Uso excessivo de fones pode causar danos permanentes à audição

Volume elevado e exposição prolongada ao som podem danificar estruturas do ouvido interno

19 out 2026 - 14h50
Resumo
O uso excessivo de fones em alto volume e a frequência em locais barulhentos podem causar a perda auditiva induzida por ruído, danificando de forma irreversível células da cóclea. O perigo decorre da intensidade sonora combinada ao tempo de exposição, recomendando-se não superar 60% da potência dos aparelhos e fazer pausas. Sintomas de alerta incluem zumbido e ouvido abafado; caso persistam, a busca por avaliação médica é indispensável para evitar sequelas permanentes à saúde auditiva.

Fones de ouvido fazem parte da rotina de muitas pessoas. Eles são usados para ouvir música, acompanhar vídeos, jogar e estudar. O acessório, por si só, não é necessariamente prejudicial à saúde auditiva. O risco está principalmente na combinação entre o volume do som e o tempo de exposição.

Saiba reconhecer os sinais de alerta e veja como proteger a audição no dia a dia
Saiba reconhecer os sinais de alerta e veja como proteger a audição no dia a dia
Foto: Divulgação / Saúde em Dia

Quanto mais alto o volume, menor deve ser o período de contato com o ruído. A exposição repetida a sons intensos pode provocar a perda auditiva induzida por ruído (PAIR), condição relacionada a danos nas células sensoriais da cóclea, estrutura localizada no ouvido interno. Essas células são delicadas e têm capacidade muito limitada de regeneração.

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"Os danos ocorrem principalmente nas células sensoriais da cóclea, que são estruturas muito delicadas e que praticamente não se regeneram. Com exposições repetidas e intensas, esse dano pode se tornar permanente e progressivo", explica a Dra. Bruna Assis, otorrinolaringologista do Hospital Paulista.

Quais são os sinais de alerta para a perda auditiva?

Alguns sintomas podem surgir após a exposição a sons intensos, mesmo antes de a dificuldade para ouvir ficar evidente. Entre os sinais que merecem atenção estão:

  • Zumbido após ouvir música ou permanecer em ambientes barulhentos.
  • Sensação de ouvido tampado ou abafado.
  • Dificuldade para entender conversas em locais com muito ruído.
  • Dificuldade para perceber sons mais agudos.

O zumbido também pode continuar mesmo depois que a exposição ao som termina. Quando esses sinais se repetem, é importante procurar avaliação profissional. A identificação precoce ajuda a investigar possíveis alterações na audição e a orientar os cuidados necessários.

Quanto mais alto o volume, menor deve ser o tempo de exposição

O risco para a audição depende tanto da intensidade do som quanto da duração da exposição. Como referência, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que uma exposição a 80 decibéis (dB) por cerca de 40 horas semanais represente um limite de exposição recomendado. A 90 dB, esse período cai para aproximadamente quatro horas por semana.

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"É a combinação dos dois. Quanto maior o volume, menor deve ser o tempo de exposição. E quanto mais tempo a pessoa permanece exposta, menor deveria ser a intensidade", orienta a médica.

Na prática, vale manter o volume moderado e fazer pausas durante o uso dos fones. Uma recomendação prática é evitar ultrapassar cerca de 60% da capacidade máxima do aparelho. Essa porcentagem, porém, não garante por si só um nível sonoro seguro, pois a intensidade real varia conforme o dispositivo, o fone e a gravação.

Também é importante lembrar que os limites de exposição são referências, e não uma garantia de segurança para todas as pessoas. O risco depende do nível sonoro efetivo, do tempo de contato e da repetição das exposições.

Fone intra-auricular é mais prejudicial à audição?

O modelo do fone não é o principal fator associado à perda auditiva induzida por ruído. O que mais importa é a intensidade do som e o tempo de exposição. Por isso, fones intra-auriculares não são necessariamente mais prejudiciais à audição do que os modelos externos.

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No entanto, os dispositivos inseridos no canal auditivo podem estar associados a outros problemas, como infecções na parte externa do ouvido, acúmulo de cerume e eczema. O risco pode ser maior em pessoas que já apresentam predisposição a essas condições.

"Pacientes com maior predisposição a essas patologias podem dar preferência ao uso de fones do tipo concha para evitar esses tipos de complicações", explica a Dra. Bruna.

O risco não está apenas nos fones de ouvido

Mesmo quem controla o volume dos fones pode ficar exposto a níveis elevados de ruído em outros ambientes. Shows, festas, baladas, festivais, academias e eventos esportivos com som amplificado também podem representar riscos à audição.

A proximidade das caixas de som e o tempo de permanência nesses locais aumentam a exposição. Por isso, a prevenção precisa considerar os diferentes ambientes frequentados ao longo da semana, e não apenas o uso dos fones.

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Em locais muito barulhentos, uma medida de proteção é utilizar protetores auriculares adequados. Eles são especialmente úteis quando não é possível reduzir o volume ou se afastar da fonte sonora.

O protetor, porém, não elimina a necessidade de limitar o tempo de exposição. Sempre que possível, também é recomendável fazer pausas e permanecer em áreas mais afastadas das caixas de som.

Qual é o tempo de exposição recomendado para cada nível de ruído?

A intensidade sonora é medida em decibéis (dB). Quanto maior esse valor, menor deve ser o tempo de exposição para reduzir o risco de danos à audição.

Segundo as referências apresentadas pela OMS, a relação entre intensidade sonora e tempo de exposição é:

  • 80 dB: até 40 horas por semana.
  • 85 dB: até 12 horas e 30 minutos por semana.
  • 90 dB: até 4 horas por semana.
  • 95 dB: até 1 hora e 15 minutos por semana.
  • 100 dB: até 20 minutos por semana.
  • 105 dB: até 8 minutos por semana.
  • 110 dB: até 2 minutos e 30 segundos por semana.

Esses valores servem como referência para a exposição sonora e não representam uma garantia de segurança absoluta. O risco também varia conforme as características individuais e a frequência com que a pessoa entra em contato com sons intensos.

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Por isso, controlar o volume, reduzir o tempo de exposição e fazer pausas são medidas importantes para proteger a audição. Também é necessário observar possíveis sinais de alerta, como zumbido recorrente após ouvir música, sensação persistente de ouvido abafado ou dificuldade para compreender conversas em ambientes barulhentos.

Se esses sintomas aparecerem repetidamente, procure avaliação profissional. Identificar alterações auditivas e rever os hábitos de exposição ao ruído são passos importantes para prevenir danos permanentes.

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