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Até show de Beyoncé virou motivo para testarem reconhecimento facial

Tecnologia foi usada no centro de Cardiff, no País de Gales, para identificar possíveis suspeitos próximo ao show da cantora

18 mai 2023 - 17h07
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Público de Beyoncé em Gales foi escaneado por uma câmera com tecnologia de reconhecimento facial
Público de Beyoncé em Gales foi escaneado por uma câmera com tecnologia de reconhecimento facial
Foto: Sony Music | Columbia Records / The Music Journal

A cantora Beyoncé segue sua turnê pela Europa e um de seus shows foi palco para uma novidade de tecnologia um pouco polêmica. A polícia de Cardiff, no País de Gales, usou reconhecimento facial ao vivo para reconhecer supostos criminosos na ocasião.

Segundo a BBC, cerca de 60 mil fãs eram esperados no Estádio do Principado para o show de Beyoncé na quarta-feira (17). A polícia usou no público uma câmera com tecnologia de reconhecimento facial para comparar rostos com uma "lista de observação" de suspeitos, usando inteligência artificial.

No entanto, o recurso não foi usado dentro do estádio, e sim no centro de Cardiff, nos arredores do local da apresentação, segundo o jornal The Guardian.

Segundo a polícia de Gales do Sul, os dados biométricos das pessoas escaneadas eram imediatamente excluídos se elas não estivessem na lista de suspeitos. Além disso, as imagens seriam guardadas por 31 dias, e depois disso deletadas.

A mesma polícia usou a tecnologia pela última vez para o FIM Speedway Grand Prix, evento de motociclismo realizado no mesmo estádio em agosto de 2022. Na época, 20.929 pessoas foram escaneadas e comparadas a uma lista com 245 imagens, mas não houve ações ou prisões, de acordo com o órgão.

Fraser Sampson, comissário para a retenção e uso de material biométrico para câmaras de vigilância do governo britânico, disse à BBC que é preciso mais trabalho para verificar se a tecnologia adotou algum tipo de viés de confirmação ou levou a erros. Ele também defende uma nova lei para regular esse tipo de tecnologia, para não haver abusos na vigilância.

A polêmica da vigilância 

Não é a primeira vez que polícias do Reino Unido experimentam reconhecimento facial no grande público em tempo real. Já houve testes do tipo em partidas de futebol e na coroação do Rei Charles neste mês, durante uma repressão a manifestantes contrários ao evento.

Estados e empresas ao redor do mundo vêm testando a tecnologia, mas ela levanta preocupações sobre preconceito racial e direitos humanos. Além de violação a direitos individuais, como um tratamento abusivo de dados sem o consentimento da pessoa, há ainda o histórico de falsos positivos de suspeitos, principalmente envolvendo pessoas negras.

No Brasil, um caso recente do tipo é o projeto Smart Sampa, em São Paulo. Cinco meses após ser suspenso, ele foi "revivido" pela prefeitura em um novo edital para a instalação de 20 mil câmeras e tecnologia de reconhecimento facial.

O conteúdo do programa foi parcialmente modificado após uma série de críticas por determinar o emprego de instrumentos para identificar a cor de pele e a "vadiagem". O número de equipamentos com biometria facial também dobrou de 500 para 1.000. O resultado do pregão está previsto para 23 de maio.

Fonte: Redação Byte
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