A deficiência de ferro pode afetar o ciclo capilar e favorecer a queda difusa dos fios, mesmo sem anemia, mas não deve ser vista como a única causa do problema. Fatores genéticos, hormonais e estresse também geram perda capilar, e as evidências sobre a relação direta entre ferro e calvície ainda divergem na literatura científica. Por isso, a automedicação não é indicada: uma queda persistente exige avaliação médica e exames para diagnosticar a real origem antes de iniciar qualquer suplementação.
Encontrar muitos fios no travesseiro, no ralo do chuveiro ou na escova pode causar preocupação. Principalmente quando a queda de cabelo se torna frequente ou intensa.
Existem várias causas possíveis para a perda de cabelo. Entre elas, está a deficiência de ferro. Essa relação pode existir até mesmo quando a pessoa ainda não apresenta anemia.
O mineral participa de diferentes processos do organismo. Ele também tem papel importante no funcionamento dos folículos capilares.
Quando os estoques de ferro estão reduzidos, essa deficiência pode estar associada a alterações no ciclo de crescimento dos fios. Uma delas é o eflúvio telógeno, que provoca uma queda mais intensa e espalhada pelo couro cabeludo.
"A deficiência de ferro não deve ser considerada automaticamente a causa da queda de cabelo, porque existem diversos fatores envolvidos na saúde dos fios. No entanto, diante de uma queda persistente ou difusa, é importante investigar possíveis deficiências nutricionais, entre outras causas. A avaliação dos estoques de ferro pode fazer parte dessa investigação", explica o Dr. Carlos Alberto Reyes Medina, Diretor Médico da Carnot Laboratórios.
Qual é a relação entre ferro e cabelo?
O crescimento dos fios acontece em ciclos. Durante a fase de crescimento, o folículo apresenta alta atividade metabólica e precisa de nutrientes para funcionar.
O ferro participa de processos celulares importantes. Por isso, sua deficiência é estudada como um possível fator associado a alterações no ciclo capilar.
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2022 reuniu 36 estudos e 10.029 participantes. Os pesquisadores encontraram níveis de ferritina significativamente mais baixos em mulheres com alopecia não cicatricial do que naquelas sem a condição.
A ferritina é um dos principais marcadores usados para avaliar os estoques de ferro.
Apesar do resultado, os próprios autores destacaram que a relação entre deficiência de ferro e queda de cabelo ainda não está completamente estabelecida.
Outro estudo, publicado no Journal of the American Academy of Dermatology, avaliou 381 mulheres com diferentes tipos de queda de cabelo e 76 mulheres sem histórico de perda capilar.
Os pesquisadores encontraram deficiência de ferro em parte das participantes. Porém, não observaram uma frequência significativamente maior da deficiência entre as mulheres com queda de cabelo.
Os resultados reforçam que a relação entre os dois fatores não é simples. Por isso, outras possíveis causas também precisam ser consideradas.
Queda de cabelo pode ser sinal de deficiência de ferro?
Não necessariamente.
A perda de cabelo pode estar relacionada a alterações hormonais, predisposição genética e doenças da tireoide. Estresse físico ou emocional, infecções, mudanças importantes na alimentação e perda de peso também podem estar envolvidos.
Existem ainda diferentes tipos de deficiências nutricionais que podem contribuir para o problema.
Uma das formas mais comuns de queda é o eflúvio telógeno. Nesse caso, ocorre um aumento generalizado da perda dos fios.
O quadro pode aparecer alguns meses depois de um evento desencadeante. Entre os exemplos estão febre alta, cirurgia, parto, perda significativa de peso e períodos de estresse.
Por isso, apenas observar a quantidade de fios que caem não permite identificar a causa.
Em algumas situações, exames laboratoriais podem complementar a avaliação clínica. A ferritina é um dos exames usados para investigar os estoques de ferro.
A interpretação do resultado, porém, deve considerar o contexto clínico do paciente. Isso porque os níveis de ferritina também podem sofrer influência de processos inflamatórios.
"Uma queda de cabelo persistente merece investigação, principalmente quando não há uma causa evidente. A avaliação médica permite entender se existe deficiência de ferro ou outro fator contribuindo para o quadro, em vez de simplesmente iniciar uma suplementação sem saber o que está provocando a queda", afirma o Dr. Carlos.
Suplementação de ferro faz o cabelo crescer novamente?
Essa é uma dúvida comum, mas a suplementação não deve ser feita por conta própria.
Corrigir uma deficiência de ferro identificada é importante para a saúde. Porém, ainda existem limitações nas evidências sobre quanto a reposição do mineral, sozinha, pode melhorar diferentes tipos de queda de cabelo.
Uma revisão publicada no Journal of the American Academy of Dermatology apontou que os estudos sobre deficiência de ferro e perda capilar apresentam resultados divergentes.
Além disso, é importante investigar por que os estoques de ferro estão baixos.
Perdas de sangue, alimentação inadequada e alterações na absorção intestinal estão entre os fatores que podem contribuir para a deficiência. Outras condições também podem estar envolvidas, dependendo de cada caso.
Quando procurar avaliação médica?
Uma queda de cabelo persistente ou intensa merece atenção. O mesmo vale quando a perda dos fios aparece acompanhada de outros sintomas.
Cansaço, fraqueza, palidez e redução da tolerância aos esforços são alguns exemplos citados no release.
Nessas situações, a avaliação profissional pode ajudar a investigar a origem do problema. Assim, é possível verificar se existe deficiência de ferro ou outro fator relacionado à queda.
O mais importante é não assumir que o mineral é a causa apenas pela presença da perda de cabelo. A queda capilar tem múltiplas causas e precisa ser investigada de forma individualizada.