Quem nunca sofreu com uma rinite chata ou alguma coceira na pele que descobriu ser uma dermatite? Pois bem, essas são algumas das alergias mais comuns em todo o mundo e podem afetar pessoas de qualquer idade. Elas acontecem como uma resposta exagerada do sistema imunológico a uma substância estranha ao corpo.
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Para a conscientização de autoridades, profissionais de saúde e a população sobre a importância de prevenir, diagnosticar e tratar doenças alérgicas, é realizada todos os anos a Semana Mundial da Alergia, que em 2026 tem como tema ‘Cuidado com a Alergia é Cuidado Essencial’.
Ao Terra, a médica alergista e imunologista, Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), aponta que essas doenças inflamatórias podem acontecer em quase qualquer parte do corpo, como sistema respiratório, digestivo e pele, seja por:
- alimentos;
- medicamentos;
- pelos de animais;
- ácaro;
- látex;
- picadas de insetos;
- estresse emocional;
- e até exercícios físicos;
“Cada vez mais a gente nota um número crescente dessas alergias, não só no Brasil, mas no mundo como um todo por vários fatores. Os ambientes mais fechados que a gente vive, a industrialização de alimentos que podem ser desencadeantes das alergias alimentares, por exemplo, as mudanças climáticas que impactam também nas doenças do aparelho respiratório principalmente, a urbanização, o fato de a gente morar cada vez mais encaixotado em ambientes menos ventilados, menos arejados, menos ensolarados”, cita.
E é importante ficar de olho, pois muitas delas podem levar à morte, caso não sejam tratadas, como a asma e as alergias alimentares.
Rinite
Segundo a especialista, existe uma prevalência de rinite, considerando todas as doenças alérgicas, de 30 a 40% da população no mundo todo, principalmente entre crianças e adolescentes.
Geralmente, ela aparece por substâncias alérgenas que estão dispersas no ar, como poeira, ácaros, mofo, pólens e pelos de animais, que levam o paciente a apresentar quadro de espirro, coceira no nariz, entupimento e coriza.
“Esses casos pioram nessa época do ano, no outono e no inverno, porque o ar fica mais seco, e esses alérgicos não se depositam, porque chove menos e acabam contaminando mais as pessoas”, exemplifica.
O quadro pode piorar ainda com a virose, também comum nesta época do ano, tornando os sintomas mais fortes, o que também pode levar a outras doenças, como sinusite ou otite, e fazer o paciente precisar recorrer ao atendimento médico.
Asma
Com uma incidência menor, cerca de 15% a 20% da população, sobretudo a pediátrica, a asma pode sofrer os mesmos agravos do que a rinite com mudanças de temperatura e a dispersão de alérgenos no ar, e fumaça, como a do cigarro. Entre os sintomas, estão chiado no peito, tosse, falta de ar, e sensação de aperto na região do tórax.
“Quando junta o tabagismo e a asma, essas pessoas vão ficar muito mais doentes o tempo todo e isso vai ter repercussões lá na idade adulta, no final da vida, onde eles podem ter um enfisema pulmonar, câncer pulmonar e ter toda essa saúde respiratória muito mais comprometida”, ressalta Fátima Rodrigues.
Tanto para rinite e asma, o ideal é manter o ambiente doméstico sempre limpo e arejado, além de manter a carteirinha de vacinação em dia, para evitar complicações.
Dermatite atópica
Além das respiratórias, outra alergia bem comum é a dermatite atópica, uma doença inflamatória crônica, que acomete a pele. Ela tem uma prevalência maior em adolescentes e crianças – cerca de 10% dessa população —, que pode variar desde algo muito leve ou muito grave, que chega a atrapalhar o sono e a sociabilização.
Entre os sintomas estão a secura, coceira, lesões avermelhadas, podendo evoluir para uma infecção. “Esse é o tipo de doença que impacta muito a qualidade de vida da pessoa. A gente vê com frequência os pacientes com dermatite atópica se isolando, não querendo aparecer quando tem lesões visíveis, não querendo ir à praia, não querendo usar roupas mais abertas no verão”, aponta a especialista.
E ela pode interferir e muito na qualidade de vida, não só pelo que pode causar na autoestima do paciente, mas no incômodo físico também.
Alergias alimentares
Elas surgem diante de hábitos alimentares ruins, como o consumo de alimentos industrializados, que podem levam à inflamação da mucosa intestinal, fazendo com que ela perca a barreira protetiva que impede essa inflamação.
Conforme explica a médica, os alimentos que estão mais frequentemente envolvidos em crianças com alergia alimentar são o leite de vaca, o ovo, a soja, o trigo, amendoim e outras castanhas, além de frutos do mar. Mas adultos não estão livres de desenvolvê-las.
“Em relação a essas alergias graves, os alimentos são desencadeantes importantes, principalmente na infância”.
Medicamentos e picadas de inseto
Outra alergia considerada grave é à medicamentos e alguns insetos venenosos, como abelha, vespa ou marimbondo. “As duas levam a possibilidade da anafilaxia [reação alérgica grave] e esse tipo de condição é uma condição emergencial que deve ser feito o resgate imediato para que essa pessoa não tenha um desfecho ruim”, destaca a médica.
Independente de qual alergia acometer o paciente, a recomendação é sempre procurar por atendimento médico especializado para apontar o tratamento adequado.