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Sentimento de injustiça: psicóloga revela como superar a mágoa e seguir em frente

Raiva, tristeza e frustração podem acompanhar a sensação de ter sido prejudicado, mas existem formas de compreender a situação e recuperar o equilíbrio emocional

22 ago 2026 - 18h41
Resumo
O sentimento de injustiça, embora doloroso, pode sinalizar necessidades não atendidas e motivar ações de reparação. Segundo a psicóloga Tamíris Kreibich, quando o fato foge do controle pessoal, a superação depende de aceitação, autocompaixão e foco no presente, impedindo que a mágoa paralise a vida. Para restabelecer o equilíbrio emocional, recomenda-se reorganizar a rotina, evitar a autocobrança excessiva, impor limites aos pensamentos negativos e, se preciso, buscar ajuda psicológica.

No Dia da Injustiça, marcado neste domingo (23), a reflexão sobre o sentimento ganha espaço, especialmente quando uma experiência difícil continua repercutindo mesmo depois que tudo termina. Isso porque sentir que alguém foi injusto com você tende a deixar marcas que vão muito além daquele momento.

Raiva, tristeza e frustração podem acompanhar a sensação de injustiça, mas existem formas de recuperar o equilíbrio emocional
Raiva, tristeza e frustração podem acompanhar a sensação de injustiça, mas existem formas de recuperar o equilíbrio emocional
Foto: fizkes/Getty Images / Bons Fluidos

Raiva, tristeza, frustração e ressentimento podem surgir quando alguém quebra uma expectativa ou desrespeita um direito. Aos poucos, então, o que aconteceu pode interferir nos relacionamentos, na saúde emocional e até na capacidade de seguir adiante.

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Por que o sentimento de injustiça pesa tanto?

A psicóloga Tamíris Kreibich explicou, em um vídeo publicado no Youtube, que essa sensação costuma aparecer quando uma pessoa entende que não recebeu o tratamento que considerava merecer. Isso pode acontecer depois de uma situação no trabalho, de um conflito afetivo, de uma acusação indevida ou de uma experiência marcada pela desigualdade.

Entretanto, sentir-se injustiçado não é necessariamente algo que precisa ser eliminado. A emoção também pode indicar uma necessidade que não foi atendida e impulsionar a pessoa a buscar uma solução. "Apesar de ser bem desagradável sentir isso, esse sentimento de injustiça, querendo ou não, ele nos move a buscar aquilo que é justo, aquilo que nós precisamos, a buscar atender as nossas necessidades", afirmou a especialista.

Nesse sentido, o primeiro passo é entender se existe alguma possibilidade de ação. Quando há margem para interferir, conversar, procurar uma solução ou tentar reparar os danos pode ajudar a recuperar a sensação de controle.

Nem tudo está sob nosso controle

Por outro lado, existem experiências que fogem do nosso controle. Nesses casos, permanecer preso ao que aconteceu faz com que o episódio ocupe um espaço desproporcional na vida. Para a psicóloga, contudo, seguir em frente não significa fingir que a injustiça não aconteceu.

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A proposta é impedir que o ocorrido continue determinando todas as escolhas e consuma a energia disponível para outras áreas da vida. "Significa somente que você não vai mais deixar com que isso tome toda a sua energia e te paralise", esclareceu .

A aceitação, então, não representa concordar com o que aconteceu. Trata-se de reconhecer que determinadas circunstâncias não dependem mais de nós e direcionar a atenção para aquilo que ainda podemos construir.

Autocompaixão pode ajudar

Outro ponto importante é a maneira como a pessoa conversa consigo mesma depois de uma experiência difícil. Pensamentos como "eu deveria ter percebido antes" ou "por que não fiz diferente?" costumam aumentar ainda mais o sofrimento, principalmente quando a pessoa transforma a própria dor em motivo para se culpar.

A psicóloga recomendou substituir esse julgamento por uma postura mais acolhedora. "A autocompaixão é entender que isso que você sente é válido e, ao mesmo tempo, ser gentil consigo, acolher essas emoções, ser com você aquilo que seria com um amigo querido", orienta.

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Esse cuidado pode aparecer em atitudes simples, como respeitar o próprio tempo, identificar os limites emocionais e evitar cobranças que não ajudariam outra pessoa na mesma situação. A escrita pode contribuir para esse processo. Registrar o que aconteceu, quais sentimentos surgiram e como a pessoa tem se tratado desde então ajuda a perceber padrões de culpa e a construir uma conversa interna menos agressiva.

Como recuperar o equilíbrio emocional?

Depois de reconhecer a dor e avaliar possíveis atitudes, o próximo passo é reorganizar a rotina de maneira gradual. Em vez de esperar que o incômodo desapareça completamente, a pessoa deve retomar atividades que ofereçam estrutura, prazer ou sensação de pertencimento.

Também pode ser útil estabelecer limites para o tempo dedicado a pensar no assunto. Quando a lembrança surgir, uma pausa consciente pode ajudar a identificar se há uma providência concreta a tomar ou se o pensamento apenas repete a situação. No segundo caso, mudar de atividade e voltar ao presente pode interromper esse ciclo. Outras atitudes podem contribuir:

  • Reservar momentos para atividades que tragam satisfação;
  • Manter contato com pessoas que ofereçam escuta e apoio;
  • Estabelecer limites em relações ou situações que continuam causando desgaste;
  • Reconhecer pequenas mudanças no próprio bem-estar;
  • Evitar decisões importantes tomadas apenas sob o efeito da raiva;

Em situações nas quais o sentimento de injustiça se torna persistente e começa a comprometer a rotina, os relacionamentos ou o bem-estar, buscar acompanhamento psicológico pode ser importante. Afinal, reconhecer a própria dor também faz parte de encontrar maneiras mais saudáveis de seguir em frente.

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