer estratégia de atenuação da mudança climática, o gás primeiro precisa ser capturado, na chaminé de uma usina de energia ou de outra fonte. O passo seguinte é igualmente importante: o CO2 precisa ser liberado daquilo que o tenha capturado, para que possa ser bombeado para o subsolo ou armazenado de outra maneira.
O segundo estágio pode ser dispendioso do ponto de vista energético. Os materiais usados no momento para a captura de CO2 precisam ser aquecidos para liberá-lo.
Mas químicos da Universidade da Califórnia em Los Angeles dizem que uma nova classe de materiais desenvolvida por eles, conhecidos como estruturas metalorgânicas, ou MOF, apresentam perspectivas promissoras em termos de captura de carbono. Em estudo publicado pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences, Omar Yaghi e seus colegas descreveram o desempenho de um MOF, que segundo eles é capaz de liberar a maior parte do CO2 que captura à temperatura ambiente.
Yaghi descreve as MOF como "esponjas cristalinas", uma estrutura híbrida de compostos orgânicos e átomos metálicos que apresenta uma imensa área superficial interna na qual moléculas gasosas podem ser absorvidas. O MOF utilizado nos estudos emprega átomos de magnésio, "que oferecem o ambiente certo para a retenção de dióxido de carbono", afirmou o pesquisador.
Em experiências, o material retinha o CO2 e permitia que o metano passasse. Mas o resultado mais surpreendente foi o fato de que, em temperatura ambiente, 87% do CO2 fosse liberado. Caso necessário, os 13% restantes podem ser liberados por aquecimento a 90 graus, temperatura muito inferior à requerida sob os métodos hoje em uso.