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Tamara Klink surpreende ao pedir que não comprem mais seu livro: 'Preciso ser coerente'

Mesmo com Bom Dia, Inverno entre os livros mais vendidos do país, Tamara Klink incentiva leitores a emprestar, doar e compartilhar exemplares

8 ago 2026 - 11h10

Imagine lançar um best-seller, ver a obra liderar as listas de mais vendidos e, justamente nesse momento, pedir ao público que pare de comprá-la. Foi isso que fez a escritora e velejadora Tamara Klink, de 29 anos, ao publicar um vídeo nas redes sociais propondo uma reflexão sobre consumo, sustentabilidade e o verdadeiro papel dos livros.

Tamara Klink surpreendeu ao pedir que os leitores parem de comprar seu livro e explicou por que acredita que as obras devem circular 
Tamara Klink surpreendeu ao pedir que os leitores parem de comprar seu livro e explicou por que acredita que as obras devem circular
Foto: Reprodução/Instagram / Bons Fluidos

Autora de Bom Dia, Inverno, lançado em maio de 2026 pela Companhia das Letras, Tamara surpreendeu os seguidores ao afirmar que o sucesso da obra a levou a repensar o impacto ambiental da produção editorial e a defender uma nova forma de fazer a literatura chegar às pessoas.

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Um convite para compartilhar, não acumular

Em vez de incentivar novas compras, Tamara acredita que os milhares de exemplares já espalhados pelo país podem alcançar ainda mais leitores se forem emprestados, doados ou trocados.

"Eu preciso falar uma coisa que é polêmica, mas vocês vão entender. Não comprem mais o livro 'Bom dia inverno'. Ele está na lista dos mais vendidos do Brasil há três meses. Ele está no topo dessa lista há pelo menos dois meses. E nessa altura, eu preciso ser coerente. Já tem muitos livros circulando pelo Brasil todo."

Para ela, um livro cumpre sua missão quando passa de mão em mão, criando novas experiências de leitura. "Se vocês puderem, se vocês têm acesso a uma biblioteca, se vocês têm pessoas da família, colegas, pessoas do trabalho, façam os livros circularem. É pra isso que eles existem."

Literatura também pode ser um ato de sustentabilidade

A escritora lembra que cada exemplar representa o uso de papel, energia e recursos naturais. Por isso, acredita que prolongar a vida útil de um livro é também uma forma de reduzir desperdícios. "É muito triste um livro parar em uma biblioteca só e ser lido apenas uma vez. Tem um monte de papel, um monte de energia que foi gasta da natureza pra esse livro existir."

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Em vez de deixar o volume esquecido na estante, ela sugere que ele continue encontrando novos leitores. Segundo Tamara, compartilhar um livro não diminui seu valor - pelo contrário. As marcas deixadas por quem já passou por aquelas páginas podem tornar a experiência ainda mais rica.

Ela ainda incentiva que leitores doem exemplares para bibliotecas públicas e indiquem instituições que ainda não possuem a obra em seu acervo.

A história por trás de Bom Dia, Inverno

O discurso da autora dialoga com a própria narrativa do livro. Em Bom Dia, Inverno, Tamara relata os oito meses que passou completamente sozinha em um veleiro ancorado na Groenlândia, entre outubro de 2023 e maio de 2024. Durante esse período, enfrentou temperaturas de até -30 °C, viveu longos períodos de isolamento e chegou a passar 86 dias sem ver o sol.

A expedição fez dela a primeira mulher a completar sozinha uma invernagem no Ártico. Ao longo das páginas, a autora descreve a convivência com a natureza extrema, as auroras boreais, a rotina de produzir água a partir de blocos de gelo e os aprendizados emocionais que surgiram durante a experiência.

Antes desse lançamento, Tamara já havia compartilhado outras aventuras em alto-mar nos livros Mil Milhas, Um Mundo em Poucas Linhas e Nós: O Atlântico em Solitário.

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Mais do que vender, fazer sentido

Ao final do vídeo, Tamara resume a ideia que motivou seu apelo aos leitores: o valor de um livro não está apenas na quantidade de exemplares vendidos, mas na capacidade de continuar transformando pessoas ao longo do tempo. "Então deem o livro que vocês leram, peguem emprestado, doem pra biblioteca mais perto da casa de vocês."

E conclui com uma reflexão que vai além da literatura: "O mais legal de qualquer livro e qualquer objeto é ele circular e cumprir sua função pelo máximo de tempo possível para fazer jus aos recursos e energia gastos para ele existir no planeta."

A proposta da escritora convida a olhar para os livros não apenas como objetos de consumo, mas como instrumentos de encontro, troca de experiências e construção coletiva de conhecimento.

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