40% dos brasileiros têm dificuldades para identificar médicos falsos online

Pesquisa do Olá Doutor mostra que pacientes têm dúvidas sobre médicos, plataformas de telemedicina e uso de dados pessoais.

2 out 2026 - 13h22
Resumo
Pesquisa da plataforma Olá Doutor revela que 40,4% dos brasileiros têm dificuldade para identificar médicos falsos ou serviços fraudulentos de telemedicina, cenário agravado pelo uso de inteligência artificial. Embora 46% da população já utilize consultas virtuais, persistem fortes inseguranças sobre a autenticidade dos profissionais e a privacidade dos dados pessoais. Diante desses riscos, especialistas recomendam checar registros médicos e a credibilidade dos sites para evitar golpes online.

Profissionais gerados por inteligência artificial, golpes em consultas e plataformas falsas já fazem parte dos riscos do ambiente digital. Nesse cenário, cerca de 4 em cada 10 pacientes têm dificuldade para reconhecer médicos falsos ou serviços ilegítimos de telemedicina.

Foto: Nattakorn Maneerat/Getty Images
Foto: Nattakorn Maneerat/Getty Images
Foto: Saúde em Dia

Os dados são de um estudo do Olá Doutor, plataforma de consultas que conecta pacientes a médicos. A pesquisa ouviu 500 adultos de todas as regiões do país.

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O levantamento analisou como os brasileiros usam a telemedicina. Também identificou as principais dúvidas sobre segurança, dados pessoais e autenticidade dos profissionais.

Médicos falsos preocupam pacientes

Segundo a pesquisa, 40,4% dos entrevistados têm dificuldade ou não saberiam reconhecer uma plataforma de telemedicina falsa. Outros 37,8% afirmam que conseguiriam identificar esse tipo de fraude apenas parcialmente.

A insegurança também envolve os médicos que aparecem em vídeos e consultas online. Para 34,2% dos participantes, é difícil reconhecer imagens de profissionais geradas por inteligência artificial.

Esses conteúdos podem usar personagens com aparência e voz realistas. Em muitos casos, divulgam orientações sem comprovação científica, livros digitais e outros produtos.

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O Conselho Federal de Medicina (CFM) alerta que os chamados "médicos fake" vêm ganhando espaço nas redes sociais. Pessoas idosas estão entre os principais públicos atingidos por esse tipo de conteúdo.

"Com a popularização da inteligência artificial e o crescimento de conteúdos de saúde nas redes, é natural que o paciente tenha dúvidas sobre em quem confiar", comenta Anderson Zilli, CEO do Olá Doutor.

Telemedicina já faz parte da rotina

A pesquisa mostra que 46% dos entrevistados já tiveram alguma experiência com telemedicina. A modalidade é procurada em diferentes situações do dia a dia.

Os principais motivos citados foram:

  1. Avaliação rápida de sintomas: 53,4%.

  2. Consultas de rotina: 50%.

  3. Esclarecimento de dúvidas: 47,6%.

  4. Prescrição ou renovação de medicamentos: 33,6%.

  5. Avaliação de resultados de exames: 32%.

A experiência também apresenta resultados positivos. Ao todo, 37,8% dos participantes relataram experiências favoráveis com consultas online.

Além disso, 25,4% disseram ter se sentido mais confortáveis com o atendimento digital do que esperavam. Outros 19,2% já recomendaram uma plataforma ou serviço de telemedicina.

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Médicos e dados geram dúvidas

O crescimento das consultas online trouxe novas preocupações aos pacientes. Entre elas, estão o uso, o armazenamento e o compartilhamento de informações pessoais.

De acordo com o estudo, 47% dos entrevistados não sabem como seus dados são armazenados pelas plataformas. Já 47,6% questionam quem pode acessar essas informações.

Outras dúvidas aparecem sobre o uso dos dados pela própria empresa. Para 40% dos participantes, não está claro como as plataformas podem utilizar essas informações.

A pesquisa também mostrou que 35% dos entrevistados querem saber se seus dados são compartilhados com outras empresas. Outros 34,4% questionam o destino dos dados após a consulta.

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Como identificar uma plataforma segura

Entre os entrevistados que afirmam conseguir reconhecer um serviço confiável, alguns sinais aparecem com mais frequência.

Os principais critérios são:

  • Endereço e site da plataforma: 57,4%.

  • Reputação e credibilidade do serviço: 49,2%.

  • CNPJ e informações da empresa responsável: 47,8%.

  • Avaliações e comentários de outros usuários: 45,6%.

  • Registro ou autorização da empresa: 42,6%.

  • Dados e registros dos profissionais médicos: 42,4%.

  • Sinais de segurança do site ou da plataforma: 35,6%.

  • Informações de contato da empresa: 34,2%.

Antes de marcar uma consulta, o paciente deve verificar se a plataforma informa claramente quem é a empresa responsável. Também é importante conferir os dados do médico e desconfiar de perfis sem credenciais.

A ausência de informações básicas pode indicar um risco. Sites com erros, contatos genéricos e promessas exageradas também exigem atenção.

Orientações para evitar golpes

Para Anderson Zilli, as empresas de telemedicina também têm responsabilidade na proteção dos pacientes.

"Alguns cuidados simples fazem diferença: verificar se o profissional está devidamente registrado, buscar atendimento em plataformas confiáveis e desconfiar de quem não apresenta credenciais médicas", afirma.

O CEO acrescenta que as empresas devem reforçar a validação de identidade e das credenciais médicas. Também precisam oferecer informações claras sobre o tratamento dos dados.

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A tecnologia deve facilitar o acesso à saúde. Ela não pode dificultar a identificação de quem presta o atendimento.

Metodologia do estudo

O Olá Doutor entrevistou 500 adultos com mais de 18 anos. Todos os participantes residem em diferentes regiões do Brasil e têm acesso à internet.

O estudo apresenta índice de confiabilidade de 95%. A margem de erro é de 3,3 pontos percentuais.

Os entrevistados responderam a oito perguntas. O questionário abordou a frequência de uso da telemedicina, as finalidades das consultas e as principais dificuldades dos pacientes.

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