Pedras na vesícula: sintomas, riscos e quando procurar um médico

Dor abdominal, náuseas, vômitos, febre e pele amarelada podem indicar complicações e precisam de avaliação médica

9 set 2026 - 19h28
Resumo
Pedras na vesícula surgem pela solidificação de substâncias da bile, impulsionadas por fatores genéticos, hormonais e obesidade. Embora costumem ser assintomáticas, exigem atenção médica imediata ao causarem cólicas abdominais frequentes, vômitos, febre ou icterícia, sinais de complicações como inflamação ou obstrução biliar. A cirurgia de remoção, frequentemente feita por videolaparoscopia, não é indicada a todos, sendo reservada para quadros sintomáticos ou com risco à saúde do paciente.

Dor na parte superior direita do abdômen, náuseas e vômitos podem estar relacionados aos cálculos na vesícula.

Entenda quais são os sintomas de ter pedra na vesícula
Entenda quais são os sintomas de ter pedra na vesícula
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Muitas pessoas têm pedra na vesícula e não apresentam sintomas. Em alguns casos, porém, os sinais podem indicar uma complicação.

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Nessas situações, é importante procurar avaliação médica. Dependendo do quadro, pode ser necessário tratamento cirúrgico.

No Brasil, mais de 1,5 milhão de internações por colelitíase e colecistite foram registradas no Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2020 e 2024. O dado é de um levantamento baseado em informações do DATASUS.

Ter pedra na vesícula não significa, por si só, que será preciso fazer uma cirurgia. Muitos cálculos são descobertos por acaso, durante exames realizados por outros motivos.

A necessidade de tratamento depende dos sintomas e da presença de complicações. Entre elas estão inflamação da vesícula, obstrução das vias biliares e pancreatite.

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O que são as pedras na vesícula?

A vesícula biliar é um pequeno órgão localizado abaixo do fígado.

Ela armazena e concentra a bile. Esse líquido é produzido pelo fígado e participa da digestão das gorduras.

Os cálculos biliares, conhecidos como pedras na vesícula, surgem quando substâncias presentes na bile se solidificam.

Eles podem ter diferentes tamanhos. Na maioria dos casos, permanecem dentro da vesícula sem causar sintomas.

O problema começa quando uma pedra bloqueia a saída da bile ou se desloca para as vias biliares. Isso pode provocar dor e outras complicações.

A explicação é do cirurgião geral e especialista em cirurgia minimamente invasiva e robótica Prof. Dr. Leonardo Emílio da Silva.

Quem tem maior risco de desenvolver cálculos?

A formação das pedras pode estar relacionada a diferentes fatores.

Entre eles estão:

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  • Excesso de peso e obesidade.
  • Perda muito rápida de peso.
  • Dietas muito restritivas.
  • Diabetes.
  • Alterações no metabolismo do colesterol.
  • Histórico familiar.
  • Idade.
  • Fatores hormonais.

As mulheres também apresentam maior risco de desenvolver cálculos biliares em determinadas fases da vida. A influência hormonal pode contribuir para esse risco.

"Não existe uma única causa para a formação das pedras. Geralmente, há uma combinação de fatores metabólicos, hormonais e genéticos. Por isso, é importante avaliar cada paciente individualmente e considerar também seus hábitos e seu histórico de saúde", destaca o especialista.

5 sinais de pedra na vesícula que merecem atenção

1. Dor persistente ou que volta com frequência

A dor é um dos sintomas mais conhecidos dos cálculos biliares.

A chamada cólica biliar costuma aparecer na parte superior direita ou no centro do abdômen. Ela também pode irradiar para as costas ou para o ombro direito.

O sinal de atenção não é apenas uma dor intensa e repentina. Episódios que se repetem também precisam ser investigados.

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A dor pode aparecer depois das refeições. Sensação de plenitude, empachamento ou peso no estômago após comer também podem ocorrer.

2. Dor que não melhora

Crises repetidas ou uma dor que permanece merecem avaliação.

Nem toda dor abdominal está relacionada à vesícula. Por isso, é importante investigar a origem do sintoma.

A frequência das crises também deve ser informada ao médico.

3. Náuseas e vômitos

Náuseas e vômitos podem acompanhar as crises provocadas pelos cálculos.

A atenção deve ser maior quando esses sintomas aparecem junto com dor abdominal.

Em caso de episódios persistentes, é importante buscar atendimento para identificar a causa.

4. Febre ou calafrios

Dor abdominal acompanhada de febre ou calafrios pode indicar inflamação da vesícula.

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Essa inflamação é chamada de colecistite. Também pode haver outras complicações.

Por isso, esses sintomas não devem ser tratados apenas como uma indisposição.

5. Pele ou olhos amarelados

Quando uma pedra bloqueia a passagem da bile, pode ocorrer icterícia.

A pele e a parte branca dos olhos ficam amareladas. A urina também pode ficar mais escura, enquanto as fezes podem apresentar uma coloração mais clara.

"A dor causada por um problema na vesícula pode ser confundida com uma indisposição ou uma má digestão. Mas, quando ela é persistente, recorrente ou vem acompanhada de febre, vômitos, sensação de empachamento após as refeições ou pele e olhos amarelados, é fundamental procurar atendimento médico para investigar a causa e descartar possíveis complicações", alerta o Dr. Leonardo Emílio da Silva.

Toda pessoa com pedra na vesícula precisa operar?

Não.

A descoberta de um cálculo em um ultrassom, por exemplo, não significa automaticamente que a vesícula deverá ser retirada.

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Quando não existem sintomas ou complicações, o acompanhamento médico pode ser suficiente.

A cirurgia pode ser indicada quando há sintomas recorrentes ou complicações. É o caso da inflamação da vesícula, da obstrução das vias biliares e da pancreatite causada pelos cálculos.

A decisão depende do quadro clínico, dos exames e das características de cada pessoa.

Como é feita a cirurgia?

A cirurgia para retirar a vesícula é chamada de colecistectomia.

Atualmente, uma das técnicas mais utilizadas é a videolaparoscopia. Nela, o cirurgião faz pequenas incisões no abdômen.

Por esses acessos, são introduzidos uma câmera e os instrumentos necessários para retirar a vesícula. O procedimento é realizado com anestesia geral.

Trata-se de uma cirurgia amplamente realizada. Suas etapas são padronizadas e aperfeiçoadas ao longo dos anos.

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Complicações podem acontecer, como em qualquer procedimento cirúrgico. A avaliação médica ajuda a definir a técnica mais adequada para cada caso.

Em muitos casos, o paciente recebe alta no mesmo dia ou após um curto período de internação. Isso depende do procedimento e das condições clínicas.

Quando existe inflamação importante ou outras dificuldades, pode ser necessária uma cirurgia aberta. Também pode ocorrer a conversão da videolaparoscopia durante o procedimento, conforme a avaliação da equipe médica.

Como é a recuperação?

A recuperação após a videolaparoscopia costuma acontecer de forma gradual.

Nos primeiros dias, pode haver dor ou sensibilidade nas regiões das incisões. Também é possível sentir algum desconforto abdominal.

A retomada das atividades deve seguir as orientações da equipe médica.

O tempo para voltar ao trabalho, aos exercícios físicos e às atividades habituais varia. O tipo de procedimento, as condições de saúde e a evolução de cada pessoa são considerados.

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Quando procurar atendimento médico?

Dor abdominal persistente ou recorrente merece avaliação. A atenção deve ser ainda maior quando o sintoma aparece junto com:

  • Febre.
  • Calafrios.
  • Vômitos.
  • Empachamento após as refeições.
  • Pele ou olhos amarelados.

Esses sinais podem estar relacionados à obstrução das vias biliares, à inflamação da vesícula ou a outras complicações.

Por isso, crises repetidas de dor abdominal não devem ser tratadas automaticamente como má digestão.

"A avaliação médica permite identificar se a vesícula realmente é a causa dos sintomas e definir o tratamento mais adequado para cada paciente, evitando que possíveis complicações evoluam", finaliza o Dr. Leonardo Emílio da Silva.

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