Pesquisa internacional aponta que microplásticos inalados ou ingeridos podem chegar ao cérebro. Testes laboratoriais indicam que eles causam inflamações e afetam a comunicação entre neurônios, mas ainda não há provas de que causem doenças como Parkinson ou Alzheimer em humanos. Sem tratamentos para removê-los do corpo, especialistas recomendam reduzir a exposição diária, evitando recipientes plásticos aquecidos e priorizando materiais como vidro ou inox.
02 de outubro de 2026 (Bibliomed). Pesquisa realizada por um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, revisou evidências científicas sobre a presença de microplásticos no corpo humano, especialmente no cérebro, e investigaram o que já se sabe sobre seus possíveis efeitos na saúde e as perspectivas para reduzir essa exposição.
Microplásticos são pequenos fragmentos de plástico, geralmente com menos de 5 milímetros de tamanho. Eles são formados pela degradação de objetos plásticos maiores ou já são produzidos nesse tamanho para uso em alguns produtos. Hoje, podem ser encontrados em água potável, alimentos, poeira, ar que respiramos e em embalagens e utensílios plásticos. Isso significa que estamos expostos a eles diariamente.
O estudo mostrou que já existem evidências de que microplásticos podem entrar no organismo por meio da alimentação e da respiração. Algumas pesquisas também sugerem que partículas muito pequenas podem alcançar diversos órgãos, incluindo o cérebro. No entanto, a simples presença dessas partículas não significa, por si só, que elas estejam causando doenças. Os pesquisadores ressaltam que ainda é preciso entender melhor quais quantidades representam risco e quais tipos de microplásticos são mais prejudiciais.
Estudos realizados principalmente em animais e em células de laboratório sugerem que os microplásticos podem provocar inflamação, aumentar o estresse oxidativo (um tipo de dano às células), alterar o funcionamento das células nervosas e afetar a comunicação entre neurônios.
Esses mecanismos poderiam, em teoria, contribuir para problemas neurológicos. Entretanto, ainda não há evidências suficientes para afirmar que os microplásticos causem doenças neurológicas em seres humanos, como Alzheimer ou Parkinson.
Ainda não existe um tratamento comprovado para remover microplásticos do corpo humano. Atualmente, a principal abordagem continua sendo reduzir a exposição sempre que possível. Para isso, deve-se evitar aquecer alimentos em recipientes plásticos que não sejam próprios para esse uso, preferir recipientes de vidro ou inox quando possível, reduzir o uso de plásticos descartáveis, manter ambientes bem ventilados e limpos para diminuir a poeira doméstica. Essas medidas podem reduzir a exposição, mas não eliminam totalmente o contato com microplásticos.
Fonte: Brain Health. DOI: 10.61373/bh026p.0006.