Diferenciar gordura localizada de lipedema é essencial durante o emagrecimento, sobretudo para as mulheres. Enquanto a gordura comum diminui com a perda de peso e não gera dor, o lipedema é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional e simétrico de gordura em pernas e braços, poupando pés e mãos. Ele causa sensibilidade ao toque, hematomas frequentes e inchaço. Como o emagrecimento isolado não cura a condição, sintomas persistentes exigem avaliação vascular especializada.
Durante o emagrecimento, nem todas as partes do corpo perdem medidas no mesmo ritmo. Isso pode gerar uma dúvida comum: o volume que permanece em determinadas regiões é gordura localizada ou pode indicar lipedema?
A questão ganha importância diante do aumento do excesso de peso entre as mulheres, público mais afetado pelo lipedema. Segundo a pesquisa Vigitel Brasil 2006-2024, divulgada em 2026 pelo Ministério da Saúde, o percentual de mulheres acima do peso nas capitais brasileiras e no Distrito Federal passou de 38,5% para 60,6% no período. Entre elas, a obesidade avançou de 12,1% para 26,7%.
De acordo com o Dr. Edson Ramuth, médico e fundador do Emagrecentro, a gordura localizada é um depósito concentrado em áreas como abdômen, flancos, quadris e coxas. Já o lipedema é uma doença crônica, mais comum entre as mulheres. A condição provoca aumento desproporcional de gordura, geralmente nas pernas e, em alguns casos, nos braços.
Dor, sensibilidade, inchaço e facilidade para desenvolver hematomas também podem acompanhar o quadro. "O lipedema e o excesso de peso podem existir ao mesmo tempo. Por isso, observar a distribuição da gordura, os sintomas e a resposta do corpo ao emagrecimento ajuda a identificar quando é necessário buscar uma avaliação específica", explica.
A seguir, o médico aponta quatro diferenças que podem ajudar a distinguir a gordura localizada do lipedema durante o processo de emagrecimento.
1. Padrão simétrico nas pernas ou nos braços
A gordura localizada pode aparecer no abdômen, nos flancos, nas coxas ou em outras partes do corpo. Ela não necessariamente segue a mesma proporção nos dois lados.
No lipedema, o aumento de volume tende a ocorrer de maneira semelhante nas duas pernas ou nos dois braços. Pés e mãos geralmente são preservados. Isso pode formar uma espécie de "degrau" na altura dos tornozelos ou dos punhos.
"Quando o tronco perde medidas, mas as extremidades continuam proporcionalmente maiores e com uma distribuição parecida, é importante verificar se existem outras manifestações", esclarece o médico.
2. Dor e sensibilidade ao toque
A gordura localizada, isoladamente, não costuma causar dor quando a área é pressionada. Já o lipedema pode provocar incômodo espontâneo, sensibilidade ao toque e sensação de peso nas regiões afetadas.
A redução da massa corporal pode aliviar parte da sobrecarga sobre as articulações. Ainda assim, essas queixas podem continuar.
"Se tocar ou pressionar o local causa desconforto, ou se as pernas permanecem doloridas e pesadas durante o emagrecimento, o problema não deve ser interpretado somente como dificuldade para perder medidas", orienta Ramuth.
3. Hematomas e inchaço frequentes
Manchas roxas recorrentes e edema não são características esperadas apenas pela presença de depósitos de gordura. No lipedema, os hematomas podem surgir após pequenos impactos ou mesmo sem uma causa percebida.
O inchaço também tende a se intensificar ao longo do dia. Isso pode acontecer depois de períodos prolongados em pé.
"Esses sinais precisam ser relatados durante a consulta porque também podem estar relacionados a outras doenças. O histórico clínico e o exame físico são fundamentais para compreender a origem das queixas", recomenda o médico.
4. Ritmos diferentes na perda de medidas
A gordura relacionada ao excesso de peso tende a diminuir com a redução da massa corporal, embora determinadas áreas possam responder mais lentamente.
No lipedema, também pode haver perda de volume. Porém, a evolução varia. A desproporção entre o tronco e as extremidades pode continuar perceptível.
"O número mostrado na balança não confirma nem descarta o diagnóstico. É preciso analisar o formato corporal, os sintomas e a evolução das medidas durante o acompanhamento", destaca.
Por fim, o Dr. Ramuth reforça que emagrecer não cura o lipedema. Ainda assim, a perda de peso pode trazer benefícios importantes quando a pessoa também apresenta sobrepeso ou obesidade.
"A diminuição da gordura corporal contribui para a saúde metabólica, reduz a sobrecarga nas articulações e favorece a mobilidade. Caso a desproporção permaneça acompanhada de dor, sensibilidade, manchas roxas ou inchaço, a orientação é procurar um médico, preferencialmente angiologista ou cirurgião vascular, para esclarecer o diagnóstico e definir os cuidados adequados", conclui.