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Médico brasileiro questiona se transplante de útero vale o risco

2 jul 2011 - 08h33
(atualizado às 08h35)
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Angela Joenck Pinto

O anúncio de um transplante de útero entre uma mãe e filha na Suécia - que deve ser realizado em 2012 - levantou dúvidas éticas sobre o procedimento, já que médicos suecos pretendem colocar a vida de uma paciente em risco por causa de um órgão que não é vital. Alguns especialistas são contra, já que a cirurgia pode levar a paciente à morte e existem alternativas - como a adoção.

O primeiro americano a receber um transplante total de rosto fez sua primeira aparição pública após a cirurgia no dia 9 de maio de 2011
O primeiro americano a receber um transplante total de rosto fez sua primeira aparição pública após a cirurgia no dia 9 de maio de 2011
Foto: Reuters

O Coordenador do Colegiado de Transplantes do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Luiz Felipe Santos Gonçalves, acredita que a decisão de correr o risco de complicações por um órgão que não é vital é algo questionável, enquanto "a maioria dos transplantes realizados clinicamente hoje são para salvar vidas, casos de órgãos como fígado, coração e pulmão".

Veja a seguir a entrevista de Gonçalves para o Terra.

Terra - O procedimento coloca risco à vida da paciente?
Gonçalves - Sim. O transplante de órgãos, para ter sucesso, exige a instituição de medicação imunossupressora para evitar a rejeição do órgão. Esta medicação traz enormes riscos de complicações, principalmente infecções, complicações metabólicas e desenvolvimento de neoplasias (câncer). Vale a pena todos estes riscos para receber um útero e poder ter filhos?

Terra - O Sr vê como ética esta operação, já que ao contrário dos outros órgãos, o útero não é essencial a sobrevivência do paciente?
Gonçalves - Exatamente, este é o principal problema e exige um ampla discussão.Este é um transplante experimental e a pergunta principal é: vale a pena fazer este tipo de transplante? A maioria dos transplantes realizados clinicamente hoje são para salvar vidas, casos de órgãos como fígado, coração e pulmão. Ou re-estabelecer a função de órgãos vitais, como o rim.

Terra - Quais seriam as alternativas?
Gonçalves - Se a mulher tem ovários, poderia como alternativa fazer a fertilização in vitro do seu óvulo com o esperma do marido e gestar o embrião em um útero de um terceiro. Esta alternativa me parece bem melhor do que um transplante de útero. Por fim, o filho pode ser adotado.

Terra - O transplante de útero é realmente complicado?
Luiz Felipe Santos Gonçalves - A complicação não é o transplante de útero em especial. Existem várias dificuldades técnicas em relação a cirurgia, mas tem vários estudos em animais com transplante de útero (cães e macacos) que conferem boa probabilidade de sucesso técnico.

Terra - Por que a tentativa anterior, em 2000, falhou?
Gonçalves - Só houve uma tentativa anterior, que falhou por complicações técnicas, e a paciente desenvolveu uma trombose da artéria.

Terra - Na sua opinião, qual o órgão mais difícil de ser transplantado?
Gonçalves - O transplante mais complexo do ponto de vista técnico é o de fígado.

Fonte: Terra
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