Al Gore percorre mundo virtual para falar sobre aquecimento
15 set2011 - 17h09
(atualizado às 20h01)
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Passados cinco anos desde o lançamento do documentário Uma Verdade Inconveniente, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore levou nesta quinta-feira sua campanha sobre a mudança climática para a internet, com um percurso virtual por 24 cidades do mundo em 24 horas. O projeto "24 horas de realidade", que pode ser visto ao vivo no site climaterealityproject.org, começou às 21h (de Brasilia) de quarta-feira com um programa de uma hora na Cidade do México.
Em 20 de abril de 2010, uma explosão na plataforma Deepwater Horizon, da empresa British Petroleum (BP), no Golfo do México, impactou na vida marinha, nos habitats costeiros e na vida de pessoas que vivem em comunidades litorâneas
Foto: Getty Images
Desde então, e até as 14h (de Brasília), o site tinha recebido mais de 3,5 milhões de visitas no mundo todo, segundo disse à Agência Efe a presidente do projeto, Maggie Fox. "Queríamos transmitir o conceito que em um dia, um córrego pode se transformar em um rio. A mudança climática pode nos afetar em apenas 24 horas. Por isso dividimos um dia a partir de 24 zonas horárias", afirmou Maggie por telefone.
Rio de Janeiro, Londres, Istambul, Dubai, Nova Délhi, Jacarta, Pequim e Canberra são algumas das cidades que conhecerão os efeitos que a mudança climática teve em seus respectivos países, antes que o percurso se encerre às 20h (de Brasília) desta quinta-feira em Nova York, em um programa apresentado pelo próprio Al Gore. Não é a primeira vez que o Nobel da Paz e ex-candidato à presidência dos EUA decide conscientizar o mundo sobre os efeitos do aquecimento global, tendo o feito antes em 2006, com o seu documentário vencedor do Oscar, Uma Verdade Inconveniente.
A presidente do projeto explica que político voltou a falar do assunto porque "o mundo segue sem aceitar o desafio do clima, e ainda existe uma poderosa cultura da negação".
Em entrevista ao jornal Washington Post nesta quinta-feira, Al Gore citou as inundações do ano passado no Paquistão, as deste ano na Austrália, e a seca e os incêndios na Rússia. "Essa é a realidade na qual temos que nos estabilizar. Esta apresentação é uma tese científica contra os obsoletos argumentos dos que negam", ressaltou.
"24 horas de realidade" é o primeiro de uma série de eventos trimestrais, todos eles organizados pelo projeto "Climate Reality" de Al Gore, pensados para serem divulgados por usuários de redes sociais como Twitter e Facebook, onde a iniciativa conta com dezenas de milhares de seguidores. O próximo projeto está previsto para fevereiro de 2008, e tratará o problema do derretimento das geleiras na Antártica, antecipou Maggie Fox.
Em 20 de abril de 2010, uma explosão na plataforma Deepwater Horizon, da empresa British Petroleum (BP), no Golfo do México, impactou na vida marinha, nos habitats costeiros e na vida de pessoas que vivem em comunidades litorâneas
Foto: Getty Images
A tragédia afetou cinco Estados americanos - Flórida, Alabama, Mississípi, Louisiana e Texas - e cinco mexicanos - Tamaulipas, Veracruz, Tabasco, Campeche e Yucatán
Foto: Getty Images
O golfo abriga espécies marinhas desde gigantescos mamíferos até comunidades microscópicas que constituem a base da cadeia alimentar desse ecossistema
Foto: Getty Images
Calcula-se que no desastre ambiental morreram 180 tartarugas, quase 7 mil aves, 150 golfinhos, milhares de lulas, caranguejos, peixes e de extensos recifes de coral
Foto: Getty Images
De acordo com o serviço de vida marinha e selvagem dos EUA, logo após um vazamento dessas dimensões, as autoridades devem: conter os poluentes; efetuar a limpeza dos locais afetados; avaliar os danos; multar a empresa responsável e reaplicar o dinheiro na recuperação da área; elaborar um plano de restauração; e monitorar como evolui a restauração da vida na região
Foto: Getty Images
Em 2007, a Coreia do Sul presenciou o pior derramamento de petróleo a afetar o país, que atingiu cerca de 215 km de praias e rochedos
Foto: Getty Images
Mais de 10 mil t de petróleo vazaram após o acidente entre um cargueiro e um navio petroleiro na Coreia
Foto: Getty Images
Um vazamento de lama tóxica afetou moradores de três vilarejos do oeste da Hungria, em 2010
Foto: AFP
Nove pessoas morreram e mais de 150 pessoas ficaram feridas, a maioria com queimaduras decorrentes do elevado índice de PH (12) espalhado na lama avermelhada
Foto: AFP
O vazamento de uma substância tóxica contaminou cerca de 40 km² do oeste da Hungria e também o rio Danúbio e pode ter chegado aos países vizinhos pela corrente das águas
Foto: AFP
Segundo a prefeitura de Devecser, em um dos vilarejos afetados 30 pessoas tiveram seus imóveis totalmente destruídos pela lama tóxica. Ao todo, extima-se que 300 casas tenham sido danificadas pelo vazamento
Foto: AFP
O governo húngaro havia oferecido na época 700 imóveis em diferentes partes do país para aqueles que preferiam não voltar às duas localidades
Foto: AFP
Imagens mostram como estava o mar de Aral em 1973 (esq.), em 1999 (centro) e em 2009 (dir.). Aral, que na verdade era um gigantesco lago de água salgada na Ásia Central (já foi o quarto maior do planeta), tinha o tamanho da Irlanda. Contudo, desde os anos 60, ele perdeu mais da metade de seu volume. Os rios que alimentam o mar foram sobrecarregados por irrigações nas plantações de campos de algodão, ainda na época da União Soviética
Foto: Divulgação
O berço da civilização também não escapou da mão do homem. Imagens mostram os pântanos da Mesopotâmia (em vermelho) em 1999 (esq.) e em 2000. A histórica região entre os rios Tigre e Eufrates sofreu, na metade do século XX, com a drenagem para a agricultura. Além disso, áreas pantanosas foram drenadas para atingir os contrários ao partido que dominava o Iraque na época