Virginia chamou atenção ao comentar que acorda com a barriga "mais seca" depois de beber. Mas médicos alertam que a sensação não significa desinchar nem emagrecer.
Segundo especialistas, o álcool provoca desidratação de forma imediata. Esse efeito pode até alterar a aparência no dia seguinte, mas traz prejuízos ao organismo.
A endocrinologista Dra. Deborah Beranger explica que o álcool inibe a vasopressina. Esse hormônio ajuda os rins a reabsorver água. Quando essa ação é bloqueada, o corpo perde mais líquido. O álcool também funciona como diurético, o que aumenta ainda mais essa perda.
Álcool não seca o corpo de forma saudável
A impressão de barriga mais seca pode enganar. Na prática, o que acontece é uma desidratação aguda. Isso não significa perda real de gordura corporal. Também não representa melhora no metabolismo.
A médica nutróloga Dra. Marcella Garcez lembra que não existe consumo seguro de álcool. Segundo ela, a substância é tóxica mesmo quando socialmente aceita.
Ela destaca ainda que o álcool tem 7 kcal por grama. Ou seja, também contribui para excesso calórico quando consumido em quantidade.
Esse conjunto de efeitos ajuda a explicar o ganho de peso associado à bebida. Por isso, o álcool não deve ser visto como aliado da estética.
Ressaca e desidratação caminham juntas
A sensação do dia seguinte costuma vir acompanhada de ressaca. Ela resulta de vários fatores combinados. Entre eles estão intoxicação, desidratação e alterações no sono. Também podem surgir inflamação gastrointestinal e mudanças nos neurotransmissores.
Os sintomas variam de pessoa para pessoa. Mas dor de cabeça, náusea, sede e boca seca estão entre os mais comuns. Sensibilidade à luz, irritação e tontura também podem aparecer. Quanto maior o consumo, maior tende a ser o desconforto.
Enxaqueca pode piorar com álcool
Virginia também convive com enxaqueca crônica. E esse é outro ponto de atenção. O neurologista Dr. Tiago de Paula explica que o álcool não causa enxaqueca, mas pode funcionar como gatilho em pessoas predispostas.
Em estudos citados pelo especialista, entre 20% e 30% dos pacientes relatam piora após beber. O vinho tinto aparece com frequência entre os mais associados às crises.
A relação, porém, não é igual para todo mundo. Algumas pessoas sentem o efeito em poucas horas, enquanto outras não percebem ligação direta.
O médico explica que a doença tem base neurológica e predisposição genética. O álcool apenas ativa um cérebro já suscetível. Substâncias como tiramina e histamina podem ajudar a disparar a crise. Taninos e sulfitos também entram entre os possíveis irritantes.
Além disso, desidratação e sono ruim favorecem o problema. Por isso, outras bebidas alcoólicas também podem desencadear episódios.
Como reduzir os efeitos da bebida
Alguns cuidados ajudam a minimizar os sintomas após o consumo. O mais importante é manter a hidratação durante a ingestão.
Beber água entre os goles reduz a perda de líquido. Essa prática também ajuda a aliviar parte do mal-estar no dia seguinte.
Os sinais de desidratação incluem sede, cansaço e boca seca. Dor de cabeça e câimbras também podem aparecer.
A alimentação pode colaborar na recuperação. Frutas e alimentos com glicose ajudam a repor energia. Eles também oferecem água, fibras, vitaminas e minerais. Esses nutrientes podem aliviar o desconforto gastrointestinal.
Mesmo assim, os especialistas reforçam moderação. O álcool não traz benefício estético e ainda pode afetar sono, peso e saúde.
O que fica de alerta no caso de Virginia
A fala de Virginia viralizou porque mexe com uma percepção comum. Muita gente associa bebida alcoólica a "secar" o corpo no dia seguinte.
Mas o efeito é temporário e vem da desidratação. Não se trata de emagrecimento real nem de melhora corporal.
O alerta médico é importante justamente por isso. A aparência pode mudar, mas o organismo segue sofrendo os impactos do álcool.