A pubalgia, comum entre esportistas, causa dor na virilha e pode estar ligada a problemas no quadril, como impacto femoroacetabular. Especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce para evitar complicações e manter a qualidade de vida. O tratamento varia de fisioterapia a artroscopia, com altas taxas de recuperação. 🏃♀️💪
Quem pratica esportes como futebol, corrida, beach tennis ou cross training já deve ter ouvido falar da pubalgia. A condição costuma provocar dor na virilha e frequentemente é tratada como uma simples lesão muscular. No entanto, especialistas alertam que, em muitos casos, a verdadeira origem do problema está no quadril.
Segundo o ortopedista e cirurgião de quadril Dr. Thiago Fuchs, alterações mecânicas na articulação podem sobrecarregar a região da pelve e da virilha, fazendo com que a dor persista por meses quando a causa não é identificada corretamente.
"A dor na virilha não deve ser considerada normal, principalmente quando persiste por semanas ou meses. Quanto mais cedo identificamos a causa, maiores são as chances de evitar a progressão da lesão, preservar a articulação do quadril e devolver ao paciente uma vida ativa e sem limitações", explica.
Pubalgia pode esconder um problema no quadril
A pubalgia é uma das principais causas de dor na região da virilha entre atletas profissionais e amadores. Estudos internacionais apontam que a condição acomete entre 4% e 19% dos jogadores profissionais de futebol, enquanto cerca de 55% dos atletas apresentam algum episódio de dor no quadril ou na virilha ao longo de um ano.
Nos últimos anos, pesquisas também identificaram uma forte relação entre a pubalgia e o impacto femoroacetabular, uma alteração estrutural do quadril que modifica a mecânica dos movimentos.
"Hoje sabemos que uma parcela importante dos casos de pubalgia está associada ao impacto femoroacetabular. Quando existe essa alteração mecânica, o organismo passa a compensar os movimentos, gerando sobrecarga nas estruturas da pelve, da virilha e da musculatura", afirma o Dr. Thiago Fuchs.
Em um dos estudos, sinais dessa alteração foram encontrados em até 86% dos atletas com dor púbica.
Quais esportes apresentam maior risco?
Embora seja bastante conhecida entre jogadores de futebol, a pubalgia também pode afetar quem pratica:
- Corrida;
- Beach tennis;
- Tênis;
- Artes marciais;
- Cross training;
- Esportes de quadra.
Os sintomas costumam surgir de forma gradual. No início, a dor aparece apenas após treinos intensos, mas pode evoluir até limitar caminhadas, subir escadas e outras atividades do dia a dia.
Como é feito o tratamento?
Quando o diagnóstico acontece nas fases iniciais, o tratamento costuma ser conservador, com fisioterapia especializada, fortalecimento da musculatura do core e do quadril, exercícios de mobilidade e correção dos padrões de movimento.
Já nos casos em que existe uma alteração estrutural importante, a artroscopia do quadril pode ser indicada. O procedimento é minimamente invasivo e apresenta índices de retorno ao esporte próximos de 90%, permitindo que muitos atletas retomem as atividades sem dor.
Não ignore a dor na virilha
Além do tratamento, a prevenção também faz diferença. Fortalecimento muscular, ganho de mobilidade, correção de desequilíbrios biomecânicos e avaliação médica diante de dores persistentes ajudam a reduzir o risco de complicações.
Para o Dr. Thiago Fuchs, normalizar o desconforto pode atrasar o diagnóstico e comprometer tanto o desempenho esportivo quanto a qualidade de vida.
"Hoje dispomos de recursos diagnósticos avançados e tratamentos altamente eficazes. O mais importante é não normalizar a dor e procurar ajuda especializada o quanto antes", conclui.