Script = https://s1.trrsf.com/update-1786557910/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Ciência

Publicidade

Imagens da Nasa mostram impacto do El Niño sobre a vida marinha no Pacífico

Comparação entre 2025 e 2026 revela redução na concentração de clorofila, indicador da presença de fitoplâncton, que forma a base da cadeia alimentar marinha

17 ago 2026 - 21h31
Compartilhar
Exibir comentários

O El Niño já provoca mudanças na vida marinha do Oceano Pacífico. Imagens de satélite da Nasa mostram uma redução significativa na concentração de fitoplâncton em parte do Pacífico equatorial na comparação com o mesmo período de 2025, quando as condições eram neutras.

Os registros foram feitos pelo Instrumento de Cor do Oceano (OCI), instalado no satélite PACE (Plâncton, Aerossol, Nuvem, Ecossistema Oceânico), da Nasa. Os mapas comparam as concentrações de clorofila, pigmento presente na maioria do fitoplâncton e utilizado como indicador de sua abundância, em junho de 2025 e junho deste ano.

A diferença mais evidente aparece no Pacífico central, na região do Equador e bem ao norte da Nova Zelândia. Em junho de 2026, quando o El Niño estava se intensificando, as concentrações de clorofila eram substancialmente menores do que um ano antes.

Imagem de satélite mostra a concentração de clorofila no Pacífico em junho de 2025, quando as condições do El Niño ainda eram neutras
Imagem de satélite mostra a concentração de clorofila no Pacífico em junho de 2025, quando as condições do El Niño ainda eram neutras
Foto: Reprodução/Nasa / Estadão

Segundo os oceanógrafos Matthew Kehrli e Graham Trolley, do Laboratório de Ecologia Oceânica do Centro de Voos Espaciais Goddard da Nasa, a mudança era esperada. "Isso pode se manifestar como uma diferença maior nos valores em toda a região atual, como uma área cada vez mais ampla de concentração reduzida de clorofila na superfície, ou ambos, dependendo do comportamento dos ventos alísios equatoriais", afirmaram.

Com isso, diminui a chegada à superfície de águas frias carregadas de nutrientes, essenciais para o desenvolvimento do fitoplâncton, o que pode levar à redução desses organismos.

Imagem de junho de 2026 mostra área de baixa concentração de clorofila no Pacífico durante a intensificação do El Niño; redução indica menor abundância de fitoplâncton
Imagem de junho de 2026 mostra área de baixa concentração de clorofila no Pacífico durante a intensificação do El Niño; redução indica menor abundância de fitoplâncton
Foto: Reprodução/Nasa / Estadão

Por que o fitoplâncton é importante?

O fitoplâncton é formado por pequenas algas aquáticas e bactérias que realizam fotossíntese e obtêm energia diretamente da luz do Sol. Esses organismos estão na base da cadeia alimentar marinha, são consumidos pelo zooplâncton, que, por sua vez, serve de alimento para peixes e animais maiores.

Por isso, a redução do fitoplâncton pode desencadear efeitos em diferentes níveis da cadeia alimentar, inclusive em regiões costeiras. Com sua diminuição, há menos alimento disponível para o zooplâncton e, consequentemente, para peixes, aves marinhas e mamíferos marinhos.

Os efeitos desse processo já podem alcançar a atividade pesqueira. Segundo a Nasa, episódios anteriores de El Niño provocaram uma redução expressiva na pesca de anchova no Peru, em meio ao aquecimento das águas superficiais, à menor disponibilidade de nutrientes e à queda na quantidade de fitoplâncton.

Mudanças podem ficar mais evidentes

O El Niño é caracterizado por temperaturas da água acima do normal em partes do Pacífico equatorial, acompanhadas de alterações nos padrões de circulação atmosférica e oceânica. O Centro de Previsão Climática da NOAA prevê que o atual El Niño continue se intensificando até o fim de 2026. Há 97% de probabilidade de o fenômeno persistir até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte.

Mesmo nos estágios iniciais, satélites já identificaram características associadas ao fenômeno no Pacífico equatorial, como temperaturas da superfície do mar acima do normal.

O que acontece depois do El Niño?

Apesar dos impactos que o fenômeno pode provocar sobre a vida marinha, depois do El Niño pode ocorrer uma espécie de "recuperação da clorofila", com concentrações acima do normal no Pacífico equatorial.

Pesquisas indicam que concentrações mais elevadas de ferro transportadas pelas correntes oceânicas, além da poeira proveniente de áreas mais secas da América Central e do Sul, podem contribuir para o ressurgimento. Essa recuperação não depende da ocorrência posterior do La Niña.

O La Niña, que frequentemente sucede episódios de El Niño, também pode elevar as concentrações de clorofila. A Nasa destacou um forte episódio ocorrido entre 1998 e 1999, que provocou uma grande proliferação de fitoplâncton no Pacífico oriental e um aumento expressivo das populações de peixes.

Estadão
Compartilhar
TAGS

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra