A psoríase vai além das lesões na pele: por ser uma condição inflamatória crônica, ela eleva o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC. O impacto varia segundo histórico familiar e estilo de vida, sendo agravado por fatores como estresse e obesidade. Por isso, especialistas recomendam um acompanhamento médico integrado e preventivo, que alia o tratamento dermatológico ao controle da pressão, glicemia e colesterol, somados à adoção de hábitos saudáveis e suporte emocional.
A psoríase é conhecida principalmente pelas manchas avermelhadas e descamativas que podem surgir na pele, mas seus efeitos não se limitam às manifestações dermatológicas. Por ser uma doença inflamatória crônica, ela também está associada a um maior risco de problemas cardiovasculares, o que torna importante ampliar o acompanhamento médico e observar a saúde de forma integral.
"A condição ocorre quando o sistema imunológico provoca uma renovação acelerada das células da pele, levando ao aparecimento das lesões características. No entanto, o processo inflamatório envolvido na doença pode ter repercussões em outras partes do organismo. Estudos apontam uma associação entre a psoríase e uma maior ocorrência de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC)", explica Silvana Lopes, cardiologista e professora do curso de Medicina do Centro Universitário Unime.
Atenção com a psoríase vai além da pele
Segundo a médica, essa relação reforça a necessidade de avaliar não apenas a extensão das lesões cutâneas, mas também outros fatores que podem comprometer a saúde ao longo do tempo. O acompanhamento com o dermatologista continua sendo essencial, mas pode ser complementado por avaliações clínicas e, quando necessário, pelo atendimento de outros profissionais de saúde.
"O estresse físico e emocional pode desencadear crises de psoríase ou agravar lesões existentes, ao estimular processos inflamatórios no organismo. Por sua vez, os sintomas visíveis e o desconforto causados pela doença podem aumentar a ansiedade e o estresse, criando um ciclo que pode ser amenizado com acompanhamento psicológico e práticas de relaxamento", salienta.
Inflamação crônica e risco cardiovascular
A inflamação é uma resposta natural do organismo a diferentes estímulos. No caso da psoríase, porém, esse processo se mantém ativo de forma crônica e envolve substâncias inflamatórias que participam da resposta imunológica. "É importante destacar que nem todas as pessoas com psoríase desenvolverão doenças cardíacas. O risco individual depende de diversos fatores, como idade, histórico familiar, tabagismo, sedentarismo, excesso de peso, hipertensão arterial, diabetes e alterações nos níveis de colesterol", alerta Silvana Lopes.
A presença da doença, entretanto, merece atenção durante a avaliação clínica, principalmente quando as manifestações são extensas ou persistentes. Identificar precocemente os fatores de risco permite orientar medidas preventivas e, quando indicado, iniciar o tratamento adequado.
Quais exames e avaliações merecem atenção?
Entre os aspectos que podem ser avaliados durante as consultas, estão:
- Pressão arterial: ajuda a identificar a hipertensão, condição que pode evoluir sem sintomas e aumentar o risco de infarto e AVC;
- Colesterol e triglicerídeos: permitem verificar alterações nos níveis de gorduras no sangue associadas ao risco cardiovascular;
- Glicemia: auxilia na identificação de alterações no controle do açúcar no sangue e na investigação de diabetes;
- Peso e circunferência abdominal: contribuem para avaliar a presença de excesso de peso e obesidade, fatores relacionados ao risco metabólico;
- Hábitos de vida e histórico familiar: ajudam a identificar outros fatores que podem influenciar a saúde do coração.
Cuidado integral com a saúde
Além do tratamento dermatológico, hábitos saudáveis têm papel importante na redução dos fatores de risco cardiovascular. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, evitar o tabagismo, moderar o consumo de bebidas alcoólicas e buscar um sono adequado são medidas que contribuem para a saúde geral.
Também é importante seguir o tratamento prescrito para a psoríase e não interromper ou modificar medicamentos sem orientação médica. "O controle da doença e o acompanhamento de possíveis condições associadas devem fazer parte de um plano de cuidado individualizado", conclui Silvana Lopes.
Por Camila Crepaldi