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Ciência

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Fracassa proposta de criar santuário de baleias no Atlântico Sul

2 out 2026 - 18h27
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Resumo
A Comissão Baleeira Internacional rejeitou, por apenas quatro votos, a proposta liderada pelo Brasil para criar um santuário de baleias no Atlântico Sul, iniciativa bloqueada por países pró-caça como a Noruega e seus aliados. Apesar do revés nessa pauta histórica defendida há quase 30 anos, a conferência realizada na Austrália aprovou medidas importantes para a conservação marinha, como ações contra o encalhe de animais, a redução de capturas acidentais e a prevenção de colisões com navios.

Há quase 30 anos, diversos países defendem a criação de uma nova área de proteção para baleias. Iniciativa apresentada pelo Brasil nos anos 1990 fracassou por quatro votos em reunião da Comissão Baleeira Internacional.Uma proposta para criar um novo santuário de baleias no Atlântico Sul fracassou novamente nesta sexta-feira (02/10) em uma reunião da Comissão Baleeira Internacional (CBI), realizada na cidade de Hobart, na Austrália,

Baleia-jubarte ao largo da costa, ao norte de Sydney, na Austrália
Baleia-jubarte ao largo da costa, ao norte de Sydney, na Austrália
Foto: DW / Deutsche Welle

A proposta, apresentada inicialmente pelo Brasil no final da década de 1990 e apoiada pela Argentina, Uruguai, Gabão e África do Sul não alcançou a maioria de três quartos necessária para aprovação por uma diferença de quatro votos, segundo relatos de participantes. O resultado foi 39 a favor, 18 contra e duas abstenções.

Os países que apoiam a criação do santuário tentam aprová-lo desde 2001. Desde então, a proposta foi reprovada em diversas reuniões da CBI ao longo dos anos.

"O santuário planejado para o Atlântico Sul, com uma área mais de duas vezes maior que a dos Estados Unidos, teria sido um passo importante para a conservação marinha", afirmou a bióloga marinha da entidade ambientalista Greenpeace, Franziska Saalfeld.

A iniciativa teria criado o terceiro santuário de baleias do mundo. O primeiro foi estabelecido no Oceano Índico, em 1979, e o segundo, na Antártida, em 1994.

Noruega, Islândia e Japão mantêm caça comercial

O Greenpeace informou que alguns países que apoiam a iniciativa não estavam presentes na votação. Os opositores da iniciativa, como a Noruega, Costa do Marfim e várias nações do Caribe, mantiveram sua resistência.

O Japão, que deixou a CBI em 2019, formou uma aliança com diversos países africanos e caribenhos vistos como representantes dos interesses de Tóquio na comissão, segundo os grupos ambientalistas.

Apesar de uma moratória global sobre a caça comercial de baleias, a Noruega, a Islândia e o Japão continuam a praticar a caça comercial.

Matt Collis, do Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW), criticou as nações baleeiras e seus apoiadores por continuarem a bloquear a proposta, apesar de não caçarem baleias na região.

Cerca de 300 delegados de mais de 60 países estão reunidos em Hobart, no estado australiano da Tasmânia, desde segunda-feira, para discutir a situação das populações de baleias em todo o mundo. Também foram debatidas medidas para a proteção desses mamíferos marinhos. No entanto, dos 89 países membros da CBI, apenas 67 estavam representados no local.

Acordo para prevenir encalhes de baleias

Um dos pontos positivos na conferência em Hobart foi um acordo em relação aos casos de baleias encalhadas, no intuito de melhorar o intercâmbio de dados para ampliar o conhecimento sobre suas causas e melhorar a resposta a esses casos.

Os delegados aprovaram ainda uma resolução que visa ajustar as rotas de navegação e avaliar riscos, para evitar que milhares de animais morram todos os anos em colisões com navios. Também foi aprovada uma resolução destinada a reduzir a captura acidental de pequenos cetáceos e golfinhos em redes de pesca.

As resoluções da Comissão Baleeira não são juridicamente vinculativas, mas oferecem recomendações políticas e podem exercer pressão sobre os Estados-membros.

A CBI foi fundada em 1946 originalmente para regular a caça de baleias em escala industrial e preservar as populações da espécie. A moratória global sobre a caça entrou em vigor em 1985 e 1986.

O governo da Islândia anunciou recentemente que apresentará em 2027 um projeto de lei que poderá acabar definitivamente com a caça comercial de baleias em águas islandesas.

Proteção de golfinhos e pequenos cetáceos

Nesta quarta-feira, a Suíça retirou uma resolução que havia apresentado para a proteção de golfinhos e pequenos cetáceos, antes que um grupo de trabalho já agendado pudesse negociar alterações no texto.

A especialista em proteção marinha Mona Schweizer, da organização de defesa dos animais Pro Wildlife, disse que a atitude da Suíça é incompreensível e representa um duro golpe para a conservação desses animais.

Os motivos da retirada permaneceram incertos. A resolução teria alcançado facilmente a maioria necessária, segundo alguns dos participantes.

O Greenpeace ressaltou que mais de 100 mil golfinhos e pequenos cetáceos são mortos anualmente em caçadas direcionadas. A moratória sobre a caça comercial se aplica apenas às baleias.

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