Um estudo com quase 500 mil adultos por 15 anos revelou que a poluição por partículas finas (PM2,5) é mais perigosa ao coração do que se pensava. Além da quantidade, a composição química das partículas influencia o risco de infarto e AVC. Elementos como carbono negro, cloreto e sulfato foram os mais nocivos, pois entram na corrente sanguínea e causam inflamações. O achado aponta que o controle da poluição deve focar também na toxicidade dos componentes para prevenir doenças cardiovasculares.
02 de outubro de 2026 (Bibliomed). A poluição do ar causada por partículas finas, conhecidas como PM2,5, pode representar um risco ainda maior para a saúde cardiovascular do que se imaginava. Um amplo estudo realizado com quase meio milhão de adultos mostrou que, além da quantidade dessas partículas no ar, a composição química delas também influencia o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras doenças dos vasos sanguíneos.
Os participantes foram acompanhados durante cerca de 15 anos, período em que mais de 196 mil desenvolveram alguma doença cardiovascular. Os pesquisadores observaram que partículas com maior concentração de carbono negro, cloreto e sulfato estiveram associadas a um aumento mais expressivo do risco.
As PM2,5 são extremamente pequenas e conseguem alcançar os pulmões e a corrente sanguínea, favorecendo processos inflamatórios que prejudicam o coração e os vasos.
Os resultados indicam que políticas de controle da poluição devem considerar não apenas a quantidade de partículas presentes no ar, mas também sua composição química. Identificar e reduzir os componentes mais tóxicos pode trazer benefícios importantes para a prevenção de doenças cardiovasculares e para a saúde da população.
Fonte: JACC. DOI: 10.1016/j.jacc.2025.12.006.