Saúde mental dos jovens piora em 92 países e acende alerta global, aponta estudo

Levantamento com 50 mil participantes encontrou menor vitalidade, estabilidade emocional e resiliência entre as faixas etárias mais jovens

4 nov 2026 - 18h37
Resumo
Um estudo da Universidade Columbia com 50 mil pessoas em 92 países revelou que os jovens enfrentam uma piora significativa na saúde mental, marcada por baixa resiliência e estabilidade emocional, ao contrário de faixas etárias mais velhas. A pesquisa associou maior bem-estar a fatores como maior renda, alta escolaridade, trabalho híbrido e convívio familiar, ressaltando a urgência de políticas públicas concretas com foco em segurança econômica e acesso a tratamentos para conter essa crise global.

A saúde mental dos jovens apresentou resultados significavamente mais baixos em um levantamento internacional com cerca de 50 mil pessoas de 92 países. Entre os pontos que mais pesaram nessa diferença aparecem menor vitalidade, estabilidade emocional e resiliência.

A saúde mental foi associada também a fatores como renda, escolaridade, emprego, moradia e modelo de trabalho
A saúde mental foi associada também a fatores como renda, escolaridade, emprego, moradia e modelo de trabalho
Foto: Canva Equipes/Mojo_cp / Bons Fluidos

A pesquisa foi liderada por pesquisadores da Escola de Saúde Pública Mailman, da Universidade Columbia, e publicada na revista Social Indicators Research. Os dados também mostraram resultados relativamente melhores entre participantes mais velhos em aspectos como relacionamentos e senso de propósito.

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Saúde mental dos jovens apresenta sinais de fragilidade

Os participantes responderam a perguntas sobre autoestima, otimismo, emoções positivas, engajamento, competência e vitalidade. Ademais, o estudo avaliou sintomas associados a estresse, depressão e ansiedade, além da satisfação geral com a vida.

Os resultados, então, colocaram as faixas etárias mais jovens entre as que apresentaram maior dificuldade em alguns desses indicadores. "Essas descobertas são mais do que apenas um sinal para os formuladores de políticas de que soluções são necessárias para melhorar a saúde mental entre os jovens ou aqueles que lutam para sobreviver", afirmou Kai Ruggeri, principal autor do estudo, em comunicado.

Na avaliação do pesquisador, os dados ainda indicam um problema que já afeta populações inteiras. "Na verdade, são um sinal vermelho piscante de que populações inteiras já estão sofrendo e sentem que sua resiliência está diminuída aqui e agora, não apenas uma preocupação para um futuro incerto", disse.

Relações e propósito aparecem entre os melhores resultados

Apesar dos sinais negativos, algumas dimensões tiveram pontuações mais altas. Relacionamentos, significado, competência, engajamento e autoestima ficaram entre elas. De acordo com os especialistas, esse contraste pode refletir uma diferença entre a maneira como as pessoas avaliam a própria vida e como percebem fatores externos.

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Assim, alguém pode se sentir relativamente satisfeito com suas relações pessoais, mas demonstrar preocupação diante de instabilidade econômica, política ou outras situações fora de seu controle.

Renda e escolaridade aparecem associadas a melhores índices

Ademias, os dados também mostraram ligação entre condições socioeconômicas e bem-estar. Isso porque pessoas empregadas e com renda mais alta apresentaram melhores resultados. O estudo não identificou um limite específico: conforme aumentavam os recursos disponíveis, os índices também tendiam a subir.

A escolaridade seguiu padrão semelhante. Em muitos países, participantes com ensino médio ou menos registraram níveis inferiores de bem-estar, enquanto graus adicionais de formação apareceram associados a pontuações melhores.

Trabalho e moradia também entram nessa relação

O modelo de trabalho apresentou diferenças. Participantes em regime híbrido tiveram resultados melhores do que aqueles que trabalhavam de forma totalmente remota. A composição da casa ainda apareceu associada ao bem-estar.

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Pessoas que não moravam sozinhas registraram pontuações superiores, e famílias maiores tiveram resultados mais positivos. Essas associações, contudo, não significam que um único fator determine a condição emocional de alguém. Os autores alertam que os resultados não devem servir para estabelecer um ranking simples entre as nações analisadas.

Diferenças culturais, características dos participantes e até a forma como cada pessoa interpreta uma pesquisa internacional podem interferir nas respostas. Mesmo com essas limitações, a equipe considera que o tamanho da amostra reforça a importância de observar as tendências encontradas.

Autor defende medidas concretas

Ruggeri argumentou que respostas genéricas não são suficientes diante do cenário identificado. Entre os pontos mencionados por ele estão segurança econômica, esgotamento profissional, perspectivas futuras e acesso ao tratamento.

"Os líderes não podem mais usar platitudes vagas que apenas acenam com a mão para investir em iniciativas genéricas de saúde mental. Eles precisam assumir compromissos concretos com ações significativas", afirmou.

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