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Ciência

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Estudo mostra que açúcar presente na carne vermelha aumenta risco de diabetes em 63%

Consumo exagerado do produto eleva chances de desenvolver a doença

29 set 2026 - 10h22
(atualizado às 10h38)
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Resumo
Um estudo da Université Sorbonne Paris Nord revelou que o Neu5Gc, tipo de açúcar presente na carne vermelha e laticínios, pode elevar em até 63% o risco de diabetes tipo 2 quando consumido em excesso. A pesquisa acompanhou cerca de 90 mil adultos por mais de sete anos e identificou 966 casos da doença. O consumo elevado da molécula não humana desencadeia inflamações crônicas, mostrando uma relação direta entre a ingestão frequente de carne, inclusive processada, e o avanço do diabetes.

Uma molécula de açúcar específica encontrada na carne vermelha pode aumentar em até 63% o risco de desenvolver diabetes tipo 2 caso o consumo de carne seja excessivo. É o que revela um estudo preliminar apresentado por Leopold Fezeu, da Université Sorbonne Paris Nord, durante o congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), em Milão, na Itália.

Alto consumo de carne vermelha está associado a maior risco de desenvolver diabetes tipo 2
Alto consumo de carne vermelha está associado a maior risco de desenvolver diabetes tipo 2
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A molécula Neu5Gc (ácido N-glicolilneuramínico) é um açúcar de origem não humana encontrado na carne vermelha - e, em menor quantidade, em produtos lácteos - que pode desencadear inflamação crônica e promover o diabetes tipo 2. A análise constatou que, quanto maior a ingestão de Neu5Gc, maior o risco de desenvolver a doença.

O novo estudo envolveu 89.953 adultos e analisou mais a fundo as consequências negativas do Neu5Gc.

Os participantes mantiveram diários alimentares para estimar a ingestão de Neu5Gc. Foram analisados todos os tipos de carne, incluindo a bovina e a suína. Produtos de carne processada (como bacon, presunto e salame) foram classificados como um grupo alimentar distinto.

Os pesquisadores estimaram a ingestão de Neu5Gc de cada participante levando em conta todos os alimentos consumidos e baseando o cálculo no teor de Neu5Gc medido em cada produto. Os envolvidos foram divididos em cinco grupos, de acordo com a ingestão de Neu5Gc proveniente das carnes.

Os níveis mais elevados de consumo situaram-se em torno de 97 gramas de carne vermelha por dia (136 gramas com a inclusão das carnes processadas) para os homens e 73 gramas (96 gramas) para as mulheres, enquanto os níveis mais baixos foram de cerca de 5 gramas (21 g) para eles e 0 gramas (9 gramas) para elas.

Ao longo do estudo, que durou em média 7,2 anos, foram identificados 966 casos de diabetes tipo 2.

Os resultados concluíram que uma maior ingestão de Neu5Gc proveniente de carnes está associada a um risco elevado de desenvolver a doença: 63% maior do que entre os indivíduos que consumiam pequenas quantidades desse açúcar. 

Ansa - Brasil
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